Ibovespa fecha em queda de 1,8% após demissão de Teich; dólar fecha a R$ 5,83
Ações foram prejudicadas pela tensão política em uma semana de forte volatilidade
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Infomoney - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (15) e encerrou a semana com perdas de 3,37%. Os últimos dias foram marcados por uma influência da tensão política no humor dos investidores.
Primeiro na terça-feira (12) com as informações de que no vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro teria dito que trocaria a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro para proteger seus filhos das investigações em curso. Depois, nesta sexta, graças à queda de mais um ministro da Saúde, desta vez foi Nelson Teich, que passou menos de um mês no cargo.
Teich entrou para substituir Luiz Henrique Mandetta, que protagonizou diversos incidentes de desacordo com o presidente Jair Bolsonaro na questão do isolamento horizontal.
Assim como seu antecessor, Teich mostrou resistência a adoção da cloroquina no tratamento da Covid-19. Dias antes, o agora ex-ministro também foi surpreendido por decreto de Bolsonaro ampliando a lista de serviços essenciais durante a pandemia, incluindo salões de beleza, barbearias e academias de ginástica. Além disso, Teich teria dito recentemente a amigos que é difícil conciliar os desejos de Bolsonaro com a realidade.
Nesta sexta, o Ibovespa caiu 1,84% a 77.556 pontos com volume financeiro negociado de R$ 25,877 bilhões. A Bolsa acelerou perdas perto do fechamento por conta do vencimento de opções sobre ações que ocorrerá na segunda-feira (18) e devido à insegurança dos investidores para manterem posições compradas antes do fim de semana em um cenário de tanta volatilidade quanto o atual.
Já o dólar comercial teve alta de 0,33% a R$ 5,8372 na compra e a R$ 5,8392 na venda. Na semana, a divisa dos EUA registrou uma valorização de 1,73% sobre o real.
“Nitidamente, o mercado teve mais um dia negativo por conta do ruído político, que aumenta as preocupações dos investidores com a condução da política sanitária e também da economia durante esse período de pandemia de coronavírus”, disse Fernando Bergallo, diretor da FB Capital.
No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 14 pontos-base a 3,50%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de oito pontos-base a 4,74% e o DI para janeiro de 2025 recuou quatro pontos-base a 6,76%.
Mais cedo nesta sexta, o clima já era de pessimismo depois que a administração do presidente americano, Donald Trump, adotou medidas para bloquear os embarques de semicondutores das maiores fabricantes de chips globais para a Huawei.
Em resposta, o editor-chefe do veículo estatal de imprensa chinês Global Times, Hu Xijin, tuitou que a China irá “restringir e investigar” empresas americanas como Qualcomm, Cisco Systems e Apple caso os EUA tentem bloquear a cadeia de fornecedores da Huawei.
Os EUA estão tentando convencer seus aliados a excluir equipamentos da Huawei das redes de 5G. A justificativa é que os chineses podem se utilizar dessa tecnologia para espionar o mundo todo.
Além das tensões com a China, os EUA também foram foco do noticiário porque as vendas no varejo desabaram 16,4% em abril na comparação com março, baixa maior que a expectativa mediana dos economistas do mercado compilada no consenso Bloomberg, que apontava para uma queda de 12%.
Apesar disso, antes da demissão de Teich a Bolsa brasileira ainda se sustentava com os ganhos das ações da Petrobras, que apesar do prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre, animou os investidores por conta de outros números da demonstração de resultados.
“A alta qualidade dos ativos do pré-sal da Petrobras é evidente em um trimestre onde, mesmo após uma grande baixa contábil, o fluxo de caixa ainda aumenta. A liquidez parece abundante e, com preços do petróleo aparentemente se recuperando do fundo do poço, continuamos confortáveis com a nossa recomendação de exposição acima da média (overweight) para as ações da companhia”, avalia o Morgan Stanley.
Entre os indicadores brasileiros, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 5,9% em março na comparação com o mês anterior, em linha com as projeções dos economistas, que eram de um recuo de 5,95%. O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
Na comparação anual, o IBC-Br caiu 1,52%, ante projeções de uma retração de 2,4%. Em fevereiro, o IBC-Br havia crescido 0,35% na comparação mensal e 0,6% na base anual.
Por outro lado, a produção industrial chinesa cresceu 3,9% em abril (acima das projeções de 1,5%), enquanto as vendas do varejo no país asiático caíram 7,5%, mais que estimativa de queda de 6%.
Entre as commodities, o minério de ferro subiu a US$ 90 a tonelada pela primeira vez desde março, à medida que os investidores se preocupam cada vez mais com o impacto da pandemia nos embarques brasileiros com o país se tornando um novo epicentro global da doença. O surto de vírus no estado do Pará é particularmente preocupante para o mercado da commodity.
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