Ibovespa afunda 2,5% e volta aos 61.750 pontos, com STF, petróleo e Trump

Índice fecha na mínima do dia, pressionado pelos preços do petróleo no mercado internacional, que levaram abaixo as ações da Petrobras; dólar comercial caiu 0,16% e fechou a R$ 3,24 na venda; o mercado ficou de olho para o julgamento no STF, no qual seis, dos oito ministros presentes no plenário, votaram para que réus não possam fazer parte da linha sucessória da Presidência da República

Movimentacao na Bovespa.Dola fecha o dia em queda nesta quinta-feira na casa dos R$1.81.Sao Paulo/SP, Brasil. 06/10/2011. Foto: Anderson Barbosa / Fotoarena
Movimentacao na Bovespa.Dola fecha o dia em queda nesta quinta-feira na casa dos R$1.81.Sao Paulo/SP, Brasil. 06/10/2011. Foto: Anderson Barbosa / Fotoarena (Foto: Valter Lima)


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Infomoney - O Ibovespa ampliou queda nesta quinta-feira (3), entre julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), temor por Donald Trump e queda dos preços do petróleo, que puxaram as ações da Petrobras para desvalorização de 4% nesta sessão. O índice encerrou em queda de 2,49%, a 61.750 pontos, na mínima do dia. Do ponto máxima deste pregão, o índice mergulhou 1.700 pontos. O volume financeiro movimentado hoje foi de R$ 8,8 bilhões. No mercado de commodities, o petróleo Brent caiu 1%, a US$ 46,39 o barril, enquanto o WTI recuou 1,5%, a US$ 44,66 o barril. Por outro lado, o dólar encerrou em leve queda, entre ajuste ao dia anterior, quando era feriado no Brasil, e incertezas sobre as eleições americanas. O dólar comercial caiu 0,16%, a R$ 3,2345 na compra e R$ 3,2360 na venda.

Nos destaques locais, o mercado ficou de olho para o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal). Seis, dos oito ministros presentes no plenário do STF, votaram para que réus não possam fazer parte da linha sucessória da Presidência da República. A sessão, no entanto, foi paralisada após pedido de vista do ministro Dias Toffoli e a decisão final do julgamento não será conhecida nesta quinta-feira. Segundo analistas consultados pela Bloomberg, o julgamento que pode afetar o mandato de Renan Calheiros é monitorado de perto por agentes do mercado e traz cautela. A possibilidade de saída de Renan do cargo de presidente do Senado comprometeria um pouco do ajuste fiscal.

Trouxe alívio aos investidores mais cedo a pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na noite de ontem, que mostrou a democrata na frente de Donald Trump por uma vantagem de seis pontos percentuais, mesma diferença registrada de antes do FBI reabrir as investigações em relação aos e-mails de Hillary Clinton. O levantamento mais favorável à candidata do partido Democrata vem após um susto com outra pesquisa mostrando Trump na liderança.

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Na avaliação de Pablo Spyer, diretor da mesa de trade da Mirae Asset Wealth Management, a nova pesquisa tem impactos maiores sobre o mercado de câmbio, com o dólar chegando a ter queda de 0,4% mais cedo, mas amenizando as perdas durante a tarde. Vale ressaltar que o suspense sobre as eleições americanas continua. A última atualização do Site 538 mostra que as chances de vitória de Hillary são de 67,6%, contra 32,3% de Trump. Em 16 de outubro, a probabilidade Hillary era de 88,1%, contra 11,9% de Trump.

Ainda no cenário internacional chamou atenção a disparada na libra esterlina após a Justiça britânica decidir que cabe ao parlamento do país, e não ao governo, dar início ao "Brexit". A decisão não é definitiva e o governo já informou que vai apelar à Suprema Corte. Para Spyer, a notícia aponta que pode haver dificuldades para a saída do Reino Unido da União Europeia, o que está sendo precificado no mercado.

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Ainda no Reino Unido, o Bank of England elevou suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 0,8% para 1,4% e da inflação da região de 2% para 2,7% em 2017, mas manteve os juros nos patamares mais baixos de sua história, em 0,25%. Provocou surpresa nos mercados a mudança de perspectiva da autoridade monetária britânica, que reduziu as chances de corte nos juros e indicou que o "Brexit" poderá pesar menos que o esperado sobre a economia local no próximo ano.

Na Ásia, o japonês Nikkei ficou fechado por conta de um feriado, enquanto as bolsas chinesas fecharam em leve alta. Destaque para os dados de setor de serviços da China, que cresceu no ritmo mais forte em quatro meses em outubro. O PMI de serviços do Caixin/Markit subiu para 52,4 em outubro contra 52,0 em setembro, registrando o patamar mais forte desde junho. Leitura acima de 50 indica expansão da atividade.

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Destaques da Bolsa
Os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 17,17, -4,24%; PETR4, R$ 16,13, -4,33%) acompanharam o dia de aversão ao risco, além de repercutir os preços do petróleo, que caíram forte seguindo o desempenho da véspera, com os estoques nos EUA acima do esperado. No radar da estatal, o Tribunal Federal de Apelações de Nova York para o Segundo Circuito não deu um prazo determinado para decidir sobre os rumos de uma bilionária ação coletiva aberta por investidores dos Estados Unidos contra a Petrobras. Ontem foi realizada a primeira audiência do caso, e a empresa brasileira argumentou que é difícil determinar o tamanho do grupo de aplicadores em papéis e bônus da companhia no mercado norte-americano.

A audiência durou 50 minutos e foi realizada em uma sala lotada, com vários presentes tendo de ser acomodados em outra sala, acompanhando por um vídeo. A Petrobras foi a última de seis audiências marcadas para a manhã de ontem na Corte. Três juízes ouviram os advogados da Petrobras, dos bancos que cuidaram da emissão de papéis da empresa no mercado internacional e do representante dos fundos que processam a empresa brasileira, acusada de divulgar informações “falsas e enganosas” sobre a corrupção na empresa investigada pela Operação Lava Jato.

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Ainda no radar da estatal, uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) determinou a suspensão da rescisão do contrato de afretamento da sonda Vitória 10.000, entre a Schahin e a Petrobras.

Já entre os bancos, o Santander rebaixou a recomendação para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,45, -2,15%) de compra para manutenção, introduzindo um novo preço-alvo para 2017 de R$ 44,00, ante R$ 30,00 em 2016. "Dado o forte desempenho das ações no último ano (26% acima do Ibovespa), vemos uma valorização limitada dos níveis atuais. Acreditamos que o potencial do banco em implementar iniciativas para reduzir o capital (maior pagamento de dividendos, recompra de ações agressivas, fusões e aquisições) são fundamentais e precisam ser cuidadosamente monitorados, já que podem impulsionar uma alta adicional caso se concretizem", observam os analistas. No setor, no entanto, a ação que mais caiu foi do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,61, -4,76%)

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A Vale também teve sessão volátil: as ações iniciaram o pregão em queda, acompanhando o movimento dos ADRs, mas viraram para alta e voltaram a cair durante esta tarde. Hoje, o minério de ferro negociado em Qingdao fechou em leve alta de 0,23%, a US$ 65,46 a tonelada métrica. No radar da empresa, o presidente-executivo Murilo Ferreira, disse na quarta-feira que a mineradora está tentando reduzir sua dívida para entre 15 bilhões e 17 bilhões de dólares até o final de 2017, uma pequena revisão da previsão anterior.

Assim como o resto da indústria de mineração, a Vale foi duramente atingida por um colapso dos preços das commodities no ano passado, mas o impacto foi ampliado pelo rompimento de uma barragem no Brasil, parte do empreendimento Samarco que opera em conjunto com a BHP Billiton. Em outubro, a Vale informou um lucro no terceiro trimestre e queda da sua dívida líquida em 1,5 bilhão ante o segundo trimestre, para 25,97 bilhões de dólares, enquanto a projeção da companhia apontava uma redução da dívida líquida para 15 bilhões de dólares em meados de 2017, principalmente por meio de vendas de ativos.

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Nenhuma ação que compõe o Índice Bovespa fechou em alta

Desempenho dos ADRs na véspera

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Mesmo em um dia mais tranquilo no exterior, a Bovespa volta do feriado em tendência de maior queda, visto que a quarta-feira foi bastante negativa para os ADRs (American Depositary Receipts) nacionais, com destaque para a baixa superior a 3% dos papéis da Petrobras, em meio à baixa do petróleo com os dados de estoque da commodity dos EUA muito acima do esperado. O índice Brazil Titans 20 fechou em queda ontem de 1,67%.

Os ADRs da Vale (VALE3; VALE5) também registraram baixa, de 2,54%, a US$ 6,72, em um dia de estabilidade para o preço do minério de ferro; já os papéis das siderúrgicas CSN (CSNA3, US$ 3,05, -3,33%) e Gerdau (GGBR4, US$ 3,12, -3,25%) registraram baixa mais expressiva. Confira mais clicando aqui. A última quarta-feira também teve como destaque a reunião do Fomc, que manteve os juros entre 0,25% e 0,5%, mas indicou que a chance de alta de juros aumentou. Após a reunião, as apostas no mercado apontam 78% de chance de alta dos juros no mês que vem.

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