Crise política de Temer vai afetar economia até 2018, dizem analistas

Crise política que abala o governo Michel Temer vai afetar de maneira mais intensa o desempenho econômico do Brasil em 2018, com crescimento mais fraco do que o esperado, basicamente por causa da expectativa de dólar mais caro e queda menor dos juros; segundo analistas econômicos; segundo o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 1,8% em 2018, abaixo da estimativa anterior de 2,5%; projeção para o desemprego é de 14,4% no primeiro trimestre de 2018; atualmente, o desemprego alcança 13,6% da população economicamente ativa

Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Paulo Emílio)


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Luiz Guilherme Gerbelli, Reuters - A crise política que abala o governo Michel Temer vai afetar de maneira mais intensa o desempenho econômico do Brasil em 2018, com crescimento mais fraco do que o esperado, basicamente por causa da expectativa de dólar mais caro e queda menor dos juros.

E esse cenário, segundo analistas ouvidos pela Reuters, vai impactar praticamente todos os setores, como indústria, serviços e até investimentos, essencial para impulsionar a economia.

"O processo de recuperação da economia brasileira será lento e não ocorrerá na velocidade esperada", afirmou o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Julio Mereb, para quem o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 1,8 por cento em 2018, abaixo da estimativa anterior de 2,5 por cento.

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No cenário de mais pessimismo traçado pelo Ibre, no ano que vem, a expansão da indústria será de 2,4 por cento e de serviços, de 1,2 por cento. Até então, as previsões eram de crescimento de 2,8 e 1,8 por cento, respectivamente.

A crise política eclodiu em meados de maio, após Temer ser atingido pela delação de executivos do grupo J&F e que acabou levando-o a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime, entre outros, de corrupção passiva.

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A principal dúvida dos agentes econômicos é se o governo, enfraquecido politicamente, vai ter condições de levar adiante no Congresso Nacional reformas importantes, como a da Previdência, essencial para colocar as contas públicas em ordem.

De forma geral, os especialistas acreditam que a reforma previdenciária vai passar, mas atrasada e ainda mais desidratada do que a versão original do governo, o que acabará deixando para o governo que será eleito no próximo ano ajustar as contas.

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"A taxa de juros também foi afetada pela crise política", acrescentou o economista da consultoria 4E Bruno Lavieri, ressaltando que reduziu a expectativa de crescimento para 2018 a 1,2 por cento, ante de 2 por cento.

Antes da crise política, Lavieri disse que estava em processo de revisão da expectativa para a Selic, acreditando que ela fecharia este ano a 7,5 por cento, mas agora mantém o cenário de 8,25 por cento.

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Hoje, a Selic está em 10,25 por cento ao ano após sucessivos cortes feito pelo Banco Central desde outubro passado. Mas, justamente pelo cenário político delicado e incertezas no campo fiscal, o BC já avisou que vai reduzir o ritmo de cortes, mesmo com a inflação cada vez mais fraca e a economia patinando.

A queda dos juros, embora tenha efeito defasado na economia, é considerada fundamental para garantir crescimento de mais longo prazo ao colaborar para reduzir o custo dos empréstimos de empresas e famílias, ajudando na retomada do investimento e consumo.

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DÓLAR E DESEMPREGO

A incerteza com o sucesso do governo Temer na área fiscal provocou ainda alta do dólar ante o real diante da maior percepção de risco dos investidores com a economia brasileira.

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Desde a delação dos executivos da J&F, o dólar saiu do patamar de 3,10 reais para o atual de 3,30 reais, o que pode prejudicar a tendência de queda inflação e, consequentemente, obrigar o BC a ser mais duro na condução da política monetária.

"O cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e consequentemente impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos", afirmou em nota o economista-chefe do banco Itaú Unibanco, Mario Mesquista.

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Nas contas dele, o dólar deve ficar em 3,50 reais no fim de 2017 e 3,60 reais em 2018, sobre previsão anterior de 3,25 e 3,35 reais. Para o crescimento do PIB, a estimativa agora é de 0,3 por cento este ano e 2,7 por cento em 2018.

Na pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, as previsões antes do estouro da crise eram de que o PIB cresceria 0,5 por cento neste ano e 2,50 por cento em 2018. Agora, as contas caíram a 0,41 por cento em 2017 e, com mais força, a 2,30 por cento no próximo ano.

"Todo esse cenário prejudica bastante o mercado de trabalho. A recuperação (do emprego) que a gente esperava para meados deste ano só deve ocorrer no segundo semestre do ano que vem", disse Mereb, do Ibre, cuja projeção é de que a taxa de desocupação vai atingir o pico no primeiro trimestre de 2018, a 14,4 por cento. Hoje, ela está em 13,6 por cento

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