Guedes pede que Congresso aprove 19 medidas para “blindar” Brasil da crise

Em ofício enviado a Maia e Alcolumbre, ministro destoa de Bolsonaro e fala em "agravamento da crise internacional" devido ao novo coronavírus

Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes
Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)


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Infomoney - O ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou, na noite de terça-feira (10), um ofício aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pedindo a aceleração da agenda de reformas e a aprovação de 19 propostas prioritárias.

No documento, o ministro coloca as medidas como uma resposta ao “agravamento da crise internacional em função da disseminação do novo coronavírus e a necessidade de blindagem da economia brasileira”.

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Além das três PECs (Propostas de Emenda à Constituição) do chamado pacote Mais Brasil, apresentado em novembro, estão na lista projetos como o da autonomia do Banco Central, da privatização da Eletrobras e novos marcos legais do gás, do setor elétrico, saneamento básico, ferrovias e concessões. Também são lembradas as Medidas Provisórias da privatização da Casa da Moeda e do Emprego Verde Amarelo (veja lista abaixo).

“Trata-se de matérias infraconstitucionais que já estão em tramitação e que são extremamente relevantes para resguardar a economia do país, aumentar a segurança jurídica para os negócios e atrair investimentos”, diz Guedes no ofício.

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O ministro também cita a reforma administrativa, cujo envio foi prometido pelo governo há cerca de quatro meses, mas tem sido constantemente adiado. Já em relação à reforma tributária, que vem sendo discutida por deputados e senadores em uma comissão mista, Guedes diz que a equipe econômica “vem trabalhando para finalizar” suas contribuições a fim de construir um texto conciliatório entre as propostas das duas casas.

Existe uma preocupação no governo com as dificuldades de se avançar com a agenda econômica neste ano, sobretudo em função do calendário mais curto de atividades legislativas, uma vez que as atenções dos parlamentares no segundo semestre serão divididas com as eleições municipais.

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No caso das PECs, o risco de as discussões ficarem para o ano que vem é grande, já que essas matérias têm tramitação mais longa e complexa (exigem aprovação por maioria de 3/5 em dois turnos de votação no plenário de cada casa).

Mas alguns PLs também não têm tido vida fácil, como a própria privatização da Eletrobras, tema considerado polêmico pelos legisladores, sobretudo para a atual conjuntura.

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A ausência de uma base governista estruturada e de uma articulação política eficiente somam-se aos obstáculos, assim como a relação conflituosa entre os Poderes.

Eis a lista dos 19 projetos prioritários (além da reforma administrativa, que ainda aguarda envio):

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a) Em tramitação na Câmara dos Deputados:

  • Nova Lei do Gás (PL 6407/2013)
  • Plano de Equilíbrio Fiscal (PLP 149/2019)
  • Autonomia do Banco Central (PLP 200/1989)
  • Privatização da Eletrobras (PL 5877/2019)
  • Recuperação Judicial (PL 6229/2005)
  • Simplificação de Legislação de Câmbio (PL 5387/2019)
  • Governo Digital (PL 3443/2019)
  • Certificação Digital (PL 7316/2019)
  • Nova Lei de Finanças Públicas (PLP 295/2016)
  • Lei de Concessões (PL 7063/2017)

b) Em tramitação no Senado Federal:

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  • Marco Legal do Setor Elétrico (PLS 232/2016)
  • Novo Marco Legal de Ferrovias (PLS 261/2018)
  • Marco Legal do Saneamento Básico (PL 3261/2019)
  • Alteração do Regime de Partilha (PL 3178/2019)

c) Em tramitação no Congresso Nacional:

  • MP da Casa da Moeda (MP 902/2019)
  • MP Emprego Verde Amarelo (MP 905/2019)

d) Reformas estruturais:

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  • Pacto Federativo (PEC 188/2019)
  • Fundos Públicos (PEC 197/2019)
  • Emergencial (PEC 186/2019)

“O esforço para a aprovação, neste semestre, das matérias listadas acima tem a capacidade de proteger o Brasil da crise externa. A equipe econômica monitora atentamente a evolução dos cenários internacional e doméstico. Com a continuidade de reformas estruturais que o país precisa, será possível recuperar espaço fiscal suficiente para a concessão de outros estímulos à economia”, afirmou Guedes no ofício.

O tom do ministro contrasta com discurso proferido mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que minimizou os impactos do coronavírus e a crise recente que se instalou nos mercados. Na manhã de terça, o mandatário disse que se fala muita “fantasia” sobre a doença e que seu impacto “não é isso tudo que a grande mídia propaga”.

“Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as Bolsas que começam a abrir hoje já começam com sinais de recuperação”, afirmou o presidente em evento em Miami, durante sua viagem oficial aos Estados Unidos.

Juntamente com o ofício das pautas prioritárias, Guedes encaminhou aos presidentes das duas casas legislativas um anexo com 33 proposições em tramitação na Câmara dos Deputados e 15 no Senado Federal e o caminho que cada matéria terá de seguir na casa em que hoje se encontra.

Clique aqui para acessar a lista completa.

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