Estratégias do governo

Mesmo que o panorama político ainda esteja apático, o governo Dilma precisa agilizar sua agenda de estratégias macroeconômicas



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Mesmo que o panorama político ainda esteja apático, com guerras e disputas internas motivadas principalmente por disputas eleitorais e ciúmes da base aliada, o governo federal sob o comando da Presidenta Dilma Rousseff precisa agilizar sua agenda de estratégias macroeconômicas.

Por mais contraditório que se possa parecer, mesmo com a aparente paralisia do Congresso, faz-se necessário que o governo aumento o ritmo dos trâmites ligados à sua estratégia de política macroeconômica.

Com um modelo iniciado desde a implantação do plano Real, a estratégia macroeconômica consistiu de forma resumida no controle inflacionário via credibilidade e confiança, apostando no cumprimento e aplicação das políticas de metas inflacionárias. O fortalecimento do Banco Central e um câmbio sujo também complementam as estratégias.

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Assim, parece que enfim o quadro histórico chancela o bom resultado deste primeiro capítulo. A estabilização é inquestionável e o governo aproveita de plena credibilidade institucional, mesmo que, reiteradamente, no campo da política ainda sofra com revezes morais e éticos.

Com isso, significa dizer que é chegada a hora de se desamarrar da "âncora do passado" estratégica e partir para novas formas de incremento produtivo e de condução econômica. Não significa dizer que devemos abandonar o regime de metas e toda a evolução na condução macroeconômica, e sim, escrever novos rumos, atualizar nossas ferramentas para um mundo mais dinâmico e integrado.

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E reside exatamente neste ponto, o atual problema do governo Dilma. Há dificuldade de seguir escrevendo os capítulos da condução econômica. Escrever com consciência e planejamento de longo prazo.

Afoitos, sem articulação econômica capaz de planejar um longo prazo viável e consistente, o governo vem apresentando ações paliativas e pontuais, que tentam estimular o crescimento do PIB via demanda doméstico e endividamento das famílias.

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Devo ressaltar que tais medidas produzem resultados positivos, e estão sendo importantes para a manutenção dos índices de crescimento, independente se altos ou baixos, estamos com uma economia aquecida, o que já é positivo frente ao cenário externo de paralisia e desgaste político.

Logo, mesmo que as reduções de IPIs para as diversas formas de consumo, redução da TJLP e estimulo para que os estados invistam na economia, parece muito pouco frente a importância de se implantar uma verdade política estratégica de agenda macroeconômica.

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Talvez, porque todo o lado macro, precisa pontualmente passar pelas reformas micro, que ainda não foram tão incisivamente discutidas pelas frentes do governo, e carecem de uma apreciação junto à sociedade e as classes empresariais.

O governo agiu bem pressionando para um novo patamar de juros, aproveitando-se dos resultados de mais de 15 anos de estabilidade econômica. Isso é louvável, porém, feito de forma isolada, produzirá apenas dívidas e um ciclo de expansão muito curto.

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Melhoria nos gastos de governo, redução de custeio da máquina pública e atenção a capilaridade federal são temas importantes da agenda de proposições que não pode ser esquecida. A moderação e a forma de intervir na economia também precisam ser ponderadas.

O indicativo de alteração das normas de pensões (morte), via Previdência Social, é um demonstrativo de como o governo vem atuando. Não se propõe nem se busca resolver o problema através de uma discussão mais complexa. Buscam-se apenas os atalhos e as correções, em doses homeopáticas, sem energia suficiente para estancar a sangria do desperdício, sem propor mudança, ruptura, salto qualitativo.

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Há necessidade de se escrever o próximo capítulo da política macroeconômica, mesmo que não se abandone as ferramentas utilizadas até hoje, mas demanda-se no mínimo uma modernização (atualização).

O setor industrial vem carecendo de um plano de desenvolvimento, muito além de estímulos pontuais e alteração de regimes tributários. O Plano Brasil Maior, que trouxe alento a todo o setor, mostrou-se fraco e ineficiente, condizendo novamente com a forma de se conduzir as demandas estratégias dos macro setores: idéias pontuais que não alterarão e externalizarão resultados para o todo da economia.

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A agricultura perdeu-se em queda agressiva de produtividade e eficiência, o que eleva o custo de produção, que, mesmo garantida por linhas vultosas de crédito rural, ainda não conseguiram devolver a sociedade em melhor qualidade produtiva que a 10 anos antes.

Acompanhando o desenvolvimento dos outros setores, os serviços sofrem com competitividade externa e principalmente na captação de mão de obra qualificada e de ponta, capaz de trabalhar e retornar melhores soluções internamente que empresas estrangeiras, que, sem uma barreira geográfica severa, conseguem deslocar suas propostas e prestações de serviço em todo o globo terrestre, restringindo as margens de manobra das empresas nacionais.

Enfim, mesmo que a presidenta em si demonstre vontade de apresentar um novo capítulo da estratégia macroeconômica, nota-se uma perda de energia vital no caminho e percalços que seu governo enfrenta, tendo alocações ineficientes e muita desarticulação. O resultado final mostra-se quase sempre fraco e paliativo.

Antônio Teodoro é economista e professor

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