"Crise econômica causada pelo coronavírus não tem precedentes”, diz economista

"O Brasil tem uma janela para reaver as prioridades de política econômica que, neste momento, têm que ser: deixar as reformas de médio prazo de lado". afirma a economista Monica de Bolle

(Foto: Reuters)


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247 - “Não temos precedentes para isso na história das crises recentes", avalia a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE).

Em entrevista à Agência Pública, a economista afirma que não há como comparar a atual crise outros momentos da história. "Em 2008, foi uma crise de natureza financeira. Uma crise causada por uma epidemia, ou seja, quando você junta uma crise econômica com uma crise de saúde é algo inédito”, disse.

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Nos últimos dia, as principais bolsas de valores do mundo acumulam quedas superiores a 20% desde o início do ano. Dados divulgados pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) apontam uma possível perda de US$ 2 trilhões para a economia global devido à paralisia econômica causada pelo vírus.

Sobre a situação brasileira, Bolle destaca que o país deveria estar muito mais preocupado que os outros países. "O Brasil tem uma janela para reaver as prioridades de política econômica que, neste momento, têm que ser: deixar as reformas de médio prazo de lado por um tempo, não significa abandoná-las, mas elas deixaram de ser prioritárias. Temos que parar pra pensar no que pode ser feito dentro das restrições que o país têm para evitar o pior cenário", frisou.

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A economista salientou que o país tem uma população vulnerável por conta do grau de desigualdade. "Centenas de milhões de pessoas vão depender do SUS, que é um bom sistema de saúde, mas não tem capacidade de absorver o tipo de dano que essa doença pode causar, haja visto o colapso no norte da Itália, uma região desenvolvida, onde há bons hospitais e o sistema de saúde é público. O Brasil tem uma vulnerabilidade da população extrema comparado a outros países, um percentual considerável de idosos, muitos dos quais sem amparo nas redes de proteção social. É uma situação de quase tempestade perfeita para que uma doença como essa, sem a devida resposta das autoridades brasileiras, gere uma destruição imensa de vidas, de sistema de saúde e da economia", destaca.

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