Delfim valida política cambial do governo
Segundo economista e ex-ministro, a decisão de dar liquidez diária e assumir o papel de fornecedor de "hedge" para o mercado de câmbio foi correta, transparente e sinalizadora. Diz ainda que, em princípio, deve ser suficiente para tranquilizar o mercado
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 – A política cambial adotada pelo Brasil para combater a alta do dólar é assertiva e deve ser suficiente para tranquilizar o mercado. É o que afirma o economista Antonio Delfim Netto, economista e ex-ministro. Leia o artigo publicado na Folha:
Boa resposta
Parte importante das tensões sentidas pela economia mundial, na última quarta-feira, resultou da confusão produzida pela divulgação da ata da reunião do Fed de 30/31 de julho. Afinal, do que se trata?
A economia dos EUA dá sinais de que está se recuperando. O crescimento do PIB em 2013 será um pouco abaixo de 2%. A inflação anual é menor do que 2%. Há uma redução dos déficits fiscal e de conta-corrente em relação ao PIB. Tudo isso com estímulo fiscal negativo.
O que sobrevive é a política monetária pela qual o Fed compra, todo mês, nada menos do que US$ 85 bilhões em papéis no mercado, o que mantém a taxa de juros real dos EUA em torno de zero e tende a desvalorizar o dólar em relação às outras moedas.
O que esperar quando esse laxismo monetário começar a ser reduzido? O efeito contrário: um aumento da taxa de juros real e uma valorização do dólar.
Como é natural, a cada reunião do Fed o mercado tenta prever quando isso começará. Há uma excitação da economia mundial, porque isso produzirá uma reorientação do movimento dos capitais. Antecipa, assim, uma desvalorização de todas as moedas dos países emergentes, o que dá origem a um dramático e legítimo movimento especulativo.
É a segunda vez, em três meses, que as esperadas atas do Fed provocam graves distúrbios no mercado financeiro internacional. Com toda a franqueza, é preciso reconhecer que a última ata não disse nada que o mercado já não soubesse e não forneceu nenhuma indicação de que o próprio Fed saiba um pouco mais do que já sabia. O que resta ao "mercado", portanto, é continuar especulando...
No Brasil, o efeito mais visível daquelas tensões revelou-se no nervosismo do mercado cambial. A taxa de câmbio deu a impressão de que estava fora de controle e assistimos a uma queda dos preços dos papéis do Tesouro devido à alta da taxa de juros, que induziu os investidores a mudarem seus portfólios.
As respostas das autoridades monetária e fiscal foram prontas e adequadas. A Secretaria do Tesouro recomprou papéis para dar saída menos onerosa aos seus portadores. O Banco Central fez intervenções para reduzir a volatilidade, sem se comprometer com a defesa do nível da taxa.
A decisão de dar liquidez diária e assumir o papel de fornecedor de "hedge" para o mercado de câmbio, como já fez no passado em outros momentos delicados, foi correta, transparente e sinalizadora. Em princípio, deve ser suficiente para tranquilizar o mercado.
Por fim, o fato de o real ter sido a moeda que mais se desvalorizou no episódio é irrelevante. Foi a moeda que mais se valorizou ao longo dos anos, como consequência da política oportunística de usar o seu valor no controle da inflação.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247