EUA fazem novo ataque comercial ao Brasil

Para evitar a imposição de sobretaxas sobre aço e alumínio do Brasil, os EUA querem uma reavaliação da cota sobre etanol norte-americano implementada pelo Brasil e o compromisso para que a China não faça triangulação de carregamentos de aço pelo território brasileiro para os EUA, disse o diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto; "É fato que os paradigmas de negociação comercial com os Estados Unidos mudaram", afirmou Zanotto

safra cana de açucar
safra cana de açucar (Foto: Paulo Emílio)


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Reuters - Para evitar a imposição de sobretaxas sobre aço e alumínio do Brasil, os Estados Unidos querem uma reavaliação da cota sobre etanol norte-americano implementada pelo governo de Michel Temer e o compromisso para que a China não faça triangulação de carregamentos de aço pelo território brasileiro para os EUA, disse à Reuters nesta quarta-feira o diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto.

"É fato que os paradigmas de negociação comercial com os Estados Unidos mudaram", afirmou Zanotto, explicando que as pré-condições colocadas pelos EUA servem apenas para iniciar a negociação de fato sobre as tarifas maiores nos metais.

Respeito à propriedade intelectual e à produção interna nos EUA, medidas contra triangulação de aço e questões de segurança nacional foram estabelecidos em reunião realizada na véspera, em Washington, como premissas da negociação com o Brasil por representantes do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, relatou Zanotto, que teve acesso às discussões.

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Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou que a reunião aconteceu, mas preferiu não comentar as discussões em curso.

Os EUA aproveitaram as conversas iniciais sobre aço e alumínio para debater a revisão de limites tarifários à importação do etanol imposta em setembro pelo Brasil, depois que a indústria local viu os preços do combustível desabarem no mercado interno em razão da disparada nas compras externas.

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Pela decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), as importações de etanol sem tarifa são limitadas a 150 milhões de litros por trimestre, ou 600 milhões de litros por ano, por um período de 24 meses. Acima desses volumes, há a incidência de taxa de 20 por cento e os Estados Unidos são grandes produtores de etanol.

Outro tópico que não está relacionado com o setor de aço e alumínio e interessa a Washington, segundo o diretor da Fiesp, é que a Anvisa realize uma investigação técnica sobre peixes importados do Alasca, similares a pescados asiáticos cuja importação foi proibida no ano passado no Brasil.

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Os Estados Unidos também questionaram a demora de Temer em sancionar o acordo de céus abertos com os EUA, aprovado pelo Congresso no ano passado.

REAÇÃO

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Outra fonte da diplomacia brasileira ouvida pela Reuters reagiu com cautela diante da lista de premissas dos EUA coloca ao Brasil, e ressaltou que o risco de triangulação é muito pequeno, já que a China fabrica produtos finais e o Brasil, insumos. A produção brasileira de aço complementa a norte-americana e há sintonia em segurança nacional e proteção à propriedade intelectual, acrescentou o diplomata.

Para Zanotto, a situação brasileira é relativamente confortável porque possui déficit comercial com os Estados Unidos e 80 por cento da pauta é composta por negociações entre unidades da mesma empresa. Além disso, os produtos siderúrgicos nacionais são usados como insumos por empresas norte-americanas que, para obter produtos similares, teriam de recorrer à China, Rússia e Irã.

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"O USTR (órgão responsável pelo comércio) quer resolver problemas de comércio e negociar uma cota 'duty free' para exportadores de aço", resumiu Zanotto.

Em caso de avanço positivo nas negociações comerciais, os EUA poderiam apoiar a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse Zanotto. Os EUA apoiavam o Peru, mas tendem a reavaliar o endosso após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski na semana passada.

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