Ibovespa cai mais de 1% e dólar vira para queda
Últimos dados econômicos mais fracos se somam à aceleração de casos com novas variantes do coronavírus; política no Brasil também no radar
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Infomoney - Continuando a tendência de fortes variações na semana, o Ibovespa enfrenta nesta quinta-feira (8) um dia de forte queda após a alta de 1,54% na véspera e a baixa de 1,44% na terça-feira. No radar, os investidores acompanham o exterior, com o aumento das preocupações em torno da retomada da economia global frente a disseminação da variante delta ao redor do globo, que levou países da Ásia a retomarem medidas de restrição.
Cabe ressaltar ainda que o pregão marca o encerramento da semana para a B3, que ficará fechada na sexta-feira devido a feriado em São Paulo, o que também aumenta a cautela por aqui, uma vez que alguns investidores podem decidir zerar posições para não entrarem comprados no fim de semana prolongado.
Segundo Bruno Komura, analista da gestora Ouro Preto, o espalhamento da variante delta, que tem índice alto de transmissibilidade e afeta muito os mais jovens, junto com os dados abaixo do esperado dos Estados Unidos, dão um indicativo para o mercado de que não estamos experienciando uma retomada sólida.
“Ajuda no discurso do Federal Reserve de que a conjuntura ainda demanda medidas estimulativas, mas a economia vai se recuperar um pouco mais devagar. No Brasil, isso é pior, pois indica a necessidade de mais tempo de auxílio emergencial, o que bate diretamente no ambiente fiscal”, opina o analista.
Às 13h41 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha perdas de 1,11%, a 125.606 pontos.
Já o dólar comercial vira para queda de 0,28% a R$ 5,225 na compra e R$ 5,226 na venda, após ter flertado com os R$ 5,30 na máxima do dia (a R$ 5,295). O contrato futuro da divisa para agosto caía 0,14% a R$ 5,238.
“O medo de que a variante Delta da Covid-19 cause novos lockdowns em muitos países faz com que investidores vendam ativos de risco, junto com preocupações com liquidez mundial”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, em comentário a clientes.
Por outro lado, em relatório, Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, escreve que a variante delta do coronavírus e a condução da política monetária do Federal Reserve não devem promover uma disrupção na economia global.
“Países com largas fatias da população totalmente vacinadas irão provavelmente ter cenários similares ao do Reino Unido, onde o número de casos aumentou, mas as hospitalizações por Covid continuam baixas”, avalia. Nesse caso, o economista não enxerga tantos riscos econômicos, pois sem pressão sobre o sistema de saúde não há também necessidade de aumentar as restrições à mobilidade.
Enquanto isso, o ambiente político no país segue bastante tumultuado, com novos desenvolvimentos negativos para o governo na CPI da Covid e indicações de que o empresariado se opõe ao atual texto da reforma tributária, o que deve amplificar o efeito da aversão ao risco global, apontou o economista.
Na agenda dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 3 de julho aumentou para 373 mil, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho americano.
Esse é um possível indício de que o rápido crescimento do emprego visto no primeiro semestre de 2021 poderia enfrentar obstáculos nos próximos meses. Analistas consultados pela Refinitiv projetavam um número menor de pedidos, 350 mil. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.
Neste cenário ainda de cautela sobre o ritmo de recuperação da atividade, o rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos cai para 1,25%, menor valor desde fevereiro.
Outra gigante da economia global também contribuiu para os maiores temores do mercado: autoridades chinesas sinalizaram que podem em breve injetar mais estímulo na economia, uma mudança de tom inesperada indicando que a recuperação mais rápida do mundo pode ser mais fraca do que parece.
Por aqui, atenção ainda para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. Puxada novamente pela alta da energia elétrica, a inflação oficial no País subiu 0,53% em junho de 2021 na comparação com maio, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (8), representando uma desaceleração frente à alta de 0,83% de maio.
Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses. A variação acumulada em 12 meses é a maior desde setembro de 2016 (8,48%). Em junho de 2020, a taxa mensal foi de 0,26%. O dado, contudo, ficou levemente abaixo do esperado. De acordo com projeções compiladas pela Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,59% na comparação com maio e de 8,40% frente igual período do ano passado.
Na avaliação de João Leal, economista da Rio Bravo, o número deve levar o mercado financeiro a ver um menor espaço para uma alta da Selic de 1% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. Com o dado, as apostas devem se concentrar em alta de 0,75 ponto percentual, para 5% ao ano – abaixo do aumento de 1 ponto que estava sendo esperado por parte do mercado, afirma Leal.
Porém, quando aberto o índice de inflação, o economista da Rio Bravo afirma que o item de serviços é o que mais preocupa a casa nos próximos meses, uma vez que deve ser impulsionado neste segundo semestre diante da expectativa de reabertura econômica.
Apesar do cenário mais benigno para inflação, todos os juros futuros passaram a subir. O DI para janeiro de 2022 tem alta de sete pontos-base, a 5,80%, DI para janeiro de 2023 sobe nove pontos-base, a 7,29%, DI para janeiro de 2025 tem alta de nove pontos, a 8,32% e DI para janeiro de 2027 avança sete pontos-base a 8,74%.
O noticiário político também segue bastante movimentado, em meio à CPI da Covid, que gerou declarações contundentes e rusgas entre integrantes das Forças Armadas e o presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM). O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, o ex-sargento da Aeronáutica Roberto Dias, recebeu ordem de prisão de Aziz, que considerou que o ex-servidor mentiu em seu depoimento ao colegiado. Dias pagou fiança de R$ 1.100 e foi liberado no final da noite.
Durante o depoimento de Dias, o presidente da CPI afirmou que “as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”. Em nota divulgada na noite de quarta, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas repudiaram as declarações de Aziz. O senador disse considerar a nota da Defesa “desproporcional” e cobrou de Pacheco uma posição mais incisiva para defender um senador. “Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem”, disse Omar. “Não aceito que intimidem um senador da República”, afirmou o senador.
Bolsas mundiais em baixa
Os índices americanos têm quedas expressivas. Na abertura do mercado, o Dow Jones registrava 1,15%, S&P 500 tinha queda de 1,25% e Nasdaq registrava perdas de 1,45%.
Durante boa parte da manhã, os índices futuros das bolsas americanas já apontavam para perdas, com a baixa se intensificando após a agência de notícia Kyodo News apontar que o governo do Japão deve declarar novamente situação de emergência em Tóquio, que deverá perdurar até 22 de agosto para conter uma nova onda de infecções por coronavírus.
Ontem, cabe destacar, a sessão foi positiva para os índices dos EUA: o S&P subiu 0,3%, atingindo um novo patamar recorde de 4.358,13 pontos; O Dow Jones subiu 104,42 pontos, a 34.681,79; o Nasdaq fechou com uma oscilação positiva, próximo a um novo recorde.
Ações de empresas de tecnologia e internet voltaram a ter uma performance superior à média do mercado na quarta. Investidores compraram papéis de empresas que priorizam crescimento, ao invés de nomes do varejo e do setor de energia que tiveram sucesso no primeiro semestre.
Na quarta, os papéis da Apple subiram 1,8%; os da Microsoft, 0,8%; e os da Amazon, 0,5%. No último mês, essas ações tiveram altas de dois dígitos. A queda no rendimento dos títulos do Tesouro americano é apontada por investidores como um dos fatores pelo interesse nestes papéis.
Ontem, o rendimento de títulos do Tesouro com vencimento em dez anos continuou a cair, a 1,296%, o menor patamar desde fevereiro, movimento que prossegue nessa sessão.
Na véspera, foi divulgada também a ata da última reunião do Fomc, em que os integrantes discutiram a retirada de estímulos, mas incertezas sobre o panorama econômico prevaleceram. Por outro lado, incomodados com os preços de moradia, os integrantes do Fed debateram diminuir o ritmo de compra de hipotecas mais rapidamente do que de Treasuries.
Na sessão, as bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em queda. Ações do setor de tecnologia de Hong Kong foram pressionadas com o temor renovado de regulação. O governo da China afirmou que irá atualizar “as regras sobre a listagem de ações no exterior para empresas domésticas”, e também aumentará as restrições para fluxos de dados transfronteiriços e segurança.
As ações da Tencent recuaram 3,74%; as da Alibaba, 4,13%; e as da Meituan caíram 6,43%. Assim, o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2,89%, para 27.153,13 pontos.
No Japão, o Nikkei recuou 0,88%; na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,99%; na China continental, o Shanghai composto recuou 0,79%.
Além da situação de emergência em Tóquio, outros países da Ásia são monitorados de perto por conta da Covid-19. Na Coreia do Sul, o governo informou o maior número de novos casos de Covid em um dia desde o início da pandemia no país, segundo a agência de notícias Yonhap.
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