Funcionários dos Correios dizem que vão continuar na luta se houver perdas salariais no TST

"Não estamos brigando por aumento de salários e direitos, estamos brigando para manter o que nós conquistamos ao longo dos anos e que a empresa insiste em retirar", disse José Antônio da Conceição, presidente do Sindect-Santos. TST julgará a questão na próxima segunda-feira (21)

(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)


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Sputnik - Representantes dos funcionários em greve dos Correios disseram à Sputnik Brasil que lutarão "os dias que forem necessários" se não recuperarem direitos perdidos. TST julgará questão na segunda-feira (21).

Paralisados desde 17 de agosto, os funcionários reivindicam o retorno de cláusulas que constavam em acordo coletivo revogado no ano passado. Segundo o movimento, de 79 itens, apenas nove foram mantidos, com perda de benefícios e direitos como auxílio creche, indenização por morte, auxílio para pais com filhos especiais, licença maternidade de 180 dias, entre outros. 

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Além disso, os trabalhadores criticam mudanças na cobertura de saúde da categoria. Os funcionários precisam pagar 50% dos planos, enquanto a empresa arca com a outra metade.  

Após uma audiência de conciliação acabar sem acordo, julgamento sobre a greve foi marcado para 21 de setembro (segunda-feira) no Tribunal Superior do Trabalho, com previsão de início às 13h. 

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Em caso de resultado favorável, o movimento sinaliza que a greve pode ser interrompida após o julgamento. 

"Nossa expectativa é de que a gente saia vitorioso. Não teve negociação com a empresa, só nos restou esse julgamento. Não estamos brigando por aumento de salários e direitos, estamos brigando para manter o que nós conquistamos ao longo dos anos e que a empresa insiste em retirar", disse à Sputnik Brasil José Antônio da Conceição, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos na Baixada Santista, litoral Sul e Vale do Ribeira (Sindect-Santos). 

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'Greve vai continuar'

Por outro lado, caso a decisão do julgamento acarrete grandes perdas salariais para a categoria, a disposição dos funcionários é manter a paralisação. De acordo com Conceição, os trabalhadores não aceitarão a perda de cláusulas do acordo que dizem respeito "ao bolso do trabalhador". 

“Se forem cláusulas que não dizem respeito à parte financeira, que não vão mexer no bolso do trabalhador, acredito que os funcionários aceitem. Se forem cláusulas que tirem o poder aquisitivo dos trabalhadores, a greve vai continuar”, afirmou. 

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No ano passado, os funcionários dos Correios também fizeram greve e o TST decidiu que o acordo coletivo da categoria tinha validade por dois anos, até 2021. 

No entanto, a empresa alegou dificuldades econômicas e conseguiu revogar o acordo e alterar as regras de custeio dos planos de saúde por decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Levada à plenário, a liminar suspendendo a vigência do acordo foi mantida. 

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'Se for coerente', TST 'manterá decisão'

Para José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT), se o TST "for coerente, manterá a decisão que deu no ano passado". 

"Obviamente não estamos depositando todas as nossas fichas no TST. Sabemos como funciona. Mas, com o histórico, esperamos uma decisão que não seja decepcionante para os trabalhadores", disse à Sputnik Brasil. 

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Decepcionante, para Rivaldo, seria uma decisão "como a do Supremo", impondo a "vontade do governo Bolsonaro e do general Floriano Peixoto", presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). De acordo com o secretário-geral, se o acordo não tivesse perdido vigência, a categoria estaria trabalhando durante a pandemia. 

"Se vier algo dessa natureza, vamos fazer um enfrentamento bem maior. O que a gente está discutindo é a manutenção do que a gente tem hoje. Sabemos que no tribunal pode não manter tudo, tem que avaliar o que vão tirar, não dá para definir um limite de perdas. Já estamos perdendo muito sem reajuste e com a inflação de alimentos. Estamos lutando até o dia de hoje, de amanhã e nos dias que forem necessários", disse. 

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'Problema do governo é sanha de privatizar'

Rivaldo afirma ainda que, mesmo com a pandemia, a situação econômica dos Correios é boa e até melhorou, com aumento dos envios de entregas e encomendas. Segundo ele, o lucro atual da empresa é de cerca de R$ 614 milhões, o que daria "para manter direitos que temos há mais de 30 anos". 

"O problema do governo é a sanha de privatizar por privatizar, e deixar a empresa mais barata para atração de quem tem interesse na privatização", criticou o sindicalista. 

Os grevistas dizem ainda que, independentemente do resultado no TST, qualquer decisão para o futuro sairá após assembleia da categoria, que deve ser realizada já no dia seguinte ao julgamento. 

Correios: proposta dos sindicatos é 'imprudente'

Os Correios, por sua vez, afirmaram, por meio de nota, que a empresa "vêm  tentando negociar os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, em um esforço para fortalecer as finanças da empresa e preservar sua sustentabilidade". 

"Enquanto os sindicatos insistem em manter uma proposta imprudente, tendo em vista a crise atual, a empresa entende que não há margem para medidas incompatíveis com a situação econômica atual e vislumbra uma economia da ordem de R$ 800 milhões ao ano, apenas com o racionamento dos gastos com pessoal: o suficiente para recuperar, em três anos, o prejuízo de R$ 2,4 bilhões acumulados em gestões passadas", afirmou a estatal.

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