Graça acirra oposição com gestão dúbia
Compromissada em exercer uma gestão de "continuidade", presidente da Petrobras disse na Câmara, meses depois de sua posse, que "houve forte intervenção política e partidária" dentro da estatal no período anterior ao seu; agora, Graça Foster será novamente chamada à Câmara, para explicar compra, por US$ 1,2 bilhão, de refinaria nos Estados Unidos que valia US$ 42 milhões em 2006; se deu na gestão do antecessor José Sérgio Gabrielli; mais munição para o presidenciável tucano Aécio Neves e a oposição?
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247 – A oposição está encontrando na Petrobras um verdadeiro paiol de munições contra o governo Dilma, mas quem abriu os cadeados para a entrada das tropas do PSDB, do DEM e até do PEN – Partido Ecológico Nacional -, olhando em retrospectiva, foi mesmo a presidente da estatal. Em setembro do ano passado, como se desse a senha para o ataque adversário, Graça Foster disse na Comissão de Fiscalização Financeira e de Minas e Emergia da Câmara que "no último período, houve uma forte intervenção política e partidária com interesses outros que não os específicos da Petrobras como uma companhia estratégica para o desenvolvimento do País". Ela se referia à gestão do presidente anterior, José Sérgio Gabrielli, atual secretário de Planejamento da Bahia. A partir daquele instante, as críticas à gestão da Petrobras, que já eram muitas, se acentuaram. No mesmo depoimento, Graça negou que o Brasil fora, em qualquer momento, autossuficiente na produção de petróleo, contrariando afirmação feita antes, com festa, pelo então presidente Lula.
Em pronunciamento recente, o presidenciável tucano Aécio Neves (MG) passou a chamar a Petrobras de PTbras, ganhando mais um mote para sua campanha.
Agora, outra vez Graça deverá voltar a ser ouvida na Câmara dos Deputados. Desta feita, em sessão conjunta das comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, de Indústria e Comércio e de Minas e Energia. Requerimento pela presença da presidente da estatal, feito pelos deputados Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Fernando Francischini (PEN-PR), foi aprovado. Os dois também entraram com um mandado de segurança com pedido de liminar no Superior Tribunal de Justiça para que a Petrobras não decrete sigilo de informação sobre a transação comercial da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que custou US$ 1,18 bilhão à empresa. Sete anos antes, a ex-sócia belga da companhia na refinaria, a Transcor/Astra, havia pago US$ 42,5 milhões pela refinaria. A oposição julga não ter recebido, ainda, explicação a contento para a multiplicação do valor. Os tucanos incluiram no requerimento, para também ser ouvido, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, atual secretário de Planejamento do Estado da Bahia.
Amiga pessoal da presidente Dilma Rousseff, Graça assumu a Petrobras em fevereiro do ano passado. Ela anunciou que faria uma gestão de "continuidade", elogiou o perfil técnico dos diretores da estatal e quase foi ás lágrimas quando agradeceu a Lula o apoio dado à sua carreira na estatal. Dois meses depois, demitiu o então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que era visto como indicado pelo PP. Costa declarou à agência Reuters, na ocasião, que não conhecia o motivo para a sua saída. Anualmente, um diretor da Petrobras chega a receber até R$ 1,6 milhão da estatal. Na mesma ocasião, Graça aceitou os pedidos de demissão dos diretores de Engenharia, Renato Duque, e da área Internacional, José Zelada. Ela própria, desde lá, acumula o comando da área Internacional.
É do exterior que vem boa parte dos problemas atuais da Petrobras. A compra bilionária da refinaria de Pasadena esta sob exame do Tribunal de Contas da União – e fortes críticas da oposição. Graça está diretamente ligada ao assunto, uma vez que assumiu a área Internacional. No final do ano passado, ela negou que a estatal já houvesse decidido vender o ativo.
No Plano de Negócios e Gestão da empresa, apresentado por Graça e sua diretoria para o período 2012-2016, estão previstos desinvestimenos de US$ 14,8 bilhões. Isso só será alcançado por meio da venda de ativos e de participações em diversos negócios no exterior. Até agora, porém, só se conseguiu viabilizar US$ 305 milhões com a alienação de uma fatia no bloco BS-4 para a OGX e da Edesur, distribuidora de energia da Argentina.
A maior dor de cabeça do momento é mesmo a refinaria de Passadena. Em 2006, a Petrobras comprou uma fatia de 50% na refinaria, por US$ 360 milhões. Em seguida, enfrentou alguns problemas judiciais com a Astra - empresa parceira no projeto - que possuía os 50% restantes. Em junho de 2012, a estatal encerrou as disputas com a Astra e pagou US$ 820 milhões para ficar com a outra metade de sua sócia. Com a aquisição, a estatal brasileira desembolsou quase US$ 1,2 bilhão pela unidade de refinamento nos Estados Unidos.
POSIÇÃO DE GABRIELLI
Romulo Faro, Bahia 247 - O secretário do Planejamento do Estado (Seplan) e pré-candidato ao Governo da Bahia, José Sérgio Gabrielli, insiste em fazer silêncio diante das inúmeras cobranças da oposição ao governo federal e das denúncias da mídia sobre a compra de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, que teria dado prejuízo bilionário à Petrobras.
A atual presidente da estatal, Maria das Graças Foster, terá de explicar a transação feita por Gabrielli aos deputados da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara. Mas Gabrielli, o responsável pela compra, insiste em ficar calado. Diz insistentemente (quando fala sobre o assunto) que quem reponde pela empresa é ela própria.
Em artigo publicado na Folha nesta segunda-feira (18), o senador e possível candidato a presidente da República pelo PSDB, Aécio Neves, faz duras críticas ao desempenho da Petrobras, inclusive se referindo à estatal como PTbras.
"O escândalo da compra por mais de US$ 1 bilhão de uma refinaria nos EUA, pouco tempo antes negociada por apenas US$ 42,5 milhões e que, hoje, só conseguiria ser vendida por cerca de US$ 100 milhões, lança graves suspeitas sobre a empresa", diz o tucano.
Sem citar nome, o senador levanta suspeita sobre Gabrielli. "Segundo o Ministério Público, é mais que um mau negócio. Afinal, quem propôs e quem autorizou tamanha temeridade?".
Procurado pelo Bahia 247, mais uma vez, Gabrielli não foi encontrado. Sua assessoria informou que "Ele está numa palestra fora" e que "não é possível dar uma resposta positiva ou negativa agora".
Enquanto isso, a oposição ao governo de Jaques Wagner, do PT, aproveita a sucessão de notícias negativas da gestão do petista. "Ele quebrou a Petrobras e veio quebrar a Bahia". Pérola foi lançada recentemente pelo deputado estadual Bruno Reis, do PRP. E é apenas uma das muitas.
Espaço está aberto para Gabrielli. Se ele quiser, é claro.
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