Ibovespa cai 1,6% e fecha abaixo dos 40 mil pontos
Pressionado pela derrocada das commodities por conta de mais um dia de forte volatilidade na China, o Ibovespa fechou em forte queda nesta segunda-feira 11, a 39.950 pontos; o índice fechou no seu menor patamar desde 17 de março de 2009, durante a crise do subprime; 'esquecida' na Bolsa, a ação da Telebras chegou a disparar 300% após rumor de que o governo quer fundir três estatais, mas amenizou ganhos e, ao fim do pregão, registrava alta de 187%
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Por Ricardo Bomfim - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (11), pressionado pela derrocada das commodities por conta de mais um dia de forte volatilidade na China. O petróleo despencou 6% depois do Morgan Stanley projetar que o preço do barril pode ir para US$ 20, e puxou as ações de petroleiras ao redor do mundo.
Entre elas, a Petrobras, que caiu mais de 3%. No cenário doméstico, o Banco Central reforça o compromisso com a convergência da inflação para a meta em 2016, após o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) terminar 2015 em 10,67% de avanço.
O benchmark da bolsa brasileira teve perdas de 1,63%, a 39.950 pontos. Com isso, o índice fechou no seu menor patamar desde 17 de março de 2009, durante a crise do subprime, quando fechou a 39.510 pontos. Já o dólar comercial terminou o pregão em alta de 0,28% a R$ 4,0487 na compra e a R$ 4,0517 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro teve alta de 0,85% a R$ 4,086.
No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 8 pontos-base a 15,61%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para alta de 5 pontos-base a 16,38%.
Segundo o estrategista da XP Investimento Celson Plácido, o sentimento de cautela volta a atingir o mercado por conta do cenário chinês. O movimento pela manhã poderia estar relacionado a um repique diante das recentes quedas do índice, mas que foi apagado com a abertura das bolsas nos EUA e por conta da forte derrocada do petróleo, que nesta segunda recua mais de 3% e volta a se aproximar dos US$ 30,00.
Juros vão subir
Após a inflação estourar, e muito, o teto da meta de 6,5% ao ano, o BC enviou carta ao Ministério da Fazenda dizendo que adotará medidas para convergir o IPCA à meta em 2017. "Não obstante o esforço de política monetária já realizado, vale reiterar que, nas atuais circunstâncias, a política monetária deve manter-se vigilante para conter eventuais efeitos adicionais resultantes dos dois importantes processos de ajustes e preços relativos que dominaram a economia em 2015", diz a carta.
Além disso, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse: "o Banco Central tem a taxa de juros básica da economia e esse é um instrumento que vem se utilizando e se utilizará, quando necessário, para trazer a inflação para a meta de 2017 e para fazê-la passar por debaixo de 6,5% neste ano".
Além disso, a presidente Dilma Rousseff está convencida de que não é possível tergiversar no controle de preços, que prejudica principalmente os mais pobres, segundo o Globo, que cita interlocutores da presidente.
China
O BC chinês "confundiu" o mercado ao orientar a taxa referencial do yuan muito mais forte. Embora o movimento possa acalmar as preocupações sobre uma desvalorização competitiva, ela só acrescenta confusão ao mercado sobre a intenção de Pequim em relação à sua política cambial.
O movimento foi uma aparente reversão da tendência recente de enfraquecimento da taxa referencial, que incluiu a maior queda de um dia em cinco meses no dia 7 de janeiro.
Hoje, o Banco Central da China determinou a taxa referencial mais alta do yuan pela segunda vez seguida, a 6,5626, contra taxa anterior de 6,5636 por dólar, quando o regulador cambial aliviou temores sobre a depreciação da moeda chinesa. A decisão foi uma aparente reversão da recente tendência de enfraquecimento da taxa referencial, que incluiu a maior queda diária em cinco meses em 7 de janeiro.
Vai ser difícil crescer 6,5% ao ano entre 2016-2020
China vai encarar grande dificuldade para alcançar crescimento econômico superior a 6,5% no período de 2016 a 2020 devido à desaceleração da demanda global e ao aumento dos custos trabalhistas no país, disse o presidente do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento do Conselho de Estado, Li Wei, segundo um jornal.
Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 oscilou de uma retração de 2,95% para uma de 2,99%, mas foi projetada para 2017 em um crescimento de 0,86%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 6,93% este ano.
Barbosa aponta para medidas
Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que anunciará ainda em janeiro medidas como a utilização de bancos públicos e do FGTS em linhas de crédito para construção civil e pequenas e médias empresas. Segundo ele "governo vai usar recursos disponíveis no Banco do Brasil, no BNDES, na Caixa e no FGTS para "expandir crédito em atividades prioritárias, como habitação, saneamento e capital de giro de pequena e média empresa". Para reativar economia, BNDES, BB e Caixa podem usar quase R$ 50 bilhões de devolução das 'pedaladas' fiscais.
Ainda no radar, o governo debate o uso de parte das reservas internacionais, atualmente em US$ 369 bilhões, para abater a dívida bruta do país, o que acreditam que melhoraria a situação fiscal e ajudaria a baixar os juros, sem aumentar a inflação. A ideia agrada o Planalto, e o movimento deveria ocorrer quando a economia der sinais de melhora.
Estatal 'esquecida' na Bolsa dispara até 300% após rumor sobre fusão; mas dá para se animar?
Por Paula Barra - Uma ação que parecia esquecida na Bolsa, depois de sair de cerca de R$ 30,00 em fevereiro de 2010 para R$ 0,56 ontem (queda de 98%), voltou ao holofote do mercado nesta segunda-feira (11).
Os papéis da estatal Telebras (TELB4), que não ultrapassavam o patamar de R$ 1,00 desde agosto do ano passado (sendo considerado uma "penny stock"), chegaram a disparar impressionantes 300% nesta sessão, a R$ 2,24, mas amenizavam a alta próximo ao final do pregão. Às 17h46 (horário de Brasília), as ações subiam 187%, a R$ 1,61.
Mas não foi apenas a variação que chamou atenção, o papel, que movimentava, em média, R$ 10,6 mil por dia na Bolsa, encerrou a sessão com giro financeiro de R$ 2,46 milhões - cerca de 230 vezes acima da média diária dos últimos 21 pregões.
Por trás da disparada, há uma notícia da Folha de S. Paulo de que o governo federal estuda fusão entre a Telebras, Serpro e Dataprev para criar uma megaestatal de tecnologia da informação e comunicação, com objetivo de centralizar tanto seus passivos (dívidas e obrigações quanto seus serviços).
A 'megaestatal'
Se o projeto andar, a nova estatal nasceria com um capital superior a R$ 5 bilhões e com 7.000 empregados, contra uma Telebras que atualmente vale R$ 254,3 milhões na Bovespa (segundo cotação de sexta-feira).
"Não justifica hoje você ter três empresas com mais ou menos o mesmo padrão e não ter uma unidade. Ao invés de ficar as três se degladiando, elas precisam unir suas operações, ainda mais em um momento em que se vê a necessidade de corte de custos", disse Guilherme Canaan, ex-conselheiro da Telebras, entre 2012 e 2013, ao InfoMoney.
Procurado pelo InfoMoney, o departamento de Relações com Investidores da Telebras disse que responderia somente amanhã à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) questionamento sobre os rumores e as oscilações das ações.
O estudo, realizado pelo Ministério do Planejamento, foi entregue no final de 2015 aos presidentes das companhias, que ainda o consideram preliminar. Amanhã, os presidentes das três companhias vão se reunir na sede da Dataprev, em Brasília, para discutir novas parcerias e integração de serviços.
Por que tanta euforia?
Segundo Canaan, uma operação como essa seria "excelente" para a Telebras, que estaria antecipando recebíveis consideráveis com essa fusão. A companhia é a única das três estataisque não registra lucros consistentes hoje em dia, assim como faturamento. Dataprev e Serpro somaram R$ 3 bilhões em faturamento em 2014.
"Hoje, há um clamor maior para a fusão, contra a época em que o estudo foi realizado peloMinistério do Planejamento (final de 2015), e, por isso, faz tanto barulho nos papéis. A Dataprev percebeu que, com o tempo, não terá caixa suficiente para realizar seus investimentos, contra uma concorrente (Telebras) que virá com uma estrutura pesada", comenta Canaan. A Telebras não tem faturamento, mas tem o mais importante que é a fibra ótica e já apresentou cronograma de fluxo de caixa. "É questão de tempo para que saía essa operação, mas tem que lembrar que no âmbito das estatais as coisas andam a passos lentos", frisou.
Para ele, é uma "necessidade" essas três empresas se fundirem para criar um grande player nacional, dado que hoje as telecoms estão dadas nas mãos dos estrangeiros, com exceção da Oi, mas que não tem capacidade de investimento. "A ação é tecnicamente quebrada, eles estão vendendo o almoço para pagar a janta", disse.
Apesar da inicial euforia do mercado, o analista Flávio Conde, da Whatscall Consultoria, ressaltou que é importante não se empolgar com movimentos como esse, ainda mais de uma ação que vem de forte desvalorização na Bolsa, como a Telebras. "Vira e mexe surgem boatos da empresa, mas que não levam a um movimento consistente na Bolsa. A empresanão vale nada. Se subir 100%, 200% em um dia, isso não quer dizer muita coisa", comentou. Dado o histórico da ação, Conde reforça: "eu ficaria fora dessa ação".
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