Desafio para o PT

Há pelo menos dez anos o governo não faz nenhuma reforma significativa com impacto positivo sobre o principal indutor da geração de riqueza, que é a produtividade



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O governo vem atuando em várias frentes para tentar reaquecer a economia brasileira. A oferta de crédito pelos bancos públicos cresceu, os empréstimos do BNDES foram fortemente ampliados, houve alívio tributário na casa de R$ 50 bilhões e as compras governamentais foram incrementadas em mais de R$ 8 bilhões. Mesmo com todos esses estímulos o PIB deve fechar este ano com crescimento em torno de 1,5%, índice que o ministro Guido Mantega classificou como "piada" ao ser estimado, quatro meses atrás, pelo banco Credit Suisse.

Medidas paliativas não servem mais para estimular a economia brasileira. A questão hoje passa pelo aumento da produtividade e a presidente Dilma Rousseff vem discursando nesse sentido. Tudo indica que o governo se deu conta de que está muito caro produzir no Brasil. Fica cada vez mais difícil o País competir. Importar tem sido a saída para muitos setores. Dez anos atrás os importados representavam 10% das vendas de bens industrializados e hoje eles são 22%.

Para melhorar a capacidade de competição da economia brasileira é preciso atacar entraves que há anos são empurrados com a barriga. A baixa qualificação da mão de obra, o nível inadequado de investimentos em pesquisas, a absurda burocracia imposta às empresas, a deficiente infraestrutura e o custo trabalhista são obstáculos estruturais que foram contornados com medidas paliativas que servem para fazer barulho no intuito de promover interesses políticos, mas que não equacionam os problemas.

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Para se ter uma ideia da dimensão dos obstáculos na área da qualificação da mão de obra vale citar que as pessoas com ensino universitário com idade entre 25 e 34 anos na Coréia do Sul chegam a 60%, no Chile são 30%, no México 20% e no Brasil representam apenas 10%.

Quanto à ciência a situação também é vexatória. Os investimentos em pesquisa em relação ao PIB somam 3,5% no Japão, 3,2% na Coréia do Sul, 1,5% na China e 1% no Brasil.

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No âmbito da burocracia as disparidades são absurdas. Abrir uma empresa no México requer 9 dias, na China são 38 dias e no Brasil são necessários 119 dias. Em termos tributários uma empresa no Brasil gasta em média 2600 horas por ano para ficar em dia com suas obrigações fiscais. O tempo médio na América Latina é de 382 horas e nos países da OCDE é de 186 horas.

A péssima infraestrutura brasileira faz com que a exportação de um contêiner custe US$ 2.250 no Brasil. Na Malásia o custo é de US$ 450, na China US$ 500 e no México US$ 1.450.

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Quanto ao custo trabalhista, o País sofre com mais uma aberração. A mão de obra na indústria automobilística brasileira custa por hora 5,3 euros, no México o desembolso é de 2,6 euros, na China 1,3 euro e na Índia 1,2 euro.

Fica impossível para a economia brasileira competir com tantos entraves em um mundo cada vez mais globalizado. O PT tem um grande desafio para tornar a produção no País mais eficiente. Há pelo menos dez anos o governo não faz nenhuma reforma significativa com impacto positivo sobre o principal indutor da geração de riqueza que é a produtividade.

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