FMI revê dogma da austeridade e pede que países ricos gastem mais

No momento em que o Brasil abraça o discurso da austeridade fiscal a qualquer custo e tenta aprovar uma proposta que congela os gastos públicos por vinte anos, o Fundo Monetário Internacional dá uma guinada radical; de acordo com a diretora-geral Christine Lagarde, a demanda global está muito fraca e os países ricos deveriam gastar mais para estimular suas economias; e agora?

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FMI revê dogma da austeridade e pede que países ricos gastem mais (Foto: REUTERS/Mariana Bazo)


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247 - A diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou que recuperação da economia global está fraca e que medidas protecionistas podem piorar ainda mais esse cenário. Em declaração durante um evento ontem na Universidade Northwestern, em Chicago, ela ressaltou que a perspectiva geral de crescimento permanece desanimadora "especialmente para as economias avançadas". "Continuamos a enfrentar o problema de o crescimento estar muito baixo por muito tempo, beneficiando poucos", declarou.

O FMI vai realizar, na semana que vem, sua reunião anual, com a presença de líderes do mundo todo. Existe uma forte expectativa de que o fundo faça novas advertências para a necessidade de os países se abrirem para o comércio, e não adotarem medidas protecionistas.

"Restringir o comércio e limitar a abertura da economia certamente vai piorar a perspectiva de crescimento para o mundo e especialmente para os cidadãos mais desfavorecidos", alertou Lagarde.

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Segundo a diretora do FMI, uma outra medida que favoreceria o crescimento é a ação articulada de políticas fiscal e monetária com a promoção de investimentos. "Através de políticas monetária, fiscal e estrutural, de maneira coordenada, nós podemos tornar maior a soma das partes.

Ainda ontem, o Fundo Monetário Internacional divulgou um estudo sobre medidas de gerenciamento macroeconômico em espaço fiscal limitado.  O documento conclui que é necessária uma ação coordenada entre as maiores economias do mundo para garantir o efeito de contágio global das boas práticas.

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"A coordenação internacional de estímulos fiscais e monetários pode impulsionar o Produto Interno Bruto global", diz o documento assinado pelo economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, e outros altos representantes do órgão.

Para o FMI, alguns países  ainda têm espaço para estímulos fiscais, especialmente num ambiente de taxas de juros de longo prazo extremamente baixas. Outras nações, no entanto, estão com o espaço para manobras fiscais muito reduzido - caso das exportadoras de commodities. 

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O alerta de Lagarde coincide com o momento em que a campanha eleitoral americana flerta com medidas protecionistas e depois de os eleitores do Reino Unido terem votado para sair da União Europeia. Donald Trump, candidato republicano à Casa Branca, já afirmou que pretende rever tratados internacionais de comércio e o aumento das tarifas sobre produtos chineses, além de defender publicamente a construção de um muro na fronteira com o México.Candidata do partido Democrata, Hillary Clinton defendeu a revisão de acordo comerciais, como a TPP (Parceria Transpacífico).

BRASIL

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Lagarde afirmou ver sinais de recuperação no Brasil.

Ela situou o Brasil e a Rússia como países emergentes que estão dando indicativos de melhorias "após um período de contração severa".

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A diretora não informou números para o crescimento da economia brasileira. Isso só acontecerá na próxima semana, durante a reunião anual do FMI. No último relatório da instituição, que foi divulgado em 19 de julho, a projeção do país para 2016 foi de queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2017, a perspectiva era de crescimento de 0,5%.

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