FT pega onda em fracasso de Eike para atacar Brasil
Jornal britânico produz longo e pessimista cenário para o Brasil a partir de comparação ao empresário Eike Batista; " alguns podem olhar a história exótica de Eike Batista e concluir: e daí? Mas sua história é, em muitos aspectos, um paralelo da ascensão e queda do Brasil. Além disso, como o Brasil é um arquétipo de mercado emergente, ela também conta uma fábula global. Ainda no ano passado Eike Batista era o sétimo homem mais rico do mundo, ostentando uma fortuna que tinha crescido para mais de US$ 30 bilhões durante os "anos incríveis" do governo de Lula. Na verdade, os dois homens eram lados diferentes da mesma moeda", diz
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247 - O jornal Financial Times compara, em longo artigo assinado por John Paul Rathbone, a ascensão e queda do empresário Eike Batista, "que pediu concordata após um default de US$ 6 bilhões" ao próprio Brasil, que "parece ter perdido o seu caminho, assim como muitos mercados emergentes também estão perdendo seu apelo diante da revolução do gás de xisto - que promete transformar os EUA e a zona do euro".
"Depois do maior colapso corporativo da América Latina, alguns podem olhar a história exótica de Eike Batista e concluir: e daí? Mas sua história é, em muitos aspectos, um paralelo da ascensão e queda do Brasil. Além disso, como o Brasil é um arquétipo de mercado emergente, ela também conta uma fábula global. Ainda no ano passado Eike Batista era o sétimo homem mais rico do mundo, ostentando uma fortuna que tinha crescido para mais de US$ 30 bilhões durante os "anos incríveis" do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, como é amplamente conhecido o carismático ex-presidente, governou entre 2002 e 2010, quando parecia que nada dava errado nem com o Brasil, nem com o empresário. Na verdade, os dois homens eram lados diferentes da mesma moeda", afirma.
Segundo o jornal britânico, "certamente, os anos dinâmicos do Brasil em meados da década passada terminaram". "Em 2012, a economia expandiu-se com a metade da taxa do Japão. As reservas fiscais que permitiram ao Brasil tratar a crise financeira global de 2009 como se fosse apenas uma "marolinha", na frase de Lula, estão esgotadas. O papel de locomotiva continental foi retomado, para grande desgosto de Brasília, pelas economias mais reformistas da Aliança do Pacífico - Chile, Colômbia, México e Peru", justifica.
E continua: "o potencial de investimento também está sendo deixado para trás, como visto na Petrobras, a companhia estatal de petróleo que levantou US$ 70 bilhões em 2010 na maior oferta pública de ações do mundo, mas que desde então registra queda de 37% no valor de suas ações. O Brasil hoje é um local que assusta os investidores em geral, como aconteceu depois do movimento do mercado em maio, quando milhões de dólares saíram do país acreditando que o Federal Reserve dos EUA estava prestes a aumentar juros".
O jornal cita ainda os protestos ocorridos em junho no país e diz que "após 11 anos no poder, e a probabilidade de mais quatro após a eleição do próximo ano, o Partido dos Trabalhadores de Lula também ficou estagnado e complacente". "As reformas estão sendo deixadas de lado", pontua.
E torce pelo fim dos governos petistas: "esta é uma trajetória deprimente. No entanto, é de todo ruim? A decepção pode, pelo menos, libertar o Brasil da prisão de seus muitos clichês (samba, praias, dinheiro, diversão!), dos quais Lula e Batista muitas vezes se aproveitaram e que o mundo comprou tão ansiosamente".
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