'Investidor olha mais para o Brasil do que antes'
Empresário mineiro Rubens Menin, que preside a Abrainc, afirmou que sem resolver a crise política é difícil alavancar a economia"; ele diz ser contra segurar "o câmbio para controlar a inflação, assim como segurar as tarifas"; "Defendo um câmbio de R$ 4, para melhorar a competitividade do País", disse; no entanto, ele afirma que "o investidor já está olhando muito mais o Brasil do que olhava antes"; "O cara que investiu a R$ 2, ganhou 100% com o investimento dele aqui, mas se saiu com o dólar a R$ 4, não ganhou nada. Agora, ele sabe que vai ganhar"; Menin criticou o impeachment; "Os partidos teriam de ser maiores do que são, em termos de pensar o País, sem interesses eleitorais e eleitoreiros"
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247 - O empresário mineiro Rubens Menin, cuja empresa MRV se tornou campeã de vendas do programa Minha Casa Minha Vida, com faturamento de R$ 4,1 bilhões no ano passado, criticou e, ao mesmo tempo, fez ressalvas à política econômica do governo federal. Segundo ele, que preside a Abrainc, associação que reúne as 26 maiores incorporadoras do País, "a crise política virou um emaranhado tão grande que não conseguimos mais sair dela e, sem resolver isso, acho difícil chegar a uma solução para a questão econômica".
"Na minha opinião, um dos maiores erros da política econômica foi ter segurado o câmbio para controlar a inflação, assim como segurar as tarifas. O lado bom disso tudo é que o artificialismo da economia está acabando. A balança comercial está reagindo, o que significa maior competitividade. Com o câmbio cotado a R$ 2 o Brasil se achava o dono do mundo, sem ser", afirmou.
Com o objetivo de melhorar a competitividade, ele defendeu um câmbio de R$ 4. "O investidor já está olhando muito mais o Brasil do que olhava antes. O País está mesmo em liquidação e é uma liquidação justa, por causa do câmbio. O cara que investiu a R$ 2, ganhou 100% com o investimento dele aqui, mas se saiu com o dólar a R$ 4, não ganhou nada. Agora, ele sabe que vai ganhar", complementou.
Citando a economista Marina da Conceição Tavares, e ex-deputada federal pelo PT, o empresário lembro que ela comentou "recentemente da necessidade de um acordão, que envolveria partidos políticos, intelectuais, representantes da sociedade civil e empresários". "O caminho é esse mesmo", disse ele. A entrevista foi concedida ao Estadão.
Questionado sobre a falta para que suas propostas sejam colocadas em prática, Menin foi taxativo. "Falta o governo fazer a parte dele", afirmou. "Estão falando em voltar com a CPMF (a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Eu sou contra. A sociedade não vai dar a CPMF para o governo porque ele não está dando nada em troca. Cortou uma meia dúzia de ministérios, mas tem de fazer mais. Tem de cortar na carne. O remédio tem de ser amargo. Não vamos aguentar muito mais tempo com esses buracos no balão perdendo gás".
O empresário criticou pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Impeachment é um negócio muito doloroso. Qualquer solução constitucional, dentro da normalidade, seria uma opção melhor. O acordão seria uma opção melhor. Mas os partidos teriam de ser maiores do que são, em termos de pensar o País, sem interesses eleitorais e eleitoreiros. Com o impeachment, o Brasil ia sangrar demais. Seria uma guerra civil, uma confusão social muito grande. Não acredito que seria uma festa como foi com o Collor. Não tem clima para acontecer isso".
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