Fundos soberanos
A crise já tocou no fundo e, se os fundos soberanos provocarem mais rupturas, os países emergentes precisarão adotar medidas que os coloquem não em rota de colisão, mas no caminho da solução
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A descapitalização das empresas nacionais é fato, enquanto as melhores são alvo de troca de controle pelo capital estrangeiro.
O capitalismo financeiro perverso espalha seu rastro e ameaça os países emergentes.
Há poucos dias se lançou a ideia de fundo soberano para os BRICS evitarem os maléficos efeitos dos países desenvolvidos que, para combater a ineficiência da regulação e o déficit fiscal, arremessam bilhões de dólares e recompram títulos considerados podres.
Enigmático papel que nos coube, e agora é chegada a hora da verdade, na medida em que estamos num crescimento muito baixo e as prerrogativas de mudança, a curto prazo, são pequenas.
O impacto dos fundos soberanos é muito fortalecido pelas políticas dos Bancos Centrais, os quais, a rigor, não poderiam intervir, mas agora ingressam nas economias para aparar as assimetrias deixadas pelos desgastes de países mais ricos e aqueles menos prósperos.
A marcha dos fatos compreende a instabilidade dos países latino-americanos, cuja política dos EUA, na plataforma de ambos os candidatos, pouco ou quase nada desenha em termos de parcerias e crescimento conjunto.
Esfumaçada a tentativa de alianças com novos países e superestimado o crescimento de outros, o Brasil mostra a tendência de tirar, dos erros do passado, as lições do presente e começar a investir mais pesado na produção, sem se esquecer do agronegócio.
No entanto, o principal aspecto ligado aos fundos é que não olham para as micro e pequenas empresas em dificuldade e nem se associam para capitalizá-las, preferindo as boas oportunidades daqueles negócios mais lucrativos.
O espetáculo assistido demonstra que muitas empresas nacionais não mais terão o caminho do progresso, diante da dificuldade na sucessão, no arranjo entre sócios e, mais de perto, por força de ofertas em moeda forte, as quais nos inclinam à máxima de abertura, inclusive para setores que, de alguma forma, revelam reserva de mercado.
Esse capital papel do fundo poderia ser muito bem aproveitado na infraestrutura e no desenvolvimento da logística, estamos na monoindústria do carro e as cidades estão abarrotadas de veículos, são horas e horas perdidas com poluição crescente e a qualidade da gasolina decrescente.
A retomada do crescimento depende de muitas variantes, a reunião do FMI não dissocia o poder de fogo dos países desenvolvidos de injetarem bilhões nas economias e, a troco de pesado esforço, obterem maior credibilidade de setores em crise.
A bolha gerada pela incerteza desses lançamentos atinge o coração das nações emergentes e, para tanto, as alternativas não são opcionais ou de livre escolha, pois que, no concerto geral, o capital mais forte domina e conquista a atividade produtiva e, ao mesmo tempo, espalha um clima de total desconfiança.
Ninguém duvida que precisaremos conviver com a incógnita e, rapidamente, mudar as nossas variantes, uma vez que as apostas no consumo e noutros setores sazonalizou a economia e nos distanciou do crescimento.
Em termos claros e concretos, um fundo dos países emergentes serviria de contrapeso para diluir os riscos das bolhas causadas pelas nações desenvolvidas quando resolvem, via Banco Central, ou fundos específicos, destinar recursos que acabam atingindo o cerne da economia dos BRICS.
Enquanto a Europa pedala, os americanos correm na direção de criação de empregos, as nações emergentes tentam dissolver as bolhas e romper com o marasmo do crescimento paralisante.
As estruturas atuais não permitem salto de qualidade, mas indicam que muitos pontos nebulosos estão sendo combatidos com pesados recursos, provenientes dos fundos soberanos.
Sem uma contrapartida ou eventual taxação desse mercado financeiro, nada se construirá em termos de nivelar as economias globais.
Em resumo, a mundialização da economia reflete uma estratificação de posições, as quais resolvem os problemas domésticos, porém, contaminam o quintal do vizinho.
E se o Brasil não lidar com o problema e souber avaliar mais e melhor os contornos dessa imersão no mercado global, mais tempo perderemos para o encontro de um termômetro de equilíbrio.
A crise já tocou no fundo e, se os fundos soberanos provocarem mais rupturas, os países emergentes precisarão adotar medidas que os coloquem não em rota de colisão, mas no caminho da solução de seus próprios problemas.
Carlos Henrique Abrão é magistrado em 2º Grau no Tribunal de Justiça de São Paulo
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