Demissão de 800 na Volks provoca greve no ABC
Os metalúrgicos do ABC paulista decidiram entrar em greve contra a decisão da Volkswagen de demitir 800 funcionários na volta das férias coletivas; segundo a Volks, a retração da indústria automobilística no país nos últimos dois anos e o aumento da concorrência impactaram em seus resultados; em 2014, a indústria automotiva brasileira teve queda aproximada de 7% nas vendas e de mais de 40% nas exportações; com estoques altos, montadoras estão com os pátios lotados e o fim das desonerações fiscais pode piorar ainda mais os resultados; demissões no ABC, berço do sindicalismo, mostram que a crise econômica começa a atingir o bem mais precioso: o emprego do trabalhador
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De acordo com o sindicato, aproximadamente sete mil trabalhadores, que entram no primeiro turno de trabalho, participaram da assembleia. No total, a fábrica emprega 13 mil funcionários. A assessoria de imprensa do sindicato informou que os metalúrgicos estão dentro da fábrica, mas permanecem de braços cruzados. A Volkswagen, por sua vez, preferiu não comentar a respeito.
Desde o ano passado, a Volkswagen adota medidas como férias coletivas e suspensão temporária de contrato de trabalho (lay-off) na fábrica. Segundo a empresa, os funcionários demitidos entram em licença remunerada por 30 dias e depois serão desligados.
Os empregados foram informados das demissões por meio de uma carta, enviada no dia 31 de dezembro, dizendo que os metalúrgicos não deveriam retornar aos postos de trabalho após as férias coletivas, e que deveriam procurar o setor de Recursos Humanos da empresa.
Segundo a Volkswagen, o cenário de retração da indústria automobilística no país nos últimos dois anos e o aumento da concorrência impactaram em seus resultados. Segundo a montadora, de janeiro a dezembro de 2014 a indústria automotiva brasileira teve queda aproximada de 7% nas vendas e de mais de 40% nas exportações, comparado com o ano de 2013, resultando numa retração de 15% na produção.
Em 2012, o sindicato e a Volkswagen firmaram um acordo coletivo, com validade até 2016, prevendo questões como estabilidade e politica de reajustes. No ano passado, porém, a empresa quis rever o acordo, mas a proposta foi rejeitada em assembleia pelos metalúrgicos. O sindicato reclama que a empresa, desde então, não chamou os trabalhadores para negociar e tomou uma decisão unilateral com as demissões.
A empresa argumenta que, quando o acordo foi firmado, após anos de crescimento, a perspectiva para a indústria automobilística era positiva, pois acreditava-se que seriam vendidas quatro milhões de unidades em 2014. “O que ocorreu foi uma retração para 3,3 milhões. É importante lembrar que, na unidade Anchieta, o nível de remuneração médio é mais alto que os principais concorrentes, inclusive na região”, diz a nota da empresa.
Vendas de veículos devem cair em 2015, prevê Fenabrave
Flávia Albuquerque - As vendas de veículos devem cair 0,43% neste ano, de acordo com projeções feitas hoje (6) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) na capital paulista. Neste ano devem ser comercializadas 4.906.418 unidades. No caso dos automóveis e veículos comerciais leves, deve haver decréscimo de 6,91%, com previsão de 3.312.116 unidades vendidas.
De acordo com balanço divulgado pela Fenabrave, o número total de automóveis vendidos no país em 2014 caiu 6,76% ante 2013, com 5.161.116 unidades comercializadas contra 5.535.398 no período anterior.
Em dezembro de 2014, as vendas cresceram 21,29%, com a comercialização de 516.437 unidades ante 425.798 em novembro. Na comparação com dezembro do ano anterior, quando o comércio desses veículos chegou a 515.890 unidades, houve alta de 0,11%.
Quando analisadas somente as categorias de automóveis e comerciais leves, o setor registrou aumento de 26,35% no total das vendas em dezembro, ante novembro de 2014. Na comparação com dezembro do ano anterior, houve crescimento de 5,25% e, em todo o ano de 2014, queda de 6,91%.
Segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, os resultados de 2014 se devem ao fato de que o ano foi atípico. "Foi ano de Copa do Mundo e eleições.Também tivemos dificuldades econômicas, com o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) estagnado. Automóvel precisa de PIB para alavancar. A isenção de tributos nos ajudou durante um determinado momento", disse ele.
Assumpção ressaltou que as preocupações para este ano são os juros altos e a volta da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Um ponto positivo para o setor em 2015 é já ter conhecimento de mercado e regras que vigorarão. Em 2014, perdemos quase 60 dias em virtude da espera de anúncios do governo. Este ano, o cenário não é o pior."
Sobre possíveis demissões no setor e o alcance desses ajustes nas concessionárias, ele disse não acreditar que haja picos de demissão nas distribuidoras. "Somos mais de 8 mil pontos de venda no Brasil. Naturalmente, temos que adequar nossas atividades. Se a concessionária tem um patamar de resultado que não pode dar sustentação às suas atividades, a concessionária terá que fazer adaptações". Segundo ele, não há nenhuma negociação quanto a isso, e as demissões dependerão de cada grupo ou loja.
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