Inflação encosta no teto da meta e governo se preocupa

Secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, admitiu que o resultado da inflação "veio um pouco acima do esperado" em fevereiro, mas garantiu que ela está sob controle no país; redução da tarifa de energia elétrica evitou alta da inflação em fevereiro

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Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, admitiu que o resultado da inflação "veio um pouco acima do esperado" em fevereiro, mas garantiu que ela está sob controle no país. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi 0,6% no mês passado, alcançando 6,31% no acumulado de 12 meses.

A taxa anualizada é maior do que o resultado, na mesma comparação, registrado em janeiro de 2012, quando ficou em 6,15% para 12 meses. A taxa mensal, entretanto, ficou menor que a registrada em janeiro, quando chegou a 0,86%.

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O centro da meta estabelecido para 2013 pelo governo para a inflação medida pelo IPCA é 4,5%, podendo variar em dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Analistas de mercado, no entanto, alteraram para 5,69% a projeção para a inflação oficial deste ano.

Para Nelson Barbosa a inflação irá caminhar para o centro da meta em um prazo adequado, pois está sob controle no Brasil. "A nossa expectativa é que ela vá caindo gradualmente ao longo do ano. Principalmente quando começar a ser transmitido [para o cálculo da inflação] o impacto da redução recente no índice do preço de commodities [produtos básicos], que caíram fortemente neste mês, mas isso demora de chegar na ponta", explicou.

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O secretário lembrou que a própria desoneração do setor elétrico, anunciada pelo governo em janeiro, terá impacto na taxa da inflação. "Houve, agora, o primeiro impacto da tarifa ao consumidor. Tem o impacto direto ainda, à medida que você reduz o custo de algumas empresas. Principalmente, micro e pequena empresa, e isso tende a ser transmitido também para os preços, gradualmente, onde se tem uma competição maior", avaliou.

Ele negou que a inflação possa atrasar os planos do governo de anunciar novas desonerações, como a da cesta básica. Segundo ele, são coisas independentes e, no caso da cesta básica, o assunto está sendo avaliado e a proposta sendo fechada, com vários cenários.

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Sobre a decisão do governo do Rio de Janeiro de suspender os pagamentos de dívidas, inclusive para a União, por se sentir prejudicado devido à aprovação do projeto de lei da nova distribuição do royalties do petróleo, Nelson Barbosa informou que o governo federal está analisando o assunto, embora não exista nenhum pedido nesse sentido.

"Evidente que o governo está monitorando, vai avaliar o impacto, mas não há nenhuma iniciativa nesse sentido", destacou Barbosa.

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Redução da tarifa de energia elétrica evita alta da inflação em fevereiro

A queda média de 15,17% nas tarifas de energia em fevereiro deste ano foi a principal responsável pela redução da taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo dados divulgados hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA, que é a inflação oficial do país, caiu de 0,86% em janeiro para 0,6% em fevereiro.

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Os maiores impactos da redução das tarifas de energia em fevereiro foram sentidos pelos moradores de Goiânia, onde houve uma queda de 15,97% na energia elétrica, e Belém, onde os preços das tarifas caíram 16,57%.

Nos dois primeiros meses do ano, as tarifas de energia acumularam queda de 18,49% nos preços em todo o país. Segundo a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina dos Santos, como a redução se concentrou em janeiro e fevereiro, os consumidores não sentirão mais o impacto direto dessa política governamental.

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Apesar disso, de acordo com a pesquisadora, como a queda das tarifas de energia também afetou o setor produtivo nacional, os consumidores poderão sentir o impacto indireto dessa política, por meio da redução do custo dos produtos e do repasse dessa queda para o preço final ao consumidor.

Por outro lado, o aumento de 4,1% no preço da gasolina em fevereiro evitou um impacto maior da redução do custo da energia elétrica no bolso do consumidor. A alta do combustível contribuiu para que a inflação de fevereiro deste ano ficasse acima da taxa de fevereiro de 2012, que foi 0,45%.

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No acumulado dos 12 meses, a inflação oficial chega a 6,31%, taxa acima dos 6,15% acumulados até janeiro. Na inflação acumulada, os alimentos e serviços têm impacto importante, com inflações de 12,48% e 8,65%, respectivamente.

"Os [aumentos de preços dos] alimentos têm como causa principal os problemas climáticos. E os serviços estão tendo uma demanda grande, principalmente por serviços mais sofisticados, como cabeleireiros, e são resultado da renda do consumidor", disse Eulina dos Santos.

Entre os grandes vilões da inflação dos alimentos estão a farinha de mandioca, que teve aumento de preços de 16,15% em fevereiro e acumula alta de 141,33% em 12 meses, e o tomate, com alta de 20,17% no mês e 89,4% em 12 meses.

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