Inflação atinge mais gravemente os pobres e é causada pelo apagão da economia global, diz Juliane Furno

Segundo a economista, os produtos estão mais caros nas prateleiras do mercado porque o custo de produção dos bens aumentou, o que é repassado ao consumidor final. “Grande parte desse custo tem a ver com tarifa de energia elétrica e com a redução dos estoques, esse apagão de matéria-prima”, explicou à TV 247. Assista

Juliane Furno
Juliane Furno (Foto: ABr | Divulgação)


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247 - Nas prateleiras dos mercados é possível notar os preços dos alimentos em alta, fruto de uma inflação que acontece ao mesmo tempo de uma taxa de desemprego altíssima. Segundo a economista Juliane Furno, os dois cenários são difíceis de ocorrer concomitantemente, já que na maioria das vezes a inflação está ligada ao excesso de demanda e à falta de mão de obra.

O que acontece no Brasil, entretanto, é o que se chama de “inflação de custo”, ou seja, não se trata dos preços altos em função de uma alta procura em relação a este ou aquele produto, e sim da elevação do custo para produzir os insumos, que é repassado ao consumidor final. “Em grande medida, a causa da inflação é um excesso de demanda, mas isso não acontece no Brasil. Se a gente tem capacidade ociosa de máquina, se a gente tem capacidade ociosa de trabalho e se tem mais gente demandando trabalho, emprega essas pessoas, coloca a máquina para funcionar e produz. A gente está tendo um aumento de capacidade ociosa, de desemprego, e ao mesmo tempo uma inflação, o que mostra que a nossa inflação não é essa típica que seria inflação de demanda, é a inflação de custo”.

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“O preço das mercadorias sobe não porque mais gente quer comprar aquela mercadoria, mas porque o custo da produção daquela mercadoria aumenta para o produtor e o produtor repassa esse aumento de custo para o preço final. A cerveja está mais cara não porque as pessoas estão bebendo mais cerveja, mas porque a conta da luz está mais cara e a cerveja precisa ficar no refrigerador para ficar gelada; porque o alumínio está mais caro e a cerveja precisa de alumínio para ser embalada”, explicou a economista à TV 247.

Juliane ressaltou ainda que a inflação é ainda mais grave para os pobres. Os números apresentados pelo índice IPCA, que mede a inflação, representam a média da elevação dos preços em um universo amplo, o que esconde um cenário trágico para a população de baixa renda. “O IPCA é uma média que avalia uma cesta de consumo padrão de uma família brasileira que ganha entre um e 40 salários mínimos, então para os mais pobres a inflação é muito mais elevada do que para os mais ricos, justamente porque o padrão de consumo de uma família mais pobre é basicamente um padrão de consumo de bens, e principalmente de bens de primeira necessidade como são os alimentos”.

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De acordo com a especialista, “os alimentos e outros bens industriais estão chegando mais caros nas prateleiras do supermercado justamente por esse custo, e grande parte desse custo tem a ver com a tarifa de energia elétrica e com a redução dos estoques, esse apagão de matéria-prima”.

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