Desmonte da Petrobras está na contramão do mundo, afirma Gabrielli
"A maior parte das grandes empresas do mundo são integradas, produzem petróleo, refinam, distribuem derivados, trabalham em todos os segmentos da cadeia de petróleo e gás. E 90% das reservas conhecidas no mundo estão na mão de Estados ou de empresas estatais”, avalia o ex-presidente da Petrobrás Sérgio Gabrielli
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Da RBA - A gestão da Petrobras sob o governo ultraconservador de Jair Bolsonaro está na contramão das tendências do setor de petróleo no mundo. É o que defende o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, que atuou na empresa durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, de 2005 a 2012, sendo o mais longevo presidente da história da companhia.
“A empresa está sendo fatiada, vendida aos pedaços. E isso vai na contramão do que as grandes empresas de petróleo estão fazendo no mundo. A maior parte das grandes empresas do mundo, sejam estatais ou privadas, são integradas, produzem petróleo, refinam, distribuem derivados, trabalham em todos os segmentos da cadeia de petróleo e gás. E a maior parte das reservas mundiais são estatais, 90% das reservas conhecidas no mundo estão na mão de Estados ou de empresas estatais”, avalia, ao participar do programa Entre Vistas, com apresentação do jornalista Juca Kfouri.
“Mas a Petrobras está fazendo o contrário, está saindo de vários segmentos e se concentrando apenas no que tem de pré-sal brasileiro”, acrescenta Gabrielli, ao criticar o processo de desmonte tocado pelo governo Bolsonaro.
“As duas grandes potências que efetivamente estão disputando o pré-sal brasileiro são os Estados Unidos e a China”, analisa o ex-presidente. “Por mais que nós tenhamos a perspectiva de no futuro ter uma substituição do petróleo, ele ainda continuará sendo fundamental, particularmente para o transporte, nas próximas décadas. É um produto estratégico, que leva a guerras, ações militares, a diplomacia mundial se movimenta em torno do acesso ao petróleo. Estamos vivendo concretamente isso com a crise do Oriente Médio, o terrorismo, a própria migração intensa para a Europa, todos esses fenômenos atuais têm alguma relação com o petróleo.”
Gabrielli lembra que em 2010, o Congresso aprovou um conjunto de leis que estabeleciam relações para garantir esse controle para a economia brasileira, inclusive a criação do fundo social que capturaria toda a receita que o Estado tivesse com o petróleo e colocaria 75% para a educação. “Mas esse processo todo está sendo desmontado. E do ponto de vista regulatório há uma mudança muito substantiva e se desmonta a possibilidade de financiamento da educação a partir do petróleo e se desmonta a política de conteúdo nacional que viabilizaria a criação de empregos e expansão de fornecedores da cadeia produtiva de petróleo no Brasil.”
Assista à entrevista:
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