Crescem pressões para que o BC não aumente juros

Mesmo analistas ortodoxos acreditam que nas condições atuais, elevar a Selic seria dar um tiro no pé, pois só aprofundaria a recessão e ampliaria os riscos de mais desemprego; esta é a posição também dos ministros políticos da presidente Dilma, do PT e dos líderes sindicais e de movimentos sociais; reunião do Copom, marcada para esta semana, será teste de fogo para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, diante do partido governista, que pede sua substituição

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante reunião ministerial em Brasília. 27/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante reunião ministerial em Brasília. 27/01/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Gisele Federicce)


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Por José Marcio Mendonça - Mesmo com a ausência do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa do país, na Europa representando o Brasil no Fórum Econômico Mundial a partir de amanhã, será salgadinha a semana econômica brasileira que está começando hoje.

Segundo o jornal "O Globo", Barbosa vai pedir um voto de confiança à comunidade empresarial e financeira internacional, enfatizando que a troca de ministros na Fazenda não vai significar o abandono do ajuste fiscal e que seu projeto é combinar o reequilíbrio das contas com estímulos à economia.

Discursos e conversas de Barbosa em Davos, Suíça, à parte, as atenções sobre a economia brasileira, interna e externamente, estão voltadas para o dilema em que está envolvido o Banco Central: se aumenta ou não, depois de amanhã, quarta-feira, a taxa básica de juros, atualmente em 14,25%.

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Mesmo analistas ortodoxos acreditam que nas condições atuais elevar a Selic seria dar um tiro no pé, pois só aprofundaria a recessão e ampliaria os riscos de mais desemprego. Esta é a posição, claro, também, dos ministros políticos da presidente Dilma Rousseff, do principal partido governista, o PT, e dos líderes sindicais e de movimentos sociais. As pressões para o BC deixar tudo como está estão num crescendo, sob o obsequioso silêncio (público, pelo menos), de presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda.

Acontece que o Banco Central, em suas últimas comunicações, inclusive na carta que foi obrigado legalmente a escrever para explicar as razões de não ter conseguido manter a inflação do ano passado dentro do limite máximo da meta (6,5% para uma subida real de preços de 10,67%) tem dados sinais inequívocos, claros, de que considera necessário elevar os juros para não perder completamente o controle dos preços. O BC julga que joga sua credibilidade nesta decisão de depois de amanhã.

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Alexandre Tombini e sua equipe estão naquela situação de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" – vão apanhar qualquer que seja a definição que encaminharem. Os jornais de sábado e de domingo traziam reportagens informando que o PT, se o BC contrariar sua posição a favor até da derrubada dos juros, vai desfechar uma campanha para a demissão de Tombini da presidência da instituição, nos mesmos moldes da que ajudou na queda de Joaquim Levy da Fazenda.

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