Fundador do Pactual distribui texto sobre calote da dívida interna

O banqueiro Luiz Cezar Fernandes, que foi um dos fundadores do banco Pactual, assim como Paulo Guedes, distribuiu artigo entre seus clientes nesta segunda-feira, em que prevê a renegociação da dívida brasileira; descalabro econômico fez o dólar disparar nesta segunda-feira

(Foto: EBC | Fotosneworg)


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247 - O banqueiro Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores do banco Pactual, distribuiu nesta segunda-feira (28), entre seus clientes, artigo publicado por ele em 2017 no qual alerta que o Brasil poderá decretar um calote em sua dívida pública. 

No texto, Fernandes diz que a dívida pública interna atingiria 100% do Produto Interno Bruto do País já na posse do próximo governo. "A situação será insustentável, gerando uma completa ingovernabilidade".

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"Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo. Caso contrário, teremos uma situação ainda mais grave que a vivida hoje pela Venezuela", acrescenta o banqueiro no texto de 2017. 

Nesta segunda-feira, a cautela de agentes do mercado com o descalabro fiscal do país fez o Ibovespa cair 2,41%, a 94.666,37 pontos, menor nível desde 26 de junho, quando fechou a 93.834,49 pontos. O volume financeiro da sessão somou 27,44 bilhões de reais. Já o dólar à vista fechou em alta de 1,46%, a 5,6351 reais na venda. É o maior patamar desde 20 de maio (5,6902 reais), período no qual a moeda vinha batendo sucessivos recordes.

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A dívida pública federal do Brasil subiu 1,56% em agosto sobre julho, a 4,412 trilhões de reais, divulgou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira. No mesmo período, a dívida pública mobiliária interna teve avanço de 1,35%, a 4,174 trilhões de reais.

Leia, abaixo, o artigo na íntegra:

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Aperte o bolso: o calote vem aí

Por Luiz Cezar Fernandes

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O próximo governo se sentirá seduzido, inevitavelmentel, por um calote na dívida pública

O crescimento da dívida pública interna atingirá 100% do Produto Interno Bruto – PIB do Brasil, já na posse do próximo governo. A situação será insustentável, gerando uma completa ingovernabilidade. 

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Os bancos, hoje cartelizados em 5 grandes organizações, têm diminuído assustadoramente os empréstimos ao setor privado e vêm aumentando, em proporção inversa, a aplicação em títulos da dívida pública. 

Os países que recentemente entraram em default, como a Grécia, não causaram grandes impactos internos, pois sua dívida era sobretudo externa e em grande parte pulverizada, inclusive em bancos centrais, fundos mútuos e de pensão. 

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O caso do Brasil é essencialmente diverso. Um default nossa dívida interna implicará na falência do sistema, atingindo de grandes bancos a pessoas físicas, passando por family offices e afins. Para evitarem uma corrida bancária, as grandes instituições bancárias terão, obrigatoriamente, que impedir seus clientes de efetuarem os saques de suas poupanças à vista ou a prazo. Caso contrário, teremos uma situação ainda mais grave que a vivida hoje pela Venezuela.

A sociedade brasileira ainda acha que o governo nunca deu e nunca dará um calote, mas a memória é curta. Na década de 80, o default foi disfarçado, pois títulos como os da Eletrobrás, do Instituto do Açúcar e Álcool – IAA e da Superintendência Nacional de Marinha Mercante - Sunamam, entre outros, restaram insolventes, criando as famosas ‘moedas podres’. 

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Ainda, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS, que deveria ser uma proteção ao trabalhador quando demitido, vem sendo sistematicamente confiscado ao dos últimos anos, sem qualquer contestação dos sindicatos. Sua remuneração equivale hoje a metade da taxa da caderneta de poupança, implicando, na prática, um confisco de mais de 50% de seu patrimônio nos últimos 15 anos. Mais recentemente ainda foi criado mais um confisco de 10% pelo Tesouro Nacional, aumentando para 50% o valor a ser recolhido em caso de demissões sem justa causa. 

Existem também outros confiscos que nem são percebidos. Um exemplo é o “CIDE”, que foi criado para a manutenção da malha viária, mas que não teve nenhum centavo de seus recursos aplicado nos seus propósitos originários. O Imposto Sobre Operações Financeiras - IOF - é outra aberração, que impediu o crescimento do mercado de dívidas privadas e tem auxiliado na altíssima concentração no setor bancário das dívidas privadas, que já superam o limite de 92% de todo o crédito no Brasil. 

Alheio às medidas governamentais, o mercado das “factorings”, hoje travestidas de Fundos de Direitos Creditórios - FIDCS , ocuparam a parte remanescente desse mercado. Agora, com o IOF, o Governo ataca mais uma vez o rendimento destes fundos, dificultando ainda mais o crescimento do mercado de crédito. 

Não há mais o que se tributar e o que se confiscar. Só restará o CALOTE ou a adoção das reformas – fiscal, previdenciária, etc. – já.

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