Fernando Brito: novo Proer é tão estranho quanto pegar um guarda-chuva em dia ensolarado

"Nada parece mais distante de justificar esta pressa – e consequente ausência de debate público – num ano em que os bancos tiveram, apenas nos nove primeiros meses, lucros de R$ R$ 60 bilhões, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2018, em valores corrigidos pela inflação", diz o editor do Tijolaço

Edificio sede do Banco Central do Brasil
Edificio sede do Banco Central do Brasil (Foto: Wilson Dias/Agencia Brasil)


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Por Fernando Brito, editor do Tijolaço – Muito esquisita a iniciativa do Banco Central de, no apagar das luzes de 2019, enviar ao Congresso um projeto de lei que, entre outras medidas, permite que recursos do Tesouro Nacional sejam usados na salvação de bancos em situação de insolvência.

Nada parece mais distante de justificar esta pressa – e consequente ausência de debate público – num ano em que os bancos tiveram, apenas nos nove primeiros meses, lucros de R$ R$ 60 bilhões, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2018, em valores corrigidos pela inflação.

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Nada menos que os maiores de sua história.

Nem vale a desculpa de que é preciso evitar prejuízos aos depositantes: já existe o Fundo Garantidor de Créditos, formado com 0,01% do valor dos depósitos bancários e que protege os saldos no valor de até R$ 250 mil, o que representa 99,7% das contas do sistema bancário.

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Embora o projeto mantenha o Fundo Garantidor como ferramenta para intervenções ou liquidações de bancos, abre espaço para que, sendo insuficientes, possa haver aporte de recursos públicos diretamente, durante os procedimentos de estabilização de instituições insolventes.

Tudo é tão estranho como ir em casa pegar um guarda chuva num dia ensolarado, sem um fiapo de nuvem no céu.

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