E a economia andou

A boa notícia do PIB caiu como uma luva para o governo, que na tentativa de recuperar a imagem dos agentes econômicos e creditar confiança ao mercado, tenta restabelecer a ordem e as responsabilidades



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Enfim, uma boa notícia: o PIB brasileiro cresceu em comparação ao fracassado último trimestre e também esboçou elevação frente ao horroroso resultado do ano passado. A boa notícia caiu como uma luva para o governo, que na tentativa de recuperar a imagem dos agentes econômicos e creditar confiança ao mercado, tenta restabelecer a ordem e as responsabilidades.

Dentro do rol de resultados apontados, apresenta-se de forma interessante o índice de crescimento aferido pela agricultura, em torno de 3,9% frente ao último semestre e de 13% frente ao mesmo trimestre de 2012.

A indústria continua combalida, e merece uma nova estratégia de crescimento. Antes, com um dólar em patamares menores, creditava-se o colapso a baixa competitividade de exportação com que o setor tratava. Agora, dólar mais alto, o setor ainda sofre para conseguir resultados satisfatórios.

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Os indicativos de melhora na Economia merecem ser comemorados, sem dúvida, mas carece de cuidados e ressalvas frente ao que está por vir. Anualizado, o desempenho pode significar um progresso, porém, outros fatores ainda podem pesar a mão sobre o índice.

A alta da taxa básica de juros, em 0,5 pontos, ocorreu de forma abrupta. Esperava manutenção ou aumento de 0,25. A retomada da atividade econômica ainda não ocorre de forma intensa, e sua força pode ser minada pela interrupção dos ativos econômicos para o lado real da economia.

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A volatilidade dos investidores externos continuará altista, buscando sempre maximizar as estratégias de curto prazo, em busca de juros altos, com giro intenso e bom ambiente institucional para realizar as operações.

Significa dizer que, onde em outro local do planeta os investidores externos encontrariam uma economia democrática, com leis e instituições estabelecidas, com um ambiente macroeconômico organizado e atrativos juros de 9%? É o velho caminho do capital especulativo, que pode dizer por aí não ter atração pelo Brasil, mas com absoluta certeza, nunca deixaram sair do radar a opção de apostar aqui suas fichas.

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Outra boa notícia trazida pelo resultado do PIB foi a de um aumento um pouco menor no que se refere ao gasto do governo frente aos outros números. Com uma alta interessante, o gasto do governo aumentou, em relação ao último trimestre, de forma menos intensa do que o aumento do consumo das famílias. Parece um esforço adicional para que o governo volte a um patamar lógico de atuação.

As famílias já demonstram bater no teto de seu endividamento, passando por um período de expansão mais moderada, atraindo cada vez menos novos consumidores a massa.

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O nível de investimentos e poupança permanece em níveis abaixo do ideal, perfazendo novamente idéias de dificuldades no longo prazo, ou até mesmo no médio prazo. A ausência de capital no progresso poderá inviabilizar a expansão consolidada da economia.

Outro indicador relevante, e que obteve forte expansão é o nível de Formação Bruta de Capital Fixo, com notáveis 3,6% quando comparado ao último trimestre e de 9% quando comparado ao mesmo período do último ano. De se destacar a elevação baseada muito mais em um resultado muito baixo em 2012 do que o nível propriamente necessário a ser aplicado na economia.

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Desta forma, mesmo com uma expansão forte, que é uma ótima notícia, não podemos baixar a guarda frente a um FBCF crescente.

Tanto este índice como o de investimento ainda permanecem em patamar inferior ao que a economia necessita para crescer consistentemente.

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O nível atingido pelo PIB, quando comparado aos BRICs, coloca o Brasil exatamente no meio do rol de países que tentam retomar o bom momento da economia. Os números são interessantes, merecem ser analisados com muita calma e não podem ser pontos fora da curva de crescimento. Há margens importantes a serem melhoradas, e o resultado precisa aparecer.

A confiança na política econômica não foi plenamente recuperada, e o crescimento apontado pelo PIB é apenas um respiro que precisa ser consolidado nos próximos trimestres. A agricultura voltou a salvar o governo, que precisa retribuir as ações e melhorar o caminho deste setor.

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