FMI aponta perdas permanentes do PIB mundial com a pandemia, diz economista
Economista Otaviano Canuto destaca que o FMI alertou, em relatório, que a pandemia de Covid-19 irá deixar “marcas duradouras” no tocante à recuperação econômica global
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247 - O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que rebaixou a previsão de crescimento da economia mundial deste ano para 5,9%, divulgado na semana passada, também apontou que a pandemia de Covid-19 irá deixar “marcas duradouras”no tocante à recuperação econômica.
“Por exemplo, nos casos de emergentes asiáticos (excluindo China), África Subsaariana e América Latina e Caribe, os produtos internos brutos agora previstos pelo Fundo para 2024 deverão estar, respectivamente, 9%, 5% e 4,5% menores que aqueles projetados antes da pandemia, em janeiro do ano passado. Apenas Estados Unidos e emergentes da Europa Oriental aparecem com PIB maiores que antes”, destaca o economista Otaviano Canuto em sua coluna na Folha de S. Paulo.
Canuto destaca, ainda, que o documento “projeta que até 2024 haverá perda de empregos em relação a tendências de antes da pandemia maior entre emergentes e em desenvolvimento”. Para o economista, “há uma perda definitiva quando se comparam as trajetórias antes previstas e as efetivas com a pandemia. Mesmo que se supusesse hipoteticamente um exato retorno da economia ao ponto de partida prévio, retomando a partir daí a taxa de crescimento anterior à pandemia, todo o PIB não gerado durante a crise estaria permanentemente perdido”.
“Trata-se de situação diferente das crises associadas a ciclos industriais ou financeiros comuns na história porque, nesses casos, em geral terá ocorrido previamente algum período de crescimento acima do normal ou tendencial. Na pandemia só há o lado da perda”, completa. “A pandemia está deixando cicatrizes nos mercados de trabalho. Desemprego por tempo significativo leva à erosão de qualificações. A qualidade e a quantidade de horas na formação de capital humano também estão sendo negativamente impactadas”, diz ele mais à frente.
“A pandemia deixará outras cicatrizes, como abordado por Diggle e Bartholomew (2021). É preciso levar em conta que o suporte financeiro pelo setor público tornou possível a sobrevivência de empresas ‘zumbis’, ou seja, incapazes de gerar retornos e com dificuldade de cumprir serviços de dívida. O suporte via políticas públicas evitou a morte de empresas viáveis em condições normais, mas o efeito colateral de criar zumbis constitui, por seu lado, um entrave na realocação de recursos”, destaca.
Em relação à recuperação econômica, Canuto alerta para “o perigo de que políticas econômicas nacionais passem a privilegiar a prevenção contra riscos e retrocedam na integração produtiva através das fronteiras que marcou a globalização nas décadas anteriores à crise financeira global, já sujeita a pressões no sentido oposto desde então. A primazia da eficiência e da minimização de custos cederia espaço à segurança contra riscos de choques sobre a disponibilidade de importações. As rupturas no abastecimento que têm marcado o atual momento da recuperação da crise podem ser usadas como justificativa para tal”.
“Há também que se levar em conta como possível consequência positiva o reforço —aparentemente o caso em muitos países— do apoio político doméstico à busca do crescimento sustentável e inclusivo. Por enquanto, porém, ficam as perdas permanentes de PIB”, finaliza.
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