Enquanto Guedes dizia que receitas cresciam “20% mais que o previsto", arrecadação despencava 2,71%

Antes mesmo da pandemia, a arrecadação do governo federal teve queda real de 2,71% em fevereiro, a R$ 116,430 bilhões. Ministro da Economia, Paulo Guedes, porém, vinha pontuando que as receitas estavam crescendo “20% acima do previsto” até 15 de março

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)


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Marcela Ayres, Reuters - A arrecadação do governo federal teve queda real de 2,71% em fevereiro, a 116,430 bilhões de reais, afetada pelo menor recolhimento de impostos sobre a renda das empresas, divulgou a Receita Federal nesta quinta-feira.

Em falas públicas recentes, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vinha pontuando que as receitas estavam crescendo “20% acima do previsto” até 15 de março, conforme relatos que lhe foram feitos pelo secretário especial da Receita, José Barroso Tostes Neto.

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Segundo Guedes, os números denotavam que “a economia brasileira estava realmente decolando” antes do impacto do coronavírus.

Em fevereiro, contudo, as receitas administradas pela Receita Federal, que envolvem apenas a coleta de tributos, tiveram uma retração real de 4,55% ante igual período do ano passado, a 112,141 bilhões de reais.

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Segundo a Receita, o tombo derivou principalmente da forte base de comparação, já que em fevereiro de 2019 o valor da arrecadação extraordinária com Imposto de Renda Pessoa Jurídica/Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) foi de 4,6 bilhões de reais.

Em fevereiro deste ano, a Receita não identificou nenhuma arrecadação considerada atípica nessa linha, após ter observado um movimento expressivo neste sentido em janeiro.

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Com isso, o recolhimento de IRPJ/CSLL teve uma queda real de 26,72% em fevereiro ante igual mês de 2019, diminuição equivalente a 5,934 bilhões de reais, principal fator a pesar no resultado consolidado.

A arrecadação com Cofins/PIS-Pasep também contribuiu na mesma direção, com queda de 4,93% sobre um ano antes (-1,309 bilhão de reais).

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Na mesma base de comparação, as receitas não administradas pela Receita Federal, que são sensibilizadas sobretudo com a arrecadação proveniente de royalties de petróleo, tiveram um salto real de 95,95%, a 4,289 bilhões de reais, impedindo a arrecadação total de ter uma contração ainda maior no mês.

No primeiro bimestre, a arrecadação geral avançou 1,61% em termos reais, a 291,421 bilhões de reais. Este foi o melhor desempenho já registrado para o período, conforme série corrigida pela inflação com início em 2007.

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Daqui para frente, a expectativa é que os dados se deteriorem, diante do surto do Covid-19 e expectativa de profunda queda nas receitas.

Para dar fôlego de caixa às empresas, a Receita já anunciou o diferimento de uma série de tributos, e também a redução a zero das alíquotas do IOF crédito e de 50% nas alíquotas do Sistema S. Nos dois últimos casos, há renúncia de receita, ainda que as medidas tenham data para acabar.

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A nova realidade imposta pelo Covid-19 também demandará aumento expressivo dos gastos, razão pela qual o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, indicou que o déficit primário do governo central estimado para este ano já está um pouco acima de 350 bilhões de reais.

No Orçamento, a meta era de um rombo primário de 124,1 bilhões de reais em 2020, mas o Congresso aprovou pedido do Executivo de estado de calamidade pública por conta da pandemia, status que dispensa o governo de cumprir o alvo fiscal do ano.

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