Ibovespa cai 4,9% e tem pior pregão desde 2011
Mercado tem dia de desespero em meio a derrocada do petróleo e resultado decepcionante de "boas" ações como Itaú e Cielo; o banco, que caiu mais de 7%, também teve seu pior pregão em quatro anos e meio
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Por Ricardo Bomfim
O Ibovespa teve sua pior queda desde 2014 nesta terça-feira (2), pressionado principalmente pelas ações de Itaú Unibanco e Petrobras. O banco por conta do seu resultado no quarto trimestre de 2015 e a petroleira tem em vista a desvalorização do petróleo, que acelerou as perdas no fim da tarde para queda de cerca de 4% o barril do Brent. A queda do petróleo também puxou as bolsas europeias e impacta os índices norte-americanos, que caem perto de 2%, operando nas mínimas do dia.
O benchmark da Bolsa brasileira fechou com queda de 4,87%, a 38.596 pontos - a maior desde 8 de agosto de 2011, quando a Bolsa caiu 8,08%. Já o dólar comercial fechou em alta de 0,68% a R$ 3,9851 na compra e a R$ 3,9860 na venda, enquanto o dólar futuro para março tem alta de 0,76% a R$ 4,027. No mercado de juros futuros, os contratos mais longos fecharam na máxima do dia, enquanto os para períodos mais curtos, embora não tenham encerrado no patamar mais alto, registraram ganhos. O DI para janeiro de 2017 encerrou em alta de 11 pontos-base a 14,51% e o DI para janeiro de 2021 registrou ganhos de 32 pontos-base a 15,95%. Os contratos devolveram parte das perdas da véspera, quando uma notícia sobre uma possível redução da Selic ainda em 2016 passou a circular no mercado.
Segundo o trader da Daycoval Investimentos, Daniel Ximenes Almeida, não há nada que tenha sido responsável pela piora da Bolsa após às 17h além das quedas mais fortes das bolsas dos EUA e do petróleo. A fala da presidente Dilma Rousseff neste dia de retorno aos trabalhos no Congresso não teria nada que pudesse trazer um pessimismo maior entre os investidores.
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Por aqui, os investidores ainda ficam na reunião do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, com representantes da agência de classificação de risco, Moody's. Os encontros de Tombini e de toda a diretoria do BC serão fechados à imprensa. A Moody's colocou rating Baa3 do País em revisão para possível rebaixamento em dezembro.
Ações em destaque
Entre as maiores quedas do dia estiveram os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,60, -7,34%) com os investidores de olho no resultado do banco. A companhia registrou um aumento de 15,4% do lucro em 2015, somando R$ 23,35 bilhões, o maior lucro da história entre os bancosbrasileiros de capital aberto em valores nominais. No quarto trimestre do ano passado, o lucro somou R$ 5,698 bilhões, com baixa de 4,15% em relação ao terceiro trimestre, mas alta de 3,2% se comparado aos últimos três meses de 2014.
Por outro lado, o mercado repercute as expectativas negativas do banco. Para 2016, o Itaú Unibanco previu um intervalo que vai de contração de 0,5% para alta de 4,5% em sua carteira de crédito e um aumento médio superior a 40% das provisões para perdas com inadimplência, além de desaceleração das despesas administrativas.
Segundo o BTG Pactual, o lucro líquido do Itaú veio em linha com o esperado pelo mercado, enquanto a tesouraria voltou para níveis normalizados. O destaque também ficou para o guidance bastante conservador (negativo).
Também em queda por conta do balanço está a Cielo (CIEL3, R$ 30,90, -7,35%). A empresa de meios de pagamento vê suas ações caírem forte após a companhia registrar lucro de líquido de R$ 852,7 milhões no quarto trimestre de 2015, alta de 6,2% na comparação anual, segundo informou a empresa ao mercado. O resultado ficou bem abaixo das estimativas, que giravam em R$ 977,4 milhões, segundo média das projeções da Bloomberg.
Segundo o Bradesco BBI, a principal surpresa negativa veio das receitas no Brasil; "além disso fomos surpreendidos pelo custo/transação de R$ 0,54 no trimestre, superior na comparação trimestral", destacam os analistas. Já o JPMorgan Securities cortou o preço-alvo para as ações da Cielo de R$ 46 para R$ 40, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média), destacando as condições econômicas deterioradas do cenário atual.
Destaque também para Petrobras (PETR3, R$ 6,09, -7,45%; PETR4, R$ 4,35, -7,84%), que cai puxada pelo desempenho do petróleo. No noticiário da estatal, de acordo com informações do jornal O Globo, a companhia estuda unir o Comperj com as refinarias Reduc e Regap, o que pode ser uma saída para encontrar um sócio para continuar com as obras do complexo petroquímico. As obras do Comperj em construção em Itaboraí (RJ) estão paradas, pois o local foi um dos alvos do esquema de corrupção entre funcionários da estatal e fornecedores revelado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.
Já entre as altas estão as ações do setor siderúrgico, que, para muitos analistas, estavam muito pressionadas e já há quem as veja como sobrevendidas. Sobem Gerdau (GGBR4, R$ 3,83, +0,79%), Usiminas (USIM5, R$ 0,98, +2,08%) e CSN (CSNA3, R$ 3,83, +2,13%).
Volta do recesso parlamentar
Após um período de recesso iniciado em 23 de dezembro de 2015, os parlamentares retornam às suas funções nesta terça. Já na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, os congressistas recebem da presidente Dilma Rousseff a mensagem do governo defendendo o ajuste fiscal, a reforma da Previdência, a volta da CPMF e o combate ao zika vírus. Esta é a primeira vez que Dilma irá pessoalmente ao Congresso para entregar a mensagem presidencial, desde que assumiu o Palácio do Planalto, em 2011.
A presidente Dilma Rousseff iniciou seu discurso no Congresso às 15h56: "volto a me dirigir ao Congresso para cumprir o dever de prestar contas do Executivo em 2015 e indicar prioridades para 2016", afirmou, destacando que espera contar com o Congresso para fazer "o Brasil alcançar patamares mais altos de justiça, solidariedade e igualdade".
Um dos momentos marcantes do discurso até agora foi quando a presidente Dilma falou da necessidade de aprovação da CPMF como medida de curto prazo para a realização do ajuste fiscal, e foi vaiada pelos parlamentares.
"Para nós, a CPMF é provisória", disse Dilma. "Os que são contrários dizem que a carga tributária tem crescido. Ao contrário, excluindo as contribuições previdenciárias, aarrecadação federal tem caído nos últimos anos", afirmou a presidente, sendo vaiada novamente. A presidente pediu que os congressistas levem em conta a excepcionalidade do momento, e considerem os dados, e não opiniões, para a volta da Contribuição.
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