Estrangeiros poderão ter fatia maior em aéreas

A presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória que permite que estrangeiros detenham até 49% das ações com direito a voto de companhias aéreas brasileiras, ante limite anterior de 20%; a MP, publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, condiciona a transferência das ações a estrangeiros à aprovação de autoridade aeronáutica

Brasília - Movimento no aeroporto de Brasília antes do feriado de Carnaval. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Movimento no aeroporto de Brasília antes do feriado de Carnaval. (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


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Por Priscila Jordão e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória que permite que estrangeiros detenham até 49 por cento das ações com direito a voto de companhias aéreas brasileiras, ante limite anterior de 20 por cento.

A MP, publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, condiciona a transferência das ações a estrangeiros à aprovação de autoridade aeronáutica. A Reuters havia antecipado a assinatura da MP pela presidente na terça-feira.

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A medida deverá ainda passar pelo Congresso para se transformar em lei.

Além disso, a MP definiu que fica extinto o Adicional de Tarifa Aeroportuária a partir de 1º de janeiro de 2017, data em que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) alterará os valores das tarifas aeroportuárias para incorporar o valor correspondente à extinção do adicional.

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A publicação da medida catapultava as ações de empresas afetadas. A Gol disparava mais de 18 por cento às 12h14. O papel não faz parte do Ibovespa, que subia 0,2 por cento no mesmo horário.

O ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Guilherme Ramalho, afirmou a jornalistas que brasileiros poderão ser minoritários em companhias aéreas desde que acordos sobre serviços aéreos acertados pelo Brasil com outros países tenham reciprocidade.

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Segundo Ramalho, isso poderia ocorrer nos próximos anos se o governo avaliar como positivos os resultados da elevação do limite de 20 para 49 por cento.

Na segunda-feira, em entrevista à Reuters, Ramalho já havia avisado que o governo avaliava ampliar o limite da participação de investidores estrangeiros em duas etapas.

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CAPACIDADE DE INVESTIMENTO

O governo vê a ampliação do limite da participação estrangeira nas companhias aéreas como uma maneira de elevar a capacidade de investimento das empresas brasileiras, diante da situação financeira delicada do setor, que vem registrando prejuízos pela alta do dólar e menor demanda por voos.

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As companhias aéreas brasileiras já tinham se manifestado favoravelmente à elevação da fatia permitida para até 49 por cento.

Procura nesta quarta-feira, a TAM, que já integra o grupo Latam Airlines com a chilena LAN, disse ser "favorável à abertura do capital estrangeiro nas companhias aéreas, pois esse é um setor que exige capital intensivo, e essa medida estimula o crescimento".

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O presidente da associação que representa as maiores companhias aéreas do país, Abear, Eduardo Sanovicz, afirmou em comunicado que "essa iniciativa é positiva na medida em que amplia o ambiente para uma aviação com custos mais baixos".

A Gol, que tem a norte-americana Delta Airlines entre suas acionistas, com 9,48 por cento de participação, vinha afirmando que o limite de 20 por cento alijava as empresas da possibilidade de ter acesso a um mercado de capitais múltiplas vezes maior que o brasileiro.

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A empresa afirmou nesta quarta-feira que recebeu "de forma positiva a decisão do governo de aumentar a participação de capital estrangeiro no setor aéreo brasileiro".

Já o Sindicato Nacional dos Aeronautas demonstrou preocupação com a possibilidade prevista pela MP de que o percentual máximo de 49 por cento do capital votante em poder de estrangeiros aumente, no caso de países que tenham acordo bilateral de abertura de serviços aéreos com o Brasil.

A categoria afirma que a liberação da participação para até 100 por cento resultaria em concorrência predatória e impacto forte nos empregos para os brasileiros.

"Estamos atrás, trabalhando para colocar ressalvas trabalhistas para proteger empregos", disse o presidente do sindicato, Adriano Castanho. "O problema é que não se faz uma análise de risco de impacto desse tipo de abertura. Concordo que as empresas precisam desse capital, mas o governo deveria tratar isso de maneira mais séria."

O ministro da SAC rebateu a preocupação dos aeronautas afirmando que o governo tem expectativa de aumento dos empregos no setor aéreo brasileiro. "O que gera desemprego é empresa aérea fechando", afirmou Ramalho.

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