Em afago ao agronegócio, Bolsonaro vai eliminar prazo para cadastro rural

Em um novo afago ao agronegócio, uma de suas bases eleitorais, o presidente Jair Bolsonaro deve assinar nesta quarta-feira (12) a medida provisória com novas regras do Cadastro Ambiental Rural (CAR), incluindo a retirada de prazo para adesão e regularização dos produtores;  Código Florestal previa que a inscrição no CAR terminaria em 31 de dezembro de 2018 para que os produtores tivessem acesso a créditos

Em afago ao agronegócio, Bolsonaro vai eliminar prazo para cadastro rural
Em afago ao agronegócio, Bolsonaro vai eliminar prazo para cadastro rural (Foto: José Cruz/Agência Brasil)


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Lisandra Paraguassu, Reuters - O presidente Jair Bolsonaro deve assinar nesta quarta-feira a medida provisória com novas regras do Cadastro Ambiental Rural (CAR), incluindo a retirada de prazo para adesão e regularização dos produtores, disse à Reuters o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Alceu Moreira.

Plantação de algodão em fazenda perto de Luis Eduardo Magalhães, na Bahia 11/09/2018 REUTERS/Ricardo Moraes
A nova MP substituirá a MP 867, que caducou na semana passada e trazia essa e outras flexibilizações ao código florestal. O texto original, aprovado com diversas mudanças pela Câmara dos Deputados —inclusive a retirada do prazo— não teve tempo de ser aprovado pelo Senado. Com resistência às alterações, os senadores se recusaram a votá-lo sem tempo para uma análise mais aprofundada.

O novo texto, no entanto, irá focar apenas na questão do CAR, considerada mais urgente pelos ruralistas. Isso porque uma MP não pode ser reeditada com o mesmo texto, mesmo com a mudança de governo, de acordo com jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

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A expectativa da FPA era de que o presidente assinasse a MP logo após a volta de Buenos Aires, na sexta-feira da semana passada, mas a análise técnica não ficou pronta a tempo.

A questão do CAR é considerada mais urgente pela FPA porque agricultores que não se adequaram ao cadastro estão impedidos de ter acesso ao crédito rural. O texto inicial da MP, enviada ainda no governo do ex-presidente Michel Temer, estendia o prazo de adesão para dezembro de 2020, mas os deputados tiraram esse limite.

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Segundo Alceu Moreira, as demais alterações feitas pela Câmara deverão ser implementadas por um projeto de lei do Senado, a ser apresentado pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). Com a Casa apresentando mais resistências, dessa forma haveria mais tempo de "convencimento" aos senadores.

Já na Câmara a FPA não espera dificuldades, já que o texto do projeto de lei irá repetir o que já havia sido aprovado na MP.

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A inscrição dos produtores no CAR é obrigatória para acesso ao crédito. No entanto, o Código Florestal previa que a inscrição no CAR terminaria em 31 de dezembro de 2018. A MP inicial estendia o prazo de regularização até 2020 sem que o produtor perdesse o acesso ao crédito, mas entre as mudanças feitas na Câmara o limite foi retirado, não havendo prazo final.

O texto da MP manterá o que foi aprovado na Câmara. A retirada do prazo para inscrição no CAR —que, para ser efetivado, obriga o produtor a aderir a um programa de regularização ambiental, em que áreas desmatadas precisam ser recompostas de acordo com as normas atuais— é criticado por ambientalista como uma anistia aos desmatadores. No entanto, a promessa do governo é de manter o texto como aprovado pelos parlamentares.

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De acordo com dados da FPA, mais de 90% dos produtores do Brasil já realizaram o CAR, mas há algumas áreas na Bahia com baixo índice de adesão. No Estado nordestino está uma das novas fronteira agrícolas do Brasil, conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

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