Ex-BC diz que Brasil deve usar reservas
Atual sócio da consultoria Macrométrica, Francisco Lopes, que em 2011 previa “uma inevitável correção para cima na cotação do dólar, com alta probabilidade de se transformar numa traumática parada súbita”, diz que Banco Central deve mostrar a especuladores quem manda. “Não pode ficar em uma posição de medo. Se ele ficar assim é atacado”, diz
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247 – Em 2011, o ex-presidente do Banco Central (BC) e atual sócio da consultoria Macrométrica, Francisco Lopes, já previa “uma inevitável correção para cima na cotação do dólar, com alta probabilidade de se transformar numa traumática parada súbita.
Em artigo intitulado "Sobre risco cambial, besouros e borboletas", ele disse que a pressão desse ajuste ia trazer de volta a inflação e exigir nova elevação da taxa Selic.
Lopes criticou ainda a forma de construção das reservas internacionais e apontou a formação de uma autêntica "bolha especulativa" nas reservas que poderia estourar entre 2013 e 2105 com graves consequências.
Dois anos depois, o economista diz ao Valor que o BC pode administrar o ajuste no câmbio, mas, para isso, tem de operar com determinação tanto no mercado à vista como no de derivativos.
"Todo mundo com experiência no mercado diz que se o BC quer defender a taxa de câmbio, não quer que ocorra movimentos descontrolados, ele tem de mostrar firmeza no mercado à vista. As operações de swap são tímidas. O Brasil está sofrendo uma ilusão achando que controla o câmbio só com swaps. Isso é muito arriscado", diz.
Para o economista, com o dólar rodando a R$ 2,40, ou buscando R$ 2,50 conforme algumas projeções, os impactos inflacionários serão muito dramáticos.
Nos cenários desenhados por ele, a inflação chega a picos de 8% em 2014, considerando um câmbio a R$ 2,50. Na casa de R$ 2,40, o IPCA para este ano iria a 5,95%, e subiria 7,21% em 2014.
"Não pode ter uma posição de que as reservas são sagradas. Tem reservas é para poder usar. O BC tem que mostrar que ele manda nesse mercado. Não pode ficar em uma posição de medo. Se ele ficar assim é atacado", diz.
"Perder US$ 100 bilhões de reservas, com isso você mata qualquer especulador e voltamos ao nível de reservas de 2010. Não tem problema algum", diz, questionando se o país precisa mesmo de US$ 370 bilhões em reservas "para sobreviver".
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