FUP: Parente tenta dilapidar a Petrobras

Em entrevista concedida ao jornal “O Globo” nesta terça-feira, 14, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, mais uma vez deixou claro que seu papel não é recuperar a empresa e sim dilapida-la, como vem fazendo desde que assumiu a companhia pelas mãos de um governo golpista, diz editorial da Federação Única dos Petroleiros

27/07/2016- Brasília - Presidente da Petrobras, Pedro Parente, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto após encontro com o presidente interino Michel Temer (José Cruz/Agência Brasil)
27/07/2016- Brasília - Presidente da Petrobras, Pedro Parente, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto após encontro com o presidente interino Michel Temer (José Cruz/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)


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Da Federação Única dos Petroleiros – Em entrevista concedida ao jornal “O Globo” nesta terça-feira, 14, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, mais uma vez deixou claro que seu papel não é recuperar a empresa e sim dilapida-la, como vem fazendo desde que assumiu a companhia pelas mãos de um governo golpista.

Ao comentar os questionamentos do TCU, que colocam sob suspeita o seu feirão de ativos, ele afirmou que vender ativos não é uma escolha e sim “uma necessidade”, insistindo na falácia de que não há alternativas para a companhia. “Fizemos operações de alongamento do perfil da dívida. Trocamos dívida velha por dívida nova, mas isso não muda o tamanho da dívida”, declarou Parente, exacerbando, mais uma vez, sua obsessão em reduzir a dívida da Petrobrás, o que, é um grande mito.

“Na realidade, essa afirmação do presidente esconde uma estratégia extremamente rígida para lidar com o endividamento da companhia”, destaca a assessoria econômica da FUP, em nota técnica que se contrapõe às declarações de Pedro Parente. Até 2018, a Petrobras pretende reduzir em mais de 50% a sua relação dívida líquida/LTM EBITDA, que diz respeito aos lucros operacionais acumulados nos últimos 12 meses, antes dos juros, amortizações, impostos e depreciação, ou seja, recursos oriundos das atividades operacionais. Esse indicador, que em 2015 era de 5,3, passará para 2,5 no ano que vem, o que confirma a decisão deliberada dos gestores por vender ativos.

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“Além de uma perda expressiva de valor dos ativos num momento de discrepância entre vendedores e compradores no mercado de petróleo, é uma estratégia equivocada que ignora mudanças importantes do cenário macroeconômico que devem permitir um maior controle da relação dívida líquida/LTM EBITDA”, revelam os economistas que assessoram a FUP.

Para eles, essa “redução draconiana” imposta pelos gestores da Petrobrás força a venda de ativos operacionais, pois desconsidera completamente as mudanças do cenário atual. “Em primeiro lugar, com a queda da inflação, a política de repressão dos preços dos derivados não deve ocorrer. Em segundo lugar, a taxa de câmbio parece não ter espaço para uma nova desvalorização e os preços do petróleo, ao contrário dos últimos anos, devem apresentar um aumento gradual – estimativas apontam que devem se situar próximo a US$ 80 até 2020”, afirmam.

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Além disso, a gestão da Petrobrás não leva em conta os efeitos das perdas de caixa nos médio e longo prazos, em função da venda de ativos operacionais lucrativos e da redução de sua participação na exploração do Pré-Sal.

Ao contrário do que afirma Pedro Parente, não seria necessário vender ativos rentáveis para fazer caixa no curto prazo, se a meta da relação dívida líquida/EBITDA fosse alterada para 3,1 em 2018, em vez de 2,5, como revelam estudos recentes. Somam-se a isso, as reservas que a Petrobrás detém no Pré-Sal e que a colocam à frente de outras petroleiras do mundo, em termos de médio e longo prazos, uma vez que detém novas áreas produtoras competitivas que poderão gerar fluxos de caixa futuros.

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“A decisão de forte desalavancagem da Petrobrás parece ser uma necessidade não para resolver a situação financeira da companhia no longo prazo, mas para atender aos interesses estrangeiros no tabuleiro geopolítico do petróleo”, conclui o estudo da assessoria econômica da FUP.

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