Crise na China faz venda de carne brasileira para país dobrar

Exportações de carne brasileira para China em janeiro aumentaram 126% ante ano passado, em grande parte pelos "efeitos devastadores" da gripe suína no país asiático, explicou economista Roberto Fendt

Mulher compra carne em açougue em Santo André
Mulher compra carne em açougue em Santo André (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Sputnik - As exportações de carne brasileira para China em janeiro aumentaram 126% ante ano passado, em grande parte pelos "efeitos devastadores" da gripe suína no país asiático, explicou economista Roberto Fendt. 

"Esse aumento tem muito a ver com os efeitos da peste suína, que foi devastadora. Uma parcela grande do plantel suíno da China precisou ser sacrificada. Não somente porcos jovens, mas matrizes também. Então a expectativa é de que a China terá um déficit na sua oferta de carne suína por um período de tempo, que pode durar de dois a quatro anos", disse o secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) à Sputnik Brasil.

continua após o anúncio

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), as exportações totais de carne do Brasil somaram 135 mil toneladas no primeiro mês de 2020, o que significa um crescimento de 9,84% ante o mês anterior. Apenas para a China, foram vendidas 53 mil toneladas, um aumento de 126% comparado com janeiro de 2019.

A peste suína africana (PSA), que não contamina  o ser humano, chegou à China em agosto de 2018 e se espalhou pelo país, afetando consideravelmente o rebanho suíno do maior produtor de carne de porco do mundo.

continua após o anúncio

'Suprir proteínas na alimentação do país'

"Com isso, substitutos da carne suína estão sendo buscados pelo mercado chinês para suprir proteínas na alimentação do país", esclareceu o economista.

Os efeitos dessa procura foi sentido no final do ano passado no bolso do brasileiro. As vendas de carne bovina do Brasil para a China aumentaram tanto que o preço do produto disparou no mercado interno.

Mas outros fatores também podem ter contribuído, em menor medida, para o aumento das exportações de carne. Na semana passada, a China reportou um surto de gripe aviária H5N1 em uma cidade da província de Hunan

continua após o anúncio

Segundo o governo, 4.500 galinhas morreram e 17.828 foram recolhidas. Com a carência de carne de porco, as aves também são procuradas como fonte de proteína.

Coronavírus: segundo impacto

Além disso, há o surto do novo coronavírus no país, que matou 630 pessoas na China e fez o governo isolar várias áreas do território, principalmente na província de Hubei.

continua após o anúncio

"Nós não sabemos agora o que vai acontecer como consequência desse segundo impacto extremamente negativo para a economia chinesa, que é o surto de coronavírus, que está fazendo com que as pessoas fiquem em casa", afirmou Fendt.

As duas maiores empresas frigoríficas do Brasil, JBS e BRF disseram na semana passada que o coronavírus pode ajudar a aumentar a demanda por carne brasileira na China, pois devido à diminuição na atividade econômica, consumidores vão precisar estocar mais alimentos congelados e processados.

continua após o anúncio

Há ainda o temor de que o fechamento da região epicentro do coronavírus faça com que milhões de aves fiquem abandonadas e morram de fome.

'Janela de oportunidades'

"O Brasil tem uma janela temporária de oportunidades de venda de proteínas ao mercado chinês, até que a oferta de carne suína possa ser regularizada", disse o secretário-executivo da CEBC.

"O maior potencial de crescimento é do mercado chinês", acrescentou, comparando a situação no país asiático com outros grandes importadores de proteína animal brasileira, como a Arábia Saudita e outras nações islâmicas.

continua após o anúncio

Para ele, a China já atravessava um "momento ruim" devido à guerra comercial com os Estados Unidos, e agora o surto do coronavírus causará uma "impacto na produção industrial".

No entanto, Roberto Fendt acredita que o "surto será controlado" e a economia voltará ao normal, provavelmente a partir de abril, com a recuperação da atividade industrial" – previsão que está em linha com declarações do presidente chinês, Xi Jinping.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247