Governo fez do dólar um tabu desnecessário
O ponto de inflexão entre os governos Dilma e Lula foi a política cambial. Enquanto o ex-presidente trabalhou com um real mais forte, a equipe econômica de Dilma embarcou no discurso de que era necessário desvalorizar o câmbio para ajudar o setor exportador. O resultado foi mais inflação, sem maior crescimento. Uma correção é necessária, mas não há consenso. Ontem, enquanto Guido Mantega sinalizou uma mudança de rumos, Fernando Pimentel continuou falando no dólar a R$ 2 e o BC atuou na direção errada
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247 - Na segunda metade do segundo governo Lula, o real atingiu seu ápice de valorização. Cotado a R$ 1,60, despertou alarmes em setores que tradicionalmente fazem lobby pela desvalorização permanente da moeda brasileira e que repetiam o mesmo discurso: desindustrialização.
Naquele momento, no entanto, o Brasil crescia 7% ao ano, a indústria avançava a dois dígitos e o controle da inflação se dava com maior facilidade do que agora, uma vez que o dólar barato ajudava a segurar os preços. Ainda assim, o Brasil continuava produzindo fartos superávits no comércio internacional.
No entanto, com a queda de Henrique Meirelles, do Banco Central, houve uma leve inflexão na política econômica. Pelo lado positivo, o governo Dilma resolveu atacar em várias frentes o Custo Brasil, reduzindo juros, desonerando setores da economia e, mais recentemente, cortando as tarifas de energia.
A mudança desnecessária, no entanto, se deu na política cambial, onde o governo se deixou levar pelo lobby dos setores exportadores e permitiu uma forte desvalorização do real, que fez com que, nos dois primeiros anos do governo Dilma o dólar quase sempre estivesse cotado acima de R$ 2.
Tratada de forma quase dogmática, a política cambial não produziu os resultados almejados. A inflação se manteve mais próxima do teto da meta, os resultados da balança comercial pioraram e o crescimento foi anêmico, porque uma desvalorização quase sempre reduz o poder de compra da população.
Ontem, pela primeira vez, surgiram sinais de que o governo poderá mudar a situação. Uma fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na direção correta, alimentou um movimento especulativo. "O ideal é que não houvesse intervenção, mas isso é sonho. Agora, se houver de novo uma tendência especulativa, se o pessoal se animar: 'Vamos puxar esse câmbio para 1,85', aí estaremos de novo intervindo". No mesmo dia, no entanto, uma declaração do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, no jornal Valor Econômico, colocava o câmbio a R$ 2 quase como uma meta do governo.
Na sessão de ontem, do mercado, investidores começaram a puxar o dólar para o piso de R$ 1,85, sinalizado por Mantega, mas o BC interveio e trouxe a cotação novamente para perto de R$ 2. Foi um erro. No contexto atual, o que o Brasil mais precisa, neste momento, é de um real mais forte.
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