'É possível que Barbosa tenha mais chances de aplicar ajuste'
O economista Bernardo Guimarães, professor da EESP-FGV, em São Paulo, avalia que a reação negativa do mercado à nomeação de Nelson Barbosa para o Ministério da Fazenda foi mais branda do que temiam os mais pessimistas; embora comungue bem mais da visão econômica de Joaquim Levy do que com a de Barbosa, ele acredita que 'como pessoa mais próxima ao PT, o novo ministro consiga enfrentar melhor as pressões anti-ajuste que partem da própria base política da presidente'
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247 - O economista Bernardo Guimarães, professor da EESP-FGV, em São Paulo, avalia que a reação negativa do mercado à nomeação de Nelson Barbosa para o Ministério da Fazenda foi mais branda do que temiam os mais pessimistas.
"A volatilidade foi um pouco menor que o esperado, considerando que até o anúncio do Barbosa os nomes que vinham sendo falados para substituir o Joaquim Levy, como Henrique Meirelles e Otaviano Canuto, eram vistos como mais ortodoxos", comenta.
Ele enxerga Nelson Barbosa como um gestor de política pública inteligente, que provavelmente aprende com os seus erros (o que não quer dizer que vá admiti-los publicamente), e tem um espírito pragmático para lidar com os desafios da sua pasta.
Guimarães deixa claro que comunga bem mais da visão econômica de Joaquim Levy do que com a de Barbosa. Mas acrescenta que, num momento de crise aguda como o atual, mais importante do que pensar nas diferenças de abordagem econômica entre Levy e Barbosa é avaliar as chances de cada um de aprovar as medidas duras e impopulares num governo que perdeu popularidade e poder político.
“O negócio não é comparar o que cada um quer fazer, mas o que cada um consegue fazer; apesar de sua filiação heterodoxa, é possível que o Barbosa tenha mais chances de convencer e desatar o nó político”, diz Guimarães. Esta última hipótese, ele explica, parte da premissa de que, como pessoa mais próxima ao PT, o novo ministro consiga enfrentar melhor as pressões anti-ajuste que partem da própria base política da presidente.
Ele acha que há um consenso no Brasil de que é imprescindível fazer o ajuste fiscal e recuperar a confiança na solvência pública, avaliada pela trajetória da dívida. Ele crê que Barbosa está imbuído desta visão quase consensual. Guimarães nota que a entrada de Levy na Fazenda no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff mostra que o próprio governo entendeu que a política econômica teria que ser mudada no sentido da ortodoxia, embora isto não seja totalmente explicitado no discurso presidencial por razões políticas.
Mas Guimarães deixa claro que, independentemente de a Fazenda estar sob o comando de Levy ou Barbosa, a situação é dificílima, e as chances de fracasso não são de se negligenciar.
Leia análise na íntegra aqui.
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