Fluxo de caixa pessoal
Várias pessoas estão buscando se reequilibrar nas finanças pessoais e veem na oferta de crédito novas e melhores linhas para realizar tal objetivo
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O volume de operações financeiras junto aos principais bancos está cada dia maior. Várias pessoas estão buscando se reequilibrar nas finanças pessoais e veem na oferta de crédito novas e melhores linhas para realizar tal objetivo.
A onda de taxas menores, ampliação da oferta e volume de recursos, além de um nível de informação maior, faz com que a população brasileira tenha mais conhecimento das operações de crédito à sua disposição.
Soma-se ainda a oferta crescente das modalidades de crédito, principalmente a implantação do consignado que hoje se apresenta de forma plena para seus tomadores, ganhando até mesmo concessões pelos lados dos governos estaduais e federais em suas operações.
Mesmo que isso não signifique dizer que estamos mais conscientes nos momentos de contratar uma linha de financiamento, é real e concreta a melhoria na forma de se captar recursos. Há burocracia, muito mais moderada do que quando comparamos a cinco anos, por exemplo.
A primeira observação a se fazer em termos gerais é a evolução da economia brasileira ao longo dos últimos anos e seus reflexos sobre o mercado de trabalho. A ampliação da formalização dos empregos a nível nacional garante, obviamente além do acesso aos direitos trabalhistas legais previstos na CLT, uma forma de acesso ao crédito disponível no mercado e também oferece maior consistência no recebimento de uma renda mensal.
Isso significa dizer que, de nada adiantaria termos apenas uma política de acesso ao crédito ao consumidor se não tivéssemos um crescente número de empregos formais, com renda comprovada e um horizonte de continuidade e confiança na manutenção dos empregos.
A população apenas se endivida e faz compromissos futuros com suas rendas, se sentir-se a vontade e confiante na manutenção do seu vínculo empregatício e, por conseguinte na manutenção de sua renda.
Assim, em posse de sua CTPS, o trabalhador busca em fontes de juros mais baixos (o que reitero dizer que não estamos ainda com empréstimo a juros satisfatórios, justos) formas de ampliar seu potencial de consumo, e apóia-se no seu fluxo (sempre na expectativa de ser crescente) de receitas.
Nesse momento, muitos brasileiros contrataram empréstimos, e tentando manter suas finanças equilibradas, conseguiram reequacionar sua planilha financeira.
Para aqueles que já possuem um fluxo de pagamentos negativos junto ao orçamento doméstico, a primeira medida é pontuar as maiores dívidas ou as maiores despesas mensais, equacionando suas reduções exatamente sobre o percentual em que se está extrapolando as receitas.
Exemplo: quando se apura o total das despesas e receitas, tem-se que as despesas estão 10% superiores as receitas. Assim, em posse de uma lista de valores de despesas, classifique-as das maiores despesas para as menores (despesas do mês a mês). Aplique agora uma redução de 10% em cada gasto. Este é o mínimo de redução a ser feita.
Neste momento, com um demonstrativo de suas despesas, observe o que poderá ser reduzido em mais de 10%, ou, aquilo que poderá ser cortado, e classificado como supérfluo.
Este é o primeiro passo do diagnóstico das finanças pessoais: tomar conhecimento de para onde nossos recursos estão se esvairindo. Mesmo que em valores pequenos, a lista decrescente dos gastos mensais deve passar por uma análise criteriosa.
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Pela ótica da receita, ou seja, dos ganhos que estão previstos no seu orçamento, observe se há alguma forma de melhorar, de ampliar os créditos. Como esta variável é mais difícil de ser realizada, pondere de forma consciente o que realmente pode ser feito.
Pondere as alternativas aos ganhos já aferidos. Chorar aumentos salariais sem motivo não resolvem o problema.
Quando o problema residir acima de um simples déficit ou superávit mensal, busque agora enumerar os valores das dívidas e os juros pagos mensalmente sobre o capital em débito.
O objetivo é mapear as maiores dívidas e os maiores juros, tentando negociar os maiores problemas, e dissolvendo os juros de forma mais consciente. Busque uma renegociação de dívidas, aproveitando as linhas de financiamento disponíveis no mercado para tentar voltar a operar de forma positiva.
A renegociação das dívidas não deverá ultrapassar uma margem de segurança na casa de 30% do orçamento, o que significa dizer que, as novas parcelas renegociadas não poderão comprometer mais que 30% do fluxo de pagamentos mensais.
A análise dos fluxos de caixa domésticos deve contemplar despesas eventuais, por menores que possam parecer, visto que seu montante ao final do período apurado será significativo e pode ser uma fonte de cortes de despesas.
Enfim, a correta manutenção dos controles sobre as despesas e receitas pode garantir uma tranqüilidade sem preço. A gestão financeira deve partir ainda de um principio: viver sob o padrão que se ganha, e não querer ganhar sob o padrão de vida que se quer. Não se decole da sua realidade financeira.
Antônio Teodoro é economista e professor
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