Crescem pressões para que o BC não aumente juros
Mesmo analistas ortodoxos acreditam que nas condições atuais, elevar a Selic seria dar um tiro no pé, pois só aprofundaria a recessão e ampliaria os riscos de mais desemprego; esta é a posição também dos ministros políticos da presidente Dilma, do PT e dos líderes sindicais e de movimentos sociais; reunião do Copom, marcada para esta semana, será teste de fogo para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, diante do partido governista, que pede sua substituição
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Por José Marcio Mendonça - Mesmo com a ausência do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa do país, na Europa representando o Brasil no Fórum Econômico Mundial a partir de amanhã, será salgadinha a semana econômica brasileira que está começando hoje.
Segundo o jornal "O Globo", Barbosa vai pedir um voto de confiança à comunidade empresarial e financeira internacional, enfatizando que a troca de ministros na Fazenda não vai significar o abandono do ajuste fiscal e que seu projeto é combinar o reequilíbrio das contas com estímulos à economia.
Discursos e conversas de Barbosa em Davos, Suíça, à parte, as atenções sobre a economia brasileira, interna e externamente, estão voltadas para o dilema em que está envolvido o Banco Central: se aumenta ou não, depois de amanhã, quarta-feira, a taxa básica de juros, atualmente em 14,25%.
Mesmo analistas ortodoxos acreditam que nas condições atuais elevar a Selic seria dar um tiro no pé, pois só aprofundaria a recessão e ampliaria os riscos de mais desemprego. Esta é a posição, claro, também, dos ministros políticos da presidente Dilma Rousseff, do principal partido governista, o PT, e dos líderes sindicais e de movimentos sociais. As pressões para o BC deixar tudo como está estão num crescendo, sob o obsequioso silêncio (público, pelo menos), de presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda.
Acontece que o Banco Central, em suas últimas comunicações, inclusive na carta que foi obrigado legalmente a escrever para explicar as razões de não ter conseguido manter a inflação do ano passado dentro do limite máximo da meta (6,5% para uma subida real de preços de 10,67%) tem dados sinais inequívocos, claros, de que considera necessário elevar os juros para não perder completamente o controle dos preços. O BC julga que joga sua credibilidade nesta decisão de depois de amanhã.
Alexandre Tombini e sua equipe estão naquela situação de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" – vão apanhar qualquer que seja a definição que encaminharem. Os jornais de sábado e de domingo traziam reportagens informando que o PT, se o BC contrariar sua posição a favor até da derrubada dos juros, vai desfechar uma campanha para a demissão de Tombini da presidência da instituição, nos mesmos moldes da que ajudou na queda de Joaquim Levy da Fazenda.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247