Hiato da Selic?
Esperava sinceramente a manutenção da taxa básica de juros, fato este que teria mais coerência com a política adotada em outras reuniões
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Durante esta semana o Banco Central alterou novamente a taxa de juros da economia brasileira. Houve um aumento na taxa básica.
Muitos esperavam a alteração, mas poucos apostavam numa alta tão firme como a adotada. Porém, dentro desta percepção, começa-se a especular sobre os números que a economia apresentou e sobre o tempo de reação do lado real da economia frente aos modelos de tomada de decisão como premissas.
Se de um lado o governo estava temeroso quanto à inflação e teve sua atitude pautada neste horizonte de planejamento, os números da atividade econômica paradoxalmente começam a demonstrar um enfraquecimento do consumo e um crescimento da economia abaixo do nível ideal.
A alta do PIB veio abaixo do que todos esperavam, refletindo uma temperatura econômica muito abaixo do que estimávamos, porém, a baixa no nível de crescimento da economia não representou uma queda significativa na taxa de inflação.
Ou seja, o pior dos cenários começa a se conjecturar, tendo baixo crescimento e alta inflação. Dúvidas sobre o tempo de ação e ração na economia brasileira começam a assolar nossas mentes. Como o governo espera estimular o crescimento econômico subindo ainda mais os juros? De outro lado, como segurar a inflação que está aquecida frente um cenário em que o consumo arrefece?
A equipe econômica do governo abre um racha interno sobre o caminho a seguir. Todos sabem que a chancela da política econômica é ligada diretamente a presidenta, mas há auxiliares diretamente ligados a sua base de confiança. Além disso, o governo demonstra muito mais ligado a sua contabilidade criativa do que realmente cumprir as bases e metas da política econômica proposta.
Em recente artigo que li, o qual infelizmente não me recorda o nome do autor para que possa creditar o conhecimento adquirido, citou que temos valores oriundos da contabilidade criativa no patamar de um PIB da Finlândia, tamanho o descompromisso do governo com as premissas da contabilidade social e predileção pelo caminho mais curto.
Dentro deste prisma, temos um hiato temporal entre os efeitos dos planejadores econômicos e a realidade? Indaga-se se realmente era necessária uma nova alta na taxa de juros, que veio em contramão a todo o resto do mundo. Lá fora, em geral, há uma queda nos níveis de juros tentando estimular a economia.
O consumo precisa ser reacendido, sem contar a grande disputa ideológica em termos de limitação do estado que está em voga na Europa. Grécia, Portugal e Espanha estão sendo acusadas de abandonar suas funções sociais e deixar suas responsabilidades de Estado desaparecer. Pauta do próximo artigo, diga-se de passagem.
O retrato atual da economia do trabalho nacional é um modelo em que o emprego continua em alta, com alta formalização da renda, porém, o consumo parece ter chegado a um teto, o que não significa dizer que está em seu limite. Além disso, o endividamento das famílias e a rolagem das dívidas estão em um período de acomodação, o que significa dizer que, começa-se a haver uma restrição da base de crédito.
A inadimplência ainda permanece alta, mas não é fato primordial de minha preocupação pois ainda não há perdas de postos de trabalho e a renda continua com tendência altista. Os reajustes salariais, de forma geral, conseguiram repor as perdas inflacionárias do período. House ganho real de renda.
É importante destacar ainda que, conforme pesquisa publicada nos últimos dias, é fundamental para o crescimento brasileiro a inclusão de mais pessoas com curso superior na base de trabalhadores. Primeiro porque precisamos melhorar as qualificações de nosso estoque, e, ampliar a renda das pessoas. Conforme estudo publicado, o salário das pessoas com formação superior representa mais de três vezes o rendimento dos trabalhadores com ensino médio.
O cenário macroeconômico brasileiro mostra uma forte necessidade de ampliarmos as bases industriais, incrementar renda, potencializar a agroindústria e promover um salto qualitativo na prestação de serviços. Tais pontos são fundamentais para materializar os resultados da economia.
Espero na próxima semana um detalhamento da tomada de decisão do banco central. Esperava sinceramente a manutenção da taxa básica de juros, fato este que teria mais coerência com a política adotada em outras reuniões. Meu receio é que no meio do caminho tentem mudar o curso da política econômica, trazendo mais uma vez prejuízos a todos os participantes.
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