Diplomata prevê Petrobras fora da Argentina
Para o jornalista e diplomata Pedro Luiz Rodrigues, a presidente Cristina Kirchner, depois de desapropriar a Repsol, fará o mesmo com a estatal brasileira, comandada por Graça Foster
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247 - A presidente da Petrobras, Graça Foster, pode estar prestes a administrar um pepino na América Latina: a possível desapropriação da Petrobras, a exemplo do que ocorreu com a Repsol YPF. Leia, abaixo, seu artigo:
Petrobras Argentina à venda?
Por Pedro Luiz Rodrigues
No bilionário mundo do petróleo, a opacidade parece ser a regra e a transparência a exceção.
No caso da Petrobras, esse preceito foi, coisa rara, manifestado por escrito.
No universo das empresas estatais e de economia mista, foi ela a única não fornecer informações sobre investimentos solicitadas pela Associação Contas Abertas (com base na nova Lei de Acesso à Informação).
E deu as razões por não fornecer os dados solicitados: o comprometimento da competitividade, da governança corporativa e/ou dos interesses dos acionistas minoritários.
Enfim, disse que não atenderia ao que determina a Lei escorando-se em duas normas juridicamente inferiores: um decreto e uma portaria interministerial.
Mas pelo menos ficou transparente que a transparência não é bem-vinda em uma empresa que alega valorizar o pequeno acionista, e dá uma banana comunicativa à sociedade que, representada pelo Governo, detém a maioria.
Resta saber o que ocorreu a boa governança e o cuidado com os acionistas minoritários, no trimestre seguinte ao da resposta acima mencionada, quando a empresa registoru o primeiro prejuízo em 16 anos. Viva a opacidade...
Mas estou me desviando do assunto a que originalmente me propus,saber às quantas andam os interesses da Petrobras na Argentina.
Petrobras Argentina
Nos últimos dois anos, de tanto em tanto surgem rumores de que a Petrobras Argentina estaria vendendo seus ativos.
Há duas semanas, uma nova e intensa onda de rumores sobre o assunto ganhou a imprensa de Buenos Aires e as agências internacionais.
A Petrobras tem ficado na moita. Não mente, nem desmente, deixando, talvez por razões táticas, imprecisas notícias correrem mundo afora.
De concreto, há pouco. Só uma curta entrevista dada em 2011 pelo presidente da empresa na Argentina, Carlos Alberto da Costa, em que admitiu que a empresa poderia alienar ativos que não fizessem parte do núcleo principal de seus negócios.
Desde então, não há qualquer outra informação oficial sobre o assunto. Tudo o que tem publicado nossa imprensa é recozimento do que publicam os jornais portenhos, com material geralmente obtido de fontes anônimas.
Assim é que no último dia 15 circulou entre nós a notícia do La Nación, de que a Petrobras Argentina já teria aberto na véspera o processo de venda.
O mesmo jornal afirmou que a argentina YPF, nacionalizada este ano (sem que o devido pagamento tivesse sido feito à Repsol), faria proposta pelos ativos da estatal brasileira.
Registrou, ainda, que a empresa brasileira já estaria recebendo ofertas pela refinaria e pela participação acionária que detém em outras empresas (como a Edesur e Refinor) e até pela rede de postos de gasolina”.
Para Martín Bidegaray, em artigo no Clarín, publicado no último dia 14, a exploração dos poços continuaria a ser mantida pela subsidiária da empresa basileira.
No último dia 15, a Petrobrás disse que não comentaria o assunto.
É tudo muito curioso...
Se houve uma decisão efetiva da Petrobras de vender seus ativos na Argentina, deve ter sido coisa recentíssima, pois no início do ano a subsidiária informava da aquisição de quase 40% (cerca de 250 milhões de dólares) da Petrolera Entre Lomas S.A.
Também neste ano, a Petrobras Argentina anunciou por duas vezes a descoberta de petróleo e gás na província argentina de Santa Cruz, com reserva estimada de onze milhões de barris.
Se tudo vinha andando tão bem, por qual razão teria a Petrobras tomado subitamente a decisão de sair do mercado argentino, é a pergunta que cabe.
Mas conhecemos razoavelmente bem as táticas de ataque pela via da (des)informação adotadas pelo governo argentino que está, claramente, numa rota de reestatização dos setores privatizados pelo ex-Presidente Carlos Menem.
Os rumores surgem, vão ganhando vértebras, e de repente, pumba, lá está a decisão tomada.
Foi assim que em abril deste ano que a YPF voltou ao controle do Estado argentino.
Os propagadores desses rumores asseguraram ao Clarín que “houve um avanço entre a Petrobras e a YPF que está deixando todos os demais (interessados) fora do jogo. Para o brasileiros, que são muito políticos, a prioridade tem a YPF, por sua vinculação com o governo argentino”.
Miguel Galuccio, presidente da YPF, também não é claro. Não confirma o efetivo interesse na subsidiária da Petrobras, mas deixa entender que está de olho na refinaria da Petrobras em Bahía Blanca.
Ontem, em Buenos Aires, circulou a notícia de que a Petrobras Argentina iniciaria seu processo de venda em meados de janeiro próximo.
De qualquer modo, boa coisa faria a Petrobras em pular fora do país vizinho, onde a cada dia cresce o desprezo pelos contratos e a inquietação social.
Como observou em recente artigo o professor Ives Gandra da Silva Martins, trata-se de uma preocupação válida, pois o alinhamento do Brasil com governos como o da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da Argentina tornou-nos alvo preferencial do descumprimento de acordos e tratados por parte desses países.
Melhor ainda será se conseguir sair com algum dinheiro no bolso (que melhor serão aplicados aqui mesmo, no desenvolvimento do pré-sal). Lembremo-nos que Repsol espanhola, que foi ejetada à força do comando da YPF e até agora não recebeu dos argentinos nem um tostão furado
Vivia em Buenos Aires e acompanhei de perto as primeiras tratativas para entrada da Petrobras na Argentina, nos idos de 1993, quando a estatal era presidida por Joel Mendes Rennó.
Em 2001 ela passou a deter 700 postos de gasolina, pela compra da Eg3. Em 2003 comprou a Petrolera Santa Fe-Pecon Energia, pertencente ao poderoso grupo Pérez Compac. Hoje a Petrobras energia é a segunda maior empresa petrolífera na Argentina, atrás da YPF.
Sempre achei que essa marcante presença da Petrobras na Argentina acabaria de por ferir os brios nacionalistas dos nossos vizinhos meridionais. É o que pode estar acontecendo...
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