Em queda livre, real tem sua maior desvalorização em 11 anos

Enquanto isso, o Banco Central continua queimando as reservas acumuladas nos governos Lula e Dilma

(Foto: Reuters)


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SÃO PAULO (Reuters) - Uma onda de compra de dólar deu a tônica no mercado de câmbio brasileiro nesta sexta-feira, o que derrubou o real a novas mínimas recordes e impôs à moeda brasileira a pior semana em mais de 11 anos, resultado do combo de expectativa maior de corte de juros e temor de que a escalada na tensão política respingue na condução da agenda econômica.

Como resultado, a volatilidade implícita no câmbio —medida da percepção de risco— disparou a máximas em torno de um mês. E o giro no dólar futuro de primeiro vencimento superou 556 mil contratos, já o mais forte desde 5 de março, numa evidência da extensão do ajuste do mercado.

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O BC vendeu 3,175 bilhões de dólares das reservas nesta sessão —2,175 bilhões de dólares em quatro leilões no mercado spot e mais 1 bilhão de dólares em duas operações extraordinárias de swap cambial. Mas tamanho volume apenas conseguiu suavizar a alta da moeda, a mais intensa em mais de um mês.

O sentimento do mercado —já abalado pela virada na política fiscal, pela deterioração das expectativas para a economia e pelo intenso fluxo de saída de moeda— piorou na véspera com os rumores da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

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O humor azedou de vez quando Moro confirmou sua saída nesta sexta-feira, acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferência política, abrindo uma crise política que pode colocar a condução da economia num rumo não esperado.

“A percepção do mercado seria de que o governo está perdendo o rumo político e o Executivo está se isolando, em meio aos problemas ligados à pandemia global, inclusive com o esvaziamento da pasta de Paulo Guedes”, disse a Infinity Asset Management em nota.

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Chamou atenção nesta semana o fato de o governo ter anunciado um pacote para retomar o crescimento após a crise do coronavírus sem a participação da equipe econômica.

“Isso mostra que o ministro da Economia está em atrito com a Casa Civil”, disse Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset.

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“Aos olhos do mercado, Paulo Guedes não teria mais seu cargo garantido ‘para sempre’. Isso assusta os investidores”, afirmou Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos. “Acho que o cenário para o Brasil se tornou muito mais incerto e negativo até, no mínimo, termos uma visibilidade do que será este ‘novo governo’”, completou.

Na avaliação do UBS, os fatores-chave de atenção ao mercado agora serão um “contínuo” apoio do presidente Bolsonaro ao ministro da Economia e a relação do governo com o Congresso.

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O dólar à vista subiu 2,54% nesta sexta-feira, a 5,6681 reais na venda, máxima recorde para um encerramento de sessão. É a maior alta desde 18 de março (+3,94%).

No pico do dia, a divisa foi a 5,7491 reais, valorização de 4,00%.

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Na semana, a cotação saltou 8,25%, maior ganho desde a semana finda em 21 de novembro de 2008 (+8,38%), no auge da crise financeira global.

Em abril, o dólar ganha 9,12% e salta 41,25% em 2020.

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O real liderou as perdas globais pelo segundo pregão seguido e se mantém como a divisa de pior desempenho no ano.

Na B3, o dólar futuro subia 1,36%, a 5,6135 reais, às 17h47 desta sexta.

Mesmo quem mantinha posição comprada em real recentemente precisou desfazê-la devido à velocidade da piora do cenário, caso da Paineiras Investimentos.

“Nossa visão é que este é um momento fundamental de preservação de capital para poder aproveitar as oportunidades que inevitavelmente aparecerão mais a frente quando a incerteza e a volatilidade diminuírem”, disse a Paineiras em carta mensal.

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