De olho no Cade, empresas fazem compras de R$ 5 bi
Numa sequência atípica, sete grandes operações de compra e venda de empresas brasileiras ocorreram entre a segunda 28 e a terça 29; estão na lista bandeiras conhecidas do público como Lojas Leader, do Rio, churrascaria Fogo de Chão, transportadora Rapidão Cometa e Comgás; medo das novas regras para a concorrência?
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247 – Numa impressionante sequência de compra e venda envolvendo empresas brasileiras, na maioria dos casos, e grupos internacionais, a segunda-feira 28 e a terça 29 foram marcadas por nada menos que sete grandes negócios. Operações que totalizaram uma movimentação de R$ 5,765 bilhões em recursos das companhias postadas nas pontas compradoras. Pode ser coincidência, mas as operações ocorreram no mesmo momento em que foi anunciado o novo presidente do Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica --, Vinícius Marques de Carvalho. Com ele, entram em vigor, a partir de hoje, regras que obrigam a comunicação prévia ao Cade de negócios que possam afetar a concorrência dentro de seus respectivos setores econômicos (aqui).
Praticamente todos os negócios que foram divulgados agora envolvem empresas bastante conhecidas do pública. A rede de churrascarias Fogo de Chão, por exemplo, foi vendida pelo grupo Garantia para um fundo de investimentos americano, por US$ 400 milhões. Carioca, a rede varejista Leader, voltada para o público das classes C e D, teve 40% de suas ações compradas pelo banco de investimentos BTG Pactual. A Cosan, do setor alcooleiro, fechou o negócio de maior expressão, comunicado ontem ao mercado – portanto, antes da vigência das novas regras do Cade: ficou com 72,7% das ações ordinárias da Comgás – Companhia de Gás de São Paulo. Para tanto, pagou R$ 3,4 bilhões. Abaixo, notícias publicadas ao longo do dia pela mídia eletrônica, com informações sobre as compras e vendas feitas na véspera ou no dia da troca de comando no Cade: GP VENDE FOGO DE CHÃO O GP acaba de fechar a venda do Fogo de Chão, a maior rede de churrascarias brasileira, para o Thomas H Lee Partners, um fundo de private equity. Os americanos pagaram 400 milhões de dólares pelo negócio. (Lauro Jardim/Veja) BTG compra Leader São Paulo – O banco BTG Pactual fechou a compra de 40% do capital votante e total da rede varejista fluminense Leader. O valor total do negócio é de 665 milhões de reais, dividido em duas fatias. A primeira refere-se ao pagamento à vista de 558,4 milhões de reais por uma parcela de 35,88% do capital total e votante da Leader. A outra, de 106,7 milhões de reais, vai para o aumento de capital, por meio da emissão de ações ordinárias que representem 6,42% do capital da rede. Essa seria a primeira compra de controle de uma varejista do ramo de vestuário feita pelo banco de André Esteves. O Banco Modal e o escritório Chediak Advogados foram os assessores da Leader na negociação. Já o BTG Pactual contou com assessoria própria. O acordo foi fechado no final da tarde de ontem. Com pouco mais de 60 anos de história, a Leader concentra seus negócios na classes C e D, adotando um modelo de loja de departamentos e vendendo de roupas a eletrodomésticos. Conta com 65 lojas, faturamento de cerca de 1 bilhão de reais e tem quase 5.000 funcionários. (Exame) COSAN CONFIRMA COMPRA DE AÇÕES DA COMGÁS POR R$ 3,4 BILHÕES VALOR CORRESPONDE A 72,7% DAS AÇÕES ORDINÁRIAS E 14,1% DAS AÇÕES PREFERENCIAIS DA COMGÁS A Cosan divulgou fato relevante na noite desta segunda-feira para informar que celebrou o contrato de compra e venda de ações de emissão da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), pelo qual adquire os 60,1% da companhia que pertenciam ao Grupo BG. O valor pago pela Cosan é de R$ 3,4 bilhões, correspondentes a 72,7% das ações ordinárias e 14,1% das ações preferenciais da Comgás. O preço por ação, ordinária ou preferencial, corresponde a R$ 47,25. Ao adquirir a Comgás, maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil, a Cosan reforça sua atuação no setor de energia, no qual atua na produção de etanol e na distribuição de combustíveis por meio de sua rede de postos de serviços. Do valor total da aquisição, R$ 3,3 bilhões serão financiados pelos bancos Itaú e Bradesco, com prazo de oito anos, com dois anos de carência, segundo o comunicado da Cosan KROTON COMPRA GRUPO UNIASSELVI, EM SANTA CATARINA, POR R$ 510 MILHÕES DO VALOR DA AQUISIÇÃO, R$ 335 MILHÕES FORAM PAGOS À VISTA, UTILIZANDO A POSIÇÃO DE CAIXA DA COMPANHIA; OS R$ 175 MILHÕES RESTANTES SERÃO ABATIDOS EM SEIS PARCELAS ANUAIS A Kroton Educacional anunciou nesta terça-feira a compra da Uniasselvi, grupo de universidade e faculdades de Santa Catarina, por R$ 510 milhões, ampliando sua carteira de alunos no ensino superior para cerca de 417 mil. Do valor da aquisição, R$ 335 milhões foram pagos à vista, utilizando a posição de caixa da companhia. Os R$ 175 milhões restantes serão abatidos em seis parcelas anuais, e a Kroton pagará ainda um bônus de até R$ 15 milhões se o faturamento líquido da Uniasselvi passar de R$ 230 milhões em 2012. Em 2011, a Uniasselvi teve receitas de R$ 196,3 milhões. A aquisição é a mais importante da Kroton desde a compra em dezembro da Unopar, no Paraná, por R$ 1,3 bilhão. Em março, o presidente-executivo do grupo educacional, Rodrigo Galindo, afirmou que a empresa previa fazer aquisições pontuais em 2012. Até março, a Uniasselvi tinha 86,2 mil alunos, sendo 73,7 mil em ensino a distância de graduação e pós-graduação e 12,5 mil de ensino superior presencial. A compra do grupo catarinense inclui as mantenedoras das instituições Centro Universitário Leonardo da Vinci, Faculdade Metropolitana de Blumenau, Faculdade Regional de Timbó, Faculdade do Vale do Itajaí Mirim, Faculdade Metropolitana de Rio do Sul e Faculdade Metropolitana de Guaramirim. "A aquisição promove a entrada da Kroton em uma nova região de atuação no ensino superior presencial, por meio de sete unidades no estado de Santa Catarina, localizadas nos municípios de Blumenau (dois campi), Indaial, Brusque, Timbó, Rio do Sul e Guaramirim", informou a compradora. O negócio ainda precisa da aprovação das autoridades competentes. (IG) COSAN VENDE OPERAÇÃO DE ALIMENTOS PARA A CAMIL POR R$ 345 MILHÕES PELO ACORDO ENTRE AS DUAS COMPANHIAS, A COSAN TERÁ PARTICIPAÇÃO DE 11,72% NA CAMIL E REPRESENTATIVIDADE NO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO A Cosan anunciou a venda de suas operações no setor de alimentos, reunidas na controlada Cosan Alimentos, à Camil, maior beneficiadora de arroz e pescados do País. A Cosan Alimentos é fabricante das marcas de açúcar União e Da Barra, que, juntas, detêm aproximadamente 40% do mercado de açúcar vendido em varejos. O acordo prevê o pagamento de R$ 345 milhões à Cosan, que terá participação de 11,72% da Camil e representatividade no Conselho de Administração. Parte do valor será deduzido do endividamento da Cosan Alimentos e pago no prazo máximo de três anos. A associação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo executivos da Cosan, o potencial de sinergia resultando da união das operações será da ordem de R$ 50 milhões por ano, principalmente em frete, vendas e uso de créditos fiscais decorrentes da comercialização de commodities. "Está se construíndo uma grande empresa nacional de marcas de alimentos (a Camil), que pretende ser o grande negócio brasileiro do setor", disse Marcos Lutz, presidente da Cosan. A gaúcha Camil possui ações listadas na Bovespa e é líder no beneficiamento e comercialização de arroz no Brasil, Chile e Uruguai, além de ser a maior exportadora de arroz da América Latina, segundo apresentação da companhia. A empresa tem faturamento próximo a R$ 2 bilhões e tem como um dos principais acionistas o fundo Gávea, fundado por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. No ano passado, comprou a marca Coqueiro da americana PepsiCo. Em julho de 2011, a Cosan Alimentos consolidou-se como uma empresa independente da Cosan, cujos principais negócios se encontram na área de energia, açúcar e álcool. No início do ano passado, a empresa vendeu os produtos da linha Da Barra, com exceção do açúcar, para a Coroa Participações, empresa que faz as cestas básicas CBA. (Agência Reuters) Duratex compra unidade da Lupatech por R$ 45 milhões Com aquisição, a Duratex vai aumentar a oferta de produtos de sua divisão Deca no segmento de válvulas industriais A Duratex assinou nesta segunda-feira proposta vinculativa para aquisição da Metalúrgica Ipê Mipel, unidade da Lupatech especializada na fabricação de válvulas industriais de bronze, localizada em Jacareí (SP), por R$ 45 milhões. O valor será pago no ato de assinatura do contrato definitivo, em até 120 dias. Segundo a Duratex, a aquisição permitirá aumentar a oferta de produtos de sua Divisão Deca no segmento de válvulas industriais, além de agregar uma capacidade de fabricação anual equivalente a 780 mil peças. Lucro líquido da Duratex cai 44,6% no 4º trimestre Em 2011, esta unidade obteve uma receita líquida de R$ 32 milhões. O investimento está inserido em um plano maior de expansão na Divisão Deca que inclui a adição, na unidade de Jundiaí (SP), de 1,2 milhão de peças anuais de metais sanitários, além da inauguração de uma nova unidade de fabricação de louças sanitárias em Queimados (RJ), com capacidade anual de 2,4 milhões de peças anuais, segundo a empresa. Com isso, no fim do ano, a Deca passará a contar com uma capacidade de produção de aproximadamente 31,2 milhões de peças anuais, o que representa uma expansão de 16,4% sobre a capacidade existente ao fim de 2011. (Agência Estado) FedEx faz acordo para comprar Rapidão Cometa O valor da operação não foi divulgado; fundada há 70 anos, companhia brasileira opera com cerca de 770 veículos e 9 mil funcionários A FedEx anunciou nesta segunda-feira que acertou acordo para comprar a companhia brasileira de transporte e logística Rapidão Cometa, que vinha sendo representante autorizado da norte-americana no Brasil há mais de uma década. O valor da operação não foi divulgado. A Cometa, fundada há 70 anos, atende a todos os Estados do país e tem mais de 17 mil clientes, servidos por cerca de 770 veículos e 9 mil funcionários.
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