Guedes culpa "barulho político" por alta do dólar e diz que moeda deveria estar em até R$4,20

O dólar fechou esta terça-feira em alta de 0,68%, a R$ 5,25. A alta da moeda norte-americana aprofunda a inflação no Brasil

Dólar e o ministro da Economia, Paulo Guedes
Dólar e o ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Reuters | Wilson Dias/Agência Brasil)


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Por Marcela Ayres (Reuters) - O câmbio de equilíbrio deveria estar hoje entre 3,80 reais e 4,20 reais, avaliou nesta terça-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, ressalvando que o barulho político não deixa a moeda norte-americana cair.

Enquanto isso não acontece, não há problema porque as exportações acabam se beneficiando, indicou ele, ao participar do evento MacroDay 2021, promovido pelo banco BTG Pactual.

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"Estamos indo para meio trilhão (de dólares) de corrente de comércio com o mundo, isso nunca aconteceu antes. Cem bilhões de dólares na balança comercial, isso nunca aconteceu antes", disse.

"Esse dólar já era para estar descendo, mas o barulho político não deixa descer. Não tem problema. É mais tempo para as exportações", afirmou.

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O dólar fechou esta terça-feira em alta de 0,68%, a 5,2589 reais, mais de 1 real acima do patamar máximo de equilíbrio indicado pelo ministro. A alta da moeda norte-americana é um dos fatores que tem contribuído para o forte avanço da inflação no país, encarecendo produtos cotados segundo seu preço internacional, como combustíveis.

Sobre a questão política, Guedes voltou a expressar confiança na democracia e nas instituições brasileiras, pontuando que há excessos, mas numa realidade em que os agentes --incluindo o presidente Jair Bolsonaro-- não extrapolam limites.

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"O Brasil é uma democracia resiliente, robusta, sofisticada. Os atores cometem os excessos, às vezes o presidente sai do cercado, às vezes um ministro do Supremo prende pessoas, toda hora tem um que pula fora da cerca e dá um passeio no lado selvagem", disse.

"O que acontece rapidamente? As instituições se aperfeiçoam e convidam o cidadão a voltar para o cercadinho", completou.

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Precatórios

O ministro também defendeu que a ideia de limitar o crescimento dos precatórios à regra do teto abriria caminho para o governo fazer um Bolsa Família como estava planejado antes, com benefício de 300 reais, indicando que esta é a "prioridade zero" no momento.

"Então estamos lutando por isso", afirmou Guedes em referência à chamada solução CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

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Hoje, o benefício médio do programa de transferência de renda é de cerca de 190 reais.

Guedes indicou que o governo irá se empenhar tanto no avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, que prevê o parcelamento do pagamento pela União das derrotas judiciais sofridas em definitivo na Justiça, como na solução CNJ.

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Alinhavada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), esta saída limita o pagamento dos precatórios num ano pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos. Com isso, essa conta passaria a crescer somente pela inflação medida pelo IPCA nos 12 meses até junho do ano anterior. O montante que excedesse o limite de pagamento em precatórios num ano seria diferido para o exercício seguinte, criando uma espécie de fila para o recebimento dos valores, sendo que a prioridade seria dada pela ordem de chegada.

"A prioridade zero é Bolsa Família 300 reais, presidente já disse 300 reais, dentro do teto, com responsabilidade fiscal", afirmou Guedes.

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"Vamos trabalhar pela via do Judiciário, pela via do Legislativo, quem chegar primeiro ganha a taça de 'estou ajudando o Brasil", completou ele.

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