Escatologia do Bolsonarismo camufla agenda econômica, diz Luis Nassif
O jornalista Luis Nassif afirma que a escatologia do bolsonarismo tem a função de esconder a agenda econômica ultraliberal e toda o seu caráter destrutivo; Nassif diz que o aniquilamento das políticas históricas nos bancos BNDES e Caixa Econômica Federal agrada o mercado mas não sem provocar um estresse nas respectivas equipes técnicas das instituições, em pânico com a Lava Jato, que enxerga corrupção em tudo menos nela mesma; Nassif diz que o BNDES tem dinheiro em caixa, mas que o crédito está estancado pelo medo
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247 - O jornalista Luis Nassif afirma que a escatologia do bolsonarismo tem a função de esconder a agenda econômica ultraliberal e toda o seu caráter destrutivo. Nassif diz que o aniquilamento das políticas históricas nos bancos BNDES e Caixa Econômica Federal agrada o mercado mas não sem provocar um estresse nas respectivas equipes técnicas das instituições, em pânico com a Lava Jato, que enxerga corrupção em tudo menos nela mesma. Nassif diz que o BNDES tem dinheiro em caixa, mas que o crédito está estancado pelo medo.
Em artigo publicado no jornal GGN, o jornalista Luis Nassif explica os modelos de financiamentos em questão: "o mercado tem duas alternativas a esses modelos. No caso dos investimentos do BNDES de longo prazo, as debêntures de infraestrutura, papéis colocados no mercado financeiro, para investidores, e que até hoje não conseguiram prazos superiores a 5 anos. No caso dos financiamentos imobiliários, as carteiras dos bancos comerciais e também papéis tipo debêntures. Por ser o grande financiador, o BNDES é a referência do mercado. Para conseguir colocar debêntures, o emissor teria que oferecer taxas mais baratas. Senão, ficará apenas com as sobras do mercado, os financiamentos que, de alguma forma, não se enquadrarem nos critérios do BNDES."
E aprofunda a leitura: "quando aumenta a taxa referencial de juros do BNDES, portanto, o governo abre espaço para a elevação do custo de todas as debêntures de infraestrutura – e, consequentemente, dos ganhos do mercado com os papéis, em detrimento das empresas do setor real da economia e dos consumidores. Quatro medidas foram tomadas para restringir a atuação do banco e abrir espaço para o mercado:
No governo Temer, trocou-se a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), taxa referencial do BNDES, pela TLP (Taxa de Longo Prazo), visando aproximá-la das taxas de mercado – totalmente incompatíveis com financiamentos de longo prazo. A medida não foi mais perniciosa porque, no período, a taxa Selic caiu de 14,5% para 6,5%.
O segundo movimento foi encarecer o funding do BNDES, através do aumento do custo do FAT, FGTS e outros fundos públicos.
O terceiro movimento consistiu em obrigar o BNDES a quitar em curto prazo as dívidas com o Tesouro. Mas o banco continuou com recursos sobrando, em função da paralisação dos financiamentos no país.
Aí entra a estratégia Paulo Guedes para reduzir ainda mais o alcance do BNDES, através de uma esperteza. Ele anuncia a abertura de informação todos os financiamentos do BNDES, atropelando normas básicas de sigilo bancário. Guedes sabe que o BNDES é uma instituição com plena governança, que passaria em qualquer análise de complience internacional. Com essa jogada, ele inclui um fator de risco nos financiamentos do banco. Muitas empresas aceitarão trocar os financiamentos por debêntures, ainda que a um custo maior, para não se exporem a toda sorte de jogadas, escandalizações inconsequentes, operações da Lava Jato Rio - que tentou criminalizar até financiamento de exportação de serviços.
Esse terrorismo acentuará ainda mais a paralisação do banco, já afetada pelo chamado apagão das canetas. Há dinheiro sobrando e os financiamentos estão paralisados pelo receio dos funcionários de se expor às maluquices da Lava Jato Rio de Janeiro."
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