Economia monocromática

O giro econômico está mais rápido do que a aparente capacidade de compreensão do governo, e isto pode prejudicar de forma direta nossa posição no xadrez econômico mundial



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Por mais monocromático que os últimos noticiários da economia mundial e brasileira possam demonstrar, os movimentos econômicos e as coordenações dos chefes de Estado estão a todo vapor para tentar movimentar suas economias.

Pela Europa, todos os esforços estão centralizados agora no efeito cascata que o contingenciamento de recursos aplacou sobre todo o território do velho continente. A Itália, sob forte pressão, tem desembolsado muitos euros para rolar sua dívida, assim como Espanha e a famigerada Grécia.

O resultado disto é a letargia total na tomada de decisões estratégicas, perdas de status da proteção social e uma população cada vez mais insatisfeita com os rumos e perspectivas de suas nações.

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Partidos políticos nacionalistas e ultraconservadores já despontam novamente dentro de alguns países, fazendo com que a população relembre tempos nem tão áureos que o continente europeu viveu.

A austeridade implacável de Merkel e sua Alemanha parecem ainda ditar as regras dentro da União Europeia, que a cada dia gera mais controvérsia. A cada nova reunião, mais e maiores são os pontos de divergências, tornando as arestas políticas maiores e difíceis de serem aparadas para que a perfeita sintonia da moeda única continue ativa.

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A Alemanha não possui um mercado consumidor forte, dependendo de forma direta da unidade européia, e sua população, culturalmente, coloca-se contrária a ações expansionistas pelo lado do consumo e endividamento.

Assim, faz-se necessário uma readequação da Europa para que a própria locomotiva de Berlim não pare. Isso, obviamente, sem citar os prejuízos que os bancos germânicos estão amargando.

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No Brasil, o governo tenta ainda de forma muito tímida reaquecer a economia, o que reiteradamente vem ocorrendo através de inserções do BNDES e desoneração de alguns produtos ou cadeias produtivas.

Algumas aplicações e parcerias com a iniciativa privada vêm buscando agregar valor nacional e expandir nossa base tecnológica. Porém, não é feita de forma imparcial e equânime.

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Com um nível de inflação abaixo do que estava traçado, o Banco Central aposta que ainda há margem para um corte na taxa básica de juros, o que impulsionaria na retomada do crescimento, ou melhor, do pífio crescimento econômico.

Para o crescimento da economia, as perspectivas não param de reduzir os índices. Iniciadas em uma expectativa de crescimento na faixa dos 5% para o ano de 2012, o mercado já acredita que ficará nas casas de 2 com teto de 3%.

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São reflexos de uma atividade muito moderada da economia e esgotamento, mesmo que não completo, mas no mínimo um ponto de fragilidade na aposta do consumo interno.

A aposta do governo sobre o consumo das famílias também apresentou resultados negativos nas ultimas semanas. Segundo os dados do Banco Central, as famílias estão em patamares alarmantes de endividamento, tendo os brasilienses como os mais endividados e os paraenses como os menos endividados.

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A ação do governo, reitero, precisa ser mais direta e incisiva. Mesmo que tais resultados apenas poderão ser sentidos no próximo período, há necessidade emergencial de promover reformas que destravariam a economia deste crescimento nulo.

Os níveis de inflação parecem estar mais contidos, obviamente devido ao baixo crescimento, que acaba ajudando na contenção do ímpeto inflacionário. As ferramentas para movimentar a economia são claros, e nossos gargalos nunca foram tão debatidos como no atual momento. Resta buscar disposição do governo para a mudança.

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O governo parece retraído neste momento, mapeando os resultados das apostas feitas nos últimos meses, e espero sinceramente que estejam preparando medidas de estímulo as atividades industriais e apoio ao complexo agroindustrial.

O giro econômico está mais rápido do que a aparente capacidade de compreensão do governo, e isto pode prejudicar de forma direta nossa posição no xadrez econômico mundial.

Antônio Teodoro é economista e professor

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