Dilma e Tombini se alinham na mídia e nos juros
Mercado trabalha com informação de que presidente Dilma Rousseff e presidente do BC, Alexandre Tombini, estavam alinhados sobre aumento dos juros; dono da taxa Selic, presidente do BC teria se multiplicado na mídia antes e após a reunião do Copom também por estratégia pensada com Dilma; autonomia do Banco Central é, mais uma vez, questionada pela chamada "tigrada" dos juros; Tombini, afinal, é independente ou submisso?
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247 – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tanto fez que conseguiu. Antes e depois da reunião do Copom, ele, como nunca na história desse país, falou para toda a mídia que se apresentou atrás de sua palavra. Páginas inteiras nos jornais Valor Econômico e Folha de S. Paulo, larga minutagem na Rede Globo, longas palestras a empresários. Acredita-se agora, porém, após a divulgação de informações não contestadas oficialmente, que Tombini multiplicou-se em sua cruzada contra a inflação antecipando, promovendo e comentando a alta dos juros da semana passada em razão de pedido direto da presidente Dilma Rousseff. Ambos se reuniram, no Palácio do Planalto, na semana da decisão do Copom.
A informação sobre Tombini ter cumprido uma estratégia pensada junto com a presidente pegou mal entre diferentes agentes do mercado financeiro. Soou muito mais como falta de autonomia do Banco Central, do que, como deveria parecer, um descolamento autônomo de Alexandre Tombini do conjunto da política econômica.
APOIO INTEGRAL - "Não vou falar sobre diálogos dentro do governo", disse o presidente do BC à Folha, dando uma pista ao completar: "Agora, o que posso dizer é que o trabalho do Banco Central é integralmente apoiado pelo governo Dilma". Em seguida, desenhou um quadro inteiro para a economia: "O carro-chefe do crescimento deve ser, neste período à frente, o investimento. O consumo, naturalmente, ajuda a propagar o crescimento, mas não necessariamente vai ser o carro-chefe, definir a dinâmica de quanto a economia cresce no período à frente", apontou.
Sem dúvida, no âmbito da estrutura do governo, o Tombini nomeado por Dilma que aumentou ou juros cresceu em autonomia. Na prática, ele cerceou com limites bem definidos a política anticíclica praticada pelo ministro Guido Mantega. O titular da Fazenda foi, naturalmente, o primeiro a perceber a ocupação de espaço, adiantando logo após o Copom que não há previsão de novas medidas econômicas.
O presidente do BC não escondeu em suas falas que está mesmo jogando de mão, neste momento, com Dilma. "A política de combate à inflação do Banco Central tem o integral apoio do governo Dilma, isso que é importante", afirmou.
JOGO DÚBIO - O que pode parecer, agora, um jogo dúbio da presidente – a de bancar, com a mão esquerda, as acelerações ao crescimento propostas por Mantega, e fazer uma aposta, com a direita, na alta dos juros para combater a inflação – pode funcionar. Tombini, com todo o seu arsenal de vasta repercussão, acredita que elevar o PIB em 3% e trazer a inflação para o centro da meta anual de 4,5% é compatível. "O combate à inflação não tem esse elemento, na minha visão, de colocar em risco a evolução da economia brasileira", disse.
Empresários como Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional, discordam, acreditando que o aumento de 0,5 ponto porcentual na Selic, determinado pela unanimidade da diretoria do BC, foi uma concessão da equipe à chamada "tigrada" dos juros. Economistas como o ex-presidente do BNDES tucano Luís Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, apoiaram a alta dos juros, adiantando aplausos para quando outras vieram. Entre essas posições, a da presidente Dilma, doravante, vai ser a de torcer, muito, para que o remédio anti-inflacionário que Tombini receita não derrube o paciente que Mantega tratava até aqui à base de aquecimento do mercado de trabalho, consumo alto e juros baixos.
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