Corporações brasileiras têm menos de 5% de executivos negros
"Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras e suas Ações Afirmativas", produzido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Ethos, mostra que apenas 4,7% dos quadros executivos das grandes empresas brasileiras são compostos por negros; mulheres são 13,6% desse universo; entre as empresas que tomam alguma iniciativa para promover a igualdade em seu quadro de funcionários, 43,1% possuem políticas voltadas para pessoas com deficiência, 28, 2% para mulheres e apenas 8% para negros
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Flavio Carrança, da Agência Áfricas de Notícias - Apesar do avanço nos últimos 15 anos, em relação a participação no mundo corporativo, negros e negras continuam enfrentando dificuldades para ingressar, permanecer e ascender profissionalmente nas grandes empresas brasileiras. É o que demonstra o "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras e suas Ações Afirmativas", lançado no dia 11 de maio, em São Paulo, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Ethos.
Segundo o levantamento, apenas 4,7% dos quadros executivos das grandes empresas brasileiras são compostos por negros. As mulheres são 13,6% desse universo. Entre as empresas que tomam alguma iniciativa para promover a igualdade em seu quadro de funcionários, 43,1% possuem políticas voltadas para pessoas com deficiência, 28, 2% para mulheres e apenas 8% para negros
A pesquisa mostra que negras e negros têm presença muito inferior à de brancos no mercado de trabalho, apesar de representarem mais de 50% da população brasileira. Maioria apenas nas categorias formativas, como aprendizes e trainees, os afrodescendentes são superados em números pelos brancos em todas as demais posições. Nas categorias mais baixas do quadro funcional, os brancos são quase o dobro dos negros ( 62,8% e 35,7%, respectivamente). Quando se passa para os cargos mais altos, a situação piora, como resultado das dificuldades enfrentadas pelos afrodescendentes para ascender profissionalmente: em cargos gerenciais são apenas 6,3% contra 90,1% de brancos, enquanto nos conselhos de administração são 4,9% comparados com 95,1% de brancos.
Caio Magri, diretor executivo do Instituto Ethos, informa que a pesquisa agora divulgada é a sexta de uma série iniciada em 2001. Ele observa que os dados deste ano reforçam a tese de que a participação dos afrodescendentes nos diversos cargos das grandes empresas ainda está muito distante do que deveria ser. "Ao longo desses anos, desde 2001, nós fomos percebendo que são muito baixos os números da inclusão de negros e negras no mercado de trabalho. E eles se agravam ainda mais quanto mais você sobre na hierarquia das empresas.", afirma. O lado positivo desse cenário, de acordo com o diretor, é que a pesquisa mostra uma maior disposição das empresas para enfrentar o problema: "As empresas têm aumentado as suas ações afirmativas para a inclusão e para a promoção da igualdade racial no local de trabalho. Isso ainda é muito incipiente, é necessário avançar mais, mas esse é um dado positivo."
Contribuir para que os gestores tenham mais informação e possam adotar práticas efetivas para a valorização da diversidade é o principal objetivo da pesquisa. Para a Assessora Principal da Divisão de Gênero e Diversidade do BID, Judith Morrison, conhecer melhor o perfil dos executivos e funcionários é fundamental para promover a diversidade racial e de gênero nas empresas. "A pesquisa pode ser utilizada para estabelecer metas para novos programas internos que promovam a inclusão econômica de populações menos favorecidas", declarou, acrescentando que há tempo para esperar que a solução apareça espontaneamente: "Preci-samos de ações concretas e dar ferramentas às empresas que têm compromisso em melhorar a representatividade dos seus quadros de funcionários. Isso vai servir a essas empresas para atenderem melhor às necessidades dos mercados brasileiro e internacional."
A íntegra da pesquisa "Perfil Social, Racial Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras e suas Ações Afirmativas" pode ser acessada no site do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Confira na íntegra a entrevista com Judith Morrison – assessora principal da Divisão de Gênero e Diversidade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID):
Agência Áfricas - Por que é importante e para que serve a divulgação dos dados deste Perfil?
Judith Morrison - Eu acho que é muito importante para entender onde está exatamente onde está o setor privado e também dever onde tem possibilidades de crescer o setor privado. A gente está vendo isso como uma possibilidade de crescimento interno da empresa, por que realmente um país como o Brasil, onde mais da metade da população é feminina e mais da metade da população se declara afrodescendente, é muito importante saber quais são as áreas de interesse dessas populações, justamente para identificar novos consumidores e promover inovações. Para nós, a gente percebeu muito que quando a gente está falando de quadros executivos, menos de 5% são afrodescendentes, menos de 15% são mulheres, então obviamente na tomada de decisões no mais alto nível essas pessoas estão bastante ausentes e a gente acha que essa perspectiva também está ausente. Então nesse período de dificuldades econômicas é justamente o momento de se pensar em como se planejar essas empresas daqui pra frente para criar mecanismos mais sustentáveis.
A gente está tentando identificar cinco empresas que tenham interesse nessa área de diversidade. Especificamente, a gente está querendo criar uma linguagem para falar sobre isso, para entender exatamente quais são as metas, quais são as possibilidades para desenvolver novos projetos, por que a gente acha que tudo isso é muito importante. A empresa que tiver interesse pode entrar em contato direto com o BID para discutir e para ver as possibilidades de ter, digamos, esse acompanhamento de longo prazo para identificar essas modalidades de funcionam melhor e fazendo uma inserção no mercado de trabalho e nesse processo de promoção e ascensão de mulheres afrodescendentes nas empresas.
A empresa vai entrar em contato e vai expressar seu interesse no programa. A gente está priorizando nesse momento as 500 maiores empresas brasileiras, por que a gente acha que essas empresas têm uma importância em termos de fornecedores. Se eles conseguem fazer bem, os fornecedores deles também poderiam fazer.
Queremos justamente identificar alguns desses aliados e ver exatamente como a poderemos seguir adiante.
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