Globo já questiona rombo fiscal promovido por Temer

Depois de se engajar intensamente na campanha para a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, emite seus primeiros sinais de descontentamento com a farra fiscal que vem sendo promovida pelo interino Michel Temer; "Comprometer mais ainda o equilíbrio fiscal — como no trem da alegria dos reajustes do funcionalismo — é como queimar a ponte à frente da travessia. O problema se expressa nos números da meta fiscal. Os R$ 139 bilhões para 2017 ainda são muito elevados", diz editorial do Globo

Depois de se engajar intensamente na campanha para a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, emite seus primeiros sinais de descontentamento com a farra fiscal que vem sendo promovida pelo interino Michel Temer; "Comprometer mais ainda o equilíbrio fiscal — como no trem da alegria dos reajustes do funcionalismo — é como queimar a ponte à frente da travessia. O problema se expressa nos números da meta fiscal. Os R$ 139 bilhões para 2017 ainda são muito elevados", diz editorial do Globo
Depois de se engajar intensamente na campanha para a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o jornal O Globo, dos irmãos Marinho, emite seus primeiros sinais de descontentamento com a farra fiscal que vem sendo promovida pelo interino Michel Temer; "Comprometer mais ainda o equilíbrio fiscal — como no trem da alegria dos reajustes do funcionalismo — é como queimar a ponte à frente da travessia. O problema se expressa nos números da meta fiscal. Os R$ 139 bilhões para 2017 ainda são muito elevados", diz editorial do Globo (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – O grupo Globo de Comunicação, que foi um dos principais responsáveis pela ascensão de Michel Temer ao poder provisório, já demonstra impaciência com a farra fiscal que vem sendo promovida por ele, para tentar se manter no poder. Em editorial, O Globo cobra reformas e condena a gastança desenfreada:

Sem reformas, sinais de melhoria não persistirão

É sempre perigoso aplicar a assuntos complexos receitas simples do senso comum. Uma delas é que “tudo o que cai sobe”. Nem sempre, quando se trata do ambiente econômico.

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O economista e ministro Mário Henrique Simonsen costumava dizer que em economia não existe fundo do poço, porque, em algumas circunstâncias, ele desce junto. A depender da crise, o poço também afunda.

O exemplo do momento é a Venezuela, onde o delirante projeto bolivariano do “Socialismo do Século XXI” desorganizou de tal maneira o país que, mesmo tendo uma das maiores reservas mundiais de petróleo, ele naufraga numa crise humanitária de dimensões haitianas.

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Não se pode garantir, portanto, que, depois de dois anos de recessões históricas, acima de 3% anuais de queda de PIB, o Brasil está condenado a se recuperar de maneira firme a partir do final deste ano/início de 2017.

Sinais positivos existem — aqueles que sinalizariam a chegada ao “fundo poço”. Como já ocorreu várias vezes, a economia brasileira reage de forma rápida pelo setor externo, depois de grandes desvalorizações cambiais. Este ajuste impressiona, também auxiliado por um fato negativo: a recessão e seu efeito no corte de importações. O saldo positivo na balança comercial, no primeiro semestre, de US$ 23,6 bilhões, é recorde, por exemplo. Confirma-se, então, que, no front externo, não há mesmo o que temer.

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Mas esta não é uma crise no figurino brasileiro clássico. Não eclodiu porque a economia esgotou a capacidade de pagar compromissos externos. Ao contrário, tanto que há nas reservas mais de US$ 300 bilhões. O Brasil de Lula e Dilma quebrou foi em moeda nacional, com a irresponsável administração fiscal da presidente, motivo do pedido de seu impeachment.

Se no passado o governo precisava se tornar solvente em dólar, hoje ele necessita fazer o mesmo com relação ao real, à sua dívida interna, em marcha batida para atingir 80% do PIB. Para a economia brasileira, um dos últimos estágios em direção à insolvência na dívida interna.

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Não se sai desta turbulência viajando a Washington, Nova York ou Londres. Desta vez, a solução está com os próprios brasileiros: Executivo e Legislativo. Hoje, mais com este.

Estimativas feitas por departamentos de análises de instituições financeiras já apontam para novos ares. O Relatório Focus, do Banco Central, atualizado semanalmente com base nessas projeções, tem projetado algum crescimento do PIB em 2017.

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Mas expectativa positiva, por si só, não resolve. Ou seja, o governo interino de Michel Temer tem de encaminhar ao Congresso as reformas sem as quais o Brasil continuará no atoleiro: previdenciária, orçamentária a e na legislação trabalhista. Para começar.

Entende-se que o Planalto de Michel Temer transita sobre uma camada fina de gelo, porque ainda necessita que o impeachment de Dilma seja finalmente aprovado, o que se prevê para o final de agosto.

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Mas comprometer mais ainda o equilíbrio fiscal — como no trem da alegria dos reajustes do funcionalismo — é como queimar a ponte à frente da travessia. O problema se expressa nos números da meta fiscal. Os R$ 139 bilhões para 2017 ainda são muito elevados. Há vários aspectos da atual conjuntura econômica que apontam para a recuperação. Porém, sem as reformas, volta-se ao tempo dos “voos de galinha”.

 

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