Inovar-Auto e outros

O programa é um marco importante na política industrial nacional, mas precisa ser complementado por iniciativas incisivas que construam um cenário claro de melhorias naturais, de inovações e aperfeiçoamento produtivo



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O governo federal anunciou na última semana um emaranhado de boas notícias para impulsionar a economia, principalmente referente à linha industrial automotiva e ao programa Minha Casa Minha Vida. Além disso, a agenda de notícias positivas trouxe consigo novamente as ideias de indução e escolhas nacionais sobrepondo à ideia de eficiência competitiva e menor preço.

Mesmo que alguns indicadores possam assinalar altas dos preços, a política econômica adotada pelo governo passa pelo caminho de mais crescimento econômico com níveis inflacionários controlados, não necessariamente focados no centro da meta, mas bem próxima ao seu teto. Assim, estimula-se a economia nacional para que não se sinta os prejuízos internacionais.

Assim, buscando incentivar a atividade econômica, o governo fez a apresentação do Inovar-Auto, que traz em linhas gerais uma proposta de criação de um regime produtivo específico que beneficia a utilização de componentes nacionais e oferece descontos aos fabricantes automotivos.

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Faz-se necessário ressaltar que o programa é facultado a adesão de seus participantes, não se estendendo assim de forma direta a todas as plantas industriais automotivas.

A priori, o programa é interessante, porém, não pode ser concebido de forma individual. Mesmo que ele acabe se estendendo à cadeia de autopeças e conjecturando um intricado sistema de tributação, recai agora sobre os ombros da iniciativa privada a viabilização das condições para que os envolvidos consigam se alinhar às propostas e melhorar a temperatura industrial.

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Recai para a iniciativa privada pois requerer uma contrapartida com investimentos em eficiência e melhoria dos processos produtivos.

Um dos maiores questionamentos sobre os reflexos do programa recaiu se haverá integral repasse na baixa dos preços dos veículos isentados ao consumidor final. Acredito que por enquanto poderão ocorrer reduções nos preços, não de imediato, mas como um resultado da evolução do cenário competitivo, e que, no desenvolver do programa de seus benefícios, acredito que a pressão competitiva influenciará mais fortemente a queda dos preços.

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Uma das propostas mais fortes do governo é a tentativa de nacionalização de grandes itens utilizados na cadeia produtiva. Novamente, a intenção de se gerar valor internamente é positiva, porém, deve-se ter muita parcimônia para analisar a atual capacidade instalada em território brasileiro. Reitero que precisamos incentivar a produção nacional, mas não impor itens a base de uma canetada. O incentivo produtivo é o fato gerador, e não a imposição.

As estruturas de apoio devem ser construídas sob um planejamento privado, com as bases legais estabelecidas pelas Instituições Públicas e materializadas de forma a garantir aperfeiçoamento das relações comerciais, objetivando ganhos de produtividade, queda nos preços, aumento na qualidade dos produtos oferecidos e aumento do número de empregos.

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O programa lançado reitera que uma das linhas de base na condução da política econômica de retomada industrial passa pelo setor automotivo, que na visão do governo, possui uma capilaridade muito intensa, principalmente por ser um dos maiores geradores de impostos e tratarem as expectativas da população de forma positiva.

Enfim, o programa Inovar-Auto é um marco importante na política industrial nacional, possuindo um interessante escopo, porém, precisa ser complementado por iniciativas incisivas que construam um cenário claro de melhorias naturais, de inovações e aperfeiçoamento produtivo.

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A imposição de substituir de itens produtivos apenas por não serem nacionais pode trazer prejuízos caso a indústria complementar não esteja em condições de atender a demanda, minando o programa de estímulo.

Não podemos considerar um regime de rejeição total de itens importados. Precisamos criar condições para que nossos itens nacionais sejam melhores e mais baratos que os externos, e que a cadeia produtiva se consolide de forma a ter musculatura suficiente para se manter, sem que no futuro, o governo tenda a lançar mão de novas manobras.

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O crescimento da economia brasileira, principalmente de sua massa salarial, oferece um horizonte de planejamento positivo para a  cadeia automotiva, e isso pesa a favor das decisões de investimento, confiança e expectativas do empresariado.

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