Coronavírus pode transformar desaceleração global em recessão, diz economista Ricardo Carneiro
De acordo com Carneiro, o cenário da economia mundial é de piora “tanto no ponto de vista de crescimento quanto no ponto de vista do comércio internacional, que terá implicações sobre o Brasil muito significativas”. Assista na TV 247
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247 - O economista e professor da Unicamp Ricardo Carneiro falou à TV 247 sobre a influência do coronavírus na conjuntura econômica global. Segundo ele, que participou nesta semana do programa Mercadante Debate, a pandemia pode fazer com que a economia global, que já vinha desacelerando fortemente, entre em um quadro de recessão, ou seja, em uma situação de retração geral na atividade econômica.
Carneiro explicou que a desaceleração econômica já estava em curso por conflitos comerciais entre Estados Unidos e China e por motivos cíclicos, porém o coronavírus é um novo fator agravante. “No cenário internacional já estava determinado que se teria em 2020 uma desaceleração da economia, por várias razões, por razões cíclicas e por razões de conflitos, o conflito entre Estados e China. Acho que o vírus traz uma novidade que é a possível transformação dessa desaceleração em uma recessão. Indicadores sinalizam que muito provavelmente se terá um agravamento da desaceleração do ponto de vista da produção de comércio. Como as economias vão reagir a isso é uma questão importante”.
O professor esclareceu que o coronavírus afeta a cadeia de produção, já que pode se deslocar em meio ao processo de importação e exportação de produtos, e também prejudica o turismo. “O coronavírus tem importância por duas razões, primeiro porque ele é transmitido pela cadeia de produção, pela cadeia global. O outro canal, que é o que bate sobretudo na Europa, é o canal turístico. Tem países, como Portugal, que 15% do PIB é formado por turismo. Na Espanha é quase 10%, então você tem um impacto muito significativo em uma economia que já vinha desacelerando muito fortemente. O cenário na verdade é de piora, tanto no ponto de vista de crescimento quanto no ponto de vista do comércio internacional, que terá implicações sobre o Brasil muito significativas”.
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