Copom: Selic ficará estável por um bom tempo

Cenário prospectivo para preços é favorável e inflação tende a se deslocar na direção da trajetória das metas, "ainda que de forma não linear", informou nesta quinta o Comitê de Política Monetária do Banco Central, presidido por Alexandre Tombini

Copom: Selic ficará estável por um bom tempo
Copom: Selic ficará estável por um bom tempo (Foto: ANTONIO CRUZ-ABR)


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Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira, por meio de sua ata, que o cenário prospectivo para preços é favorável e reafirma que a inflação tende a se deslocar na direção da trajetória das metas, "ainda que de forma não linear", ao mesmo tempo em que transmitiu a mensagem que os juros permanecerão estáveis por período prolongado.

Analistas consultados pela Reuters avaliaram que o documento foi bastante parecido com o anterior, divulgado em outubro, reforçando a perspectiva de que a Selic ficará na atual mínima histórica de 7,25 por cento ao longo de 2013 e até em parte de 2014.

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Mas já projeções de que, por conta da economia ainda muito fraca, que apontam para reduções na Selic no futuro. As equipes de economistas do Santander, do Barclays e do Itaú BBA, por exemplo, apostam na taxa em 6,25 por cento ao ano.

"A projeção para a inflação não está aumentando, isso fortalece a avaliação de que a Selic ficará em 7,25 por cento em 2013 e 2014. Mas, se em algum momento houver espaço, o BC pode reduzir os juros ainda em 2013", comentou o economista-chefe da Planner Consultoria, Eduardo Velho, referindo-se ao comportamento da economia que, no terceiro trimestre, cresceu minguados 0,6 por cento. .

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Na ata, o Copom avalia que o cenário prospectivo para a inflação apresenta sinais favoráveis e reafirma sua visão de que "a inflação acumulada em doze meses tende a se deslocar na direção da trajetória de metas, ainda que de forma não linear".

O BC também voltou a reiterar que a taxa básica de juros ficará estável por um bom tempo. "...a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta", informou a ata.

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Na semana passada, o Copom manteve a Selic na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano, encerrando o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011 e que eliminou 5,25 pontos percentuais da Selic em dez cortes seguidos. O último movimento foi em outubro, quando a taxa foi reduzida em 0,25 ponto, para o atual patamar, em uma decisão dividida entre os membros do Copom.

O objetivo foi estimular a cambaleante economia brasileira, afetada pela crise internacional. O BC ajusta agora o rumo de sua política monetária de olho na inflação que, apesar de recentemente mostrar sinais de arrefecimento, ainda deve ficar bem acima do centro da meta do governo --de 4,5 por cento pelo IPCA-- neste e no próximo ano.

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O Copom elevou a projeção de inflação para 2012 tanto pelo cenário de referência quanto de mercado, e ambos encontram-se acima do centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA. Na ata de outubro, as estimativas haviam sido mantidas, mas acima do centro da meta.

Já para 2013, a autoridade monetária manteve suas estimativas para inflação nos dois cenários, mas também acima do centro da meta. No documento anterior, o Copom havia reduzido suas perspectivas de inflação, apesar de estarem acima da meta.

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Somente em 2014, o BC estima que a inflação ficará em torno do centro da meta em ambos cenários.

O economista da Link Investimento Thiago Carlos avaliou que a ata divulgada nesta quinta-feira repete a estratégia do documento anterior, indicando que a tendência é que a autoridade monetária mantenha o juro básico estável em todo o ano de 2013 e em parte de 2014.

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Mas ele não descarta novos cortes no futuro. "Há a possibilidade de que o próximo passo da política monetária ser a de corte da Selic e isso estará vinculado aos dados da atividade econômica, o mercado está agora precificando isso", comentou.

Na ata, o Copom diz que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, e avalia ainda que a perspectiva favorável para a atividade doméstica neste e nos próximos semestres deverá ser caracterizada por diferença de crescimento entre os setores.

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No aspecto fiscal, o BC considerou que a realização de superávits primários "compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuem para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta".

Para este ano, o BC trabalha com o cumprimento da meta de 139,8 bilhões de reais com ajuste --desconto dos investimentos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) de até 40,6 bilhões de reais-- e para 2013 com o cumprimento da meta cheia e sem ajuste, de 155,9 bilhões de reais.

Na ata, o BC aborda a questão do câmbio de forma implícita, comentou o estrategista-chefe da WestLB, Luciano Rostagno. "O BC apenas indicou que está de olho no preço de câmbio, mas de forma implícita e que isso não altera o cenário para a projeção de inflação convergindo para o centro da meta de forma não linear".

No documento apresentado nesta quinta-feira, o BC manteve em zero a projeção de reajuste no preço da gasolina para 2012 e em 1,4 por cento para a tarifa de energia elétrica.

A estimativa para o reajuste dos preços administrados para 2012 foi reduzida a 3,4 por cento, ante 3,6 por cento antes, enquanto que para o acumulado em 2013 foi mantida em 2,4 por cento. Para 2014, o BC vê alta de 4,5 por cento nestes itens.

(Por Luciana Otoni)

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