Em prol do mercado, Guedes defende juros altos para capitalizar a Previdência
Para os professores e pesquisadores Lena Levinas e Miguel Bruno, a defesa do ministro Paulo Guedes, de que a capitalização da Previdência daria certo porque "os juros estão na Lua sempre", é "um deboche" que visa assegurar que "a boa rentabilidade das contas individuais de capitalização, a política de juros altos que afoga na paralisia a economia brasileira e alimenta o desemprego e o rentismo, deveria continuar"
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247 - "É fato que a franqueza no limite do deboche é marca registrada e irrefutável do governo Bolsonaro" dizem os professores Lena Levinas e Miguel Bruno, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em referência à fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, na abertura dos trabalhos na Comissão Especial da Reforma da Previdência, onde defendeu que o modelo de capitalização proposto por ele na reforma da Previdência daria certo no Brasil pelo fato de que "os juros estão na Lua sempre".
"Ou seja, para assegurar a boa rentabilidade das contas individuais de capitalização, a política de juros altos que afoga na paralisia a economia brasileira e alimenta o desemprego e o rentismo deveria continuar", dizem os pesquisadores em um artigo publicado na revista Época
A avaliação é que a fala de Guedes revela "que seu compromisso é com a introdução de um regime de capitalização compulsório e não com uma reforma da previdência que venha aperfeiçoar o sistema público de repartição, corrigir problemas estruturais e equilibrar seu fluxo de caixa, através da gestão eficiente de suas receitas e despesas".
"Se a atratividade da capitalização, ainda vacilante, depender da manutenção de juros reais estratosféricos que causam prejuízo às famílias e às empresas não-financeiras, qual o problema? " questiona o artigo.
O texto explica que a proposta do governo Jair Bolsonaro embute que "os riscos inerentes à gestão dos fundos de capitalização são inteira e invariavelmente transferidos aos indivíduos que, ao assinar contrato de longo prazo, desresponsabilizam a instituição financeira em garantir retornos satisfatórios. Perdem os poupadores nas suas contas individuais, enquanto o desempenho extraordinário dos bancos os leva a cada trimestre a bater seus próprios recordes em termos de lucros, indiferentes ao marasmo econômico".
"É vedado ao Estado cobrir déficits eventuais de seu sistema de repartição, tal como prevê a Constituição, em defesa dos cidadãos, mas não parece paradoxal dispender o dobro remunerando as elites financeiras credoras da dívida. No primeiro caso, o custo equivale hoje a cerca de 2,9% do PIB, já no segundo, 5,5% do PIB. Aquele redistribui renda e gera bem-estar, faz rodar a economia. Este concentra riqueza e poder e inibe o desenvolvimento", ressalta o texto.
Segundo os pesquisadores, "o superministro agora inverte os termos do discurso. Como as elevadas taxas de juros derivam de características estruturais da economia brasileira - especificamente da concentração bancária e de seu poder oligopolístico que permite às elites rentistas capturarem o Estado e determinarem os rumos da política fiscal e monetária - deve-se aceitá-las como normais e aproveitá-las ao máximo. Como? Eis o regime de capitalização, prato fino e sofisticado a lhes ser servido", avaliam.
Leia a íntegra do artigo.
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